Gastronomia de amigos

30 Outubro 2006

Wellão

Hoje, voltando da faculdade, eu lembrei de você. Fazia um calor desgraçado, eu estava morrendo de fome e com uma vontade doida de tomar aquela cerveja que você vendia na barraca. Confesso: lembrei antes da Brahma Extra e daquela comidinha que você mandava fazer pra gente. Aquele bifinho, arroz, feijão, farofa… acompanhados daquela Extra geladinha, que você reservava para a gente. Hoje eu dava tudo para comer exatamente aquele prato com aquele acompanhamento. Bateu uma saudade. Lembrei também de como você ralava para administrar, praticamente sozinho, aquele negócio, para no fim do mês ainda pagar arrendamento. Você chegava de manhãzinha e só saía de noite. Um cara trabalhador. Mas a próxima cerveja eu pago, em homenagem à cabana de Coroa Vermelha.

Abração, você é brodásso.

Xandão

Tem noites aqui que não passam nem a pau, cara. Eu leio, fico na Internet, vejo televisão, mas não quero fazer nada disso e acabo deitado olhando pro teto. Eu quero sair do jeito que estou, sentar num barzinho com mesa de plástico e conversar. Tomando aquela Bohemia no Nice’s ou uma Heineken na Galeria. Bate aquela fominha da meia-noite e não dá nem para tomar um caldo de mariscos ou de camarão, com aquela torradinha e os patês… Tenho que ficar no pão com manteiga mesmo. E no leite com Nescau. Aí fazemos do Nice’s uma extensão de casa. E sua casa é uma extensão da casa de todo mundo (mesmo que seu pai não goste). Todo mundo que você conhece já comeu e/ou assistiu filme aí. Você até tira o velho da sala para poder assistir filme com a gente.

Você é meu irmão, cara.

Pedro

E quando lá pelas duas, três da matina, eu deitado numa cama, você na do lado, a gente conversando sobre tudo enquanto o Jô fala bobagem na TV, e resolvemos sair? Assim, sem avisar a ninguém (a gente vai e volta e ninguém nota). Aí vamos no Medinão, que tem aquele lanche baratão, aquela gerente com cara de bunda, os garçons cansados e o chapeiro suando. Tem que lotar de catchup, porque o negócio não tem gosto de nada. Ou então a gente sai só pra tomar uma Heineken, mesmo. No Algo Mais. É tanta opção a poucos quarteirões de casa… Sem medo de assalto. Com pouca grana, fazemos um programa de irmãos. Sem mais ninguém. Sempre passa um conhecido, mas cumprimenta e vai embora. A gente termina nossa Heineken e volta pra casa – para conversar mais um pouco e dormir até meio-dia.

Não adianta você negar, porque a gente é irmão.


Registro “histórico”

28 Outubro 2006

Se ter o blog citado em qualquer lugar é motivo de alegria, ser indicado por um membro do mainstream é uma honra e motivo de festa para um blog do (baixo) nível do UBEC. Por isso, foi uma agradável surpresa ver este espaço indicado nos Blogs da semana do melhor blog do Brasil, o Pensar Enlouquece, pense nisso, do grande Alexandre Inagaki.

Até tirei uma foto:
indicacao_do_inagaki.JPG

Registrado esse momento, peço que votem no Pensar Enlouquece no concurso internacional The Bobs, como melhor blog em português. Basta clicar aqui e selecionar o PePn.

* * *

E como estamos falando em blogs, aviso que o Dare to be stupid, do meu amigo Jão está de volta, depois de uns seis meses sem atualizações. Aproveite, antes que ele fique às moscas novamente. Por um bom tempo foi meu blog favorito, vamos ver se ele me reconquista.


Concorrência ou Aumentam chances de eu conseguir frilas

26 Outubro 2006

Nem bem a Piauí chegou e já vai ganhar uma concorrente. Ninguém menos que Ricardo Kotscho vai tocar Brasileiros, junto com Hélio Campos Melo e Nirlando Beirão – os idealizadores. Segundo o Portal Imprensa, a revista promete “elevado padrão editorial e de fotos para contar histórias de brasileiros de todas as regiões do país”.

Hélio conta que Brasileiros ainda está no espelho do número zero (só deve ser lançada em 2007). “Ainda estamos preparando o número zero, mas teremos uma redação na Vila Madalena. A redação terá cerca de 10 jornalistas fixos, além de uma equipe de colaboradores”.

Ao jornalista campineiro Gilberto Gonçalves, Kotscho, que esteve em Campinas recentemente, adiantou que a cidade terá lugar garantido em sua publicação (o que muito me interessa). Apesar da ousadia do projeto, Hélio e Kotscho não deixarão O Globo (o que já me preocupa).


Amigos

21 Outubro 2006

I
Ele se orgulha de dizer que leu “toda a obra em português em catálogo do Gay Talese”, o que significa que simplesmente leu três livros do autor. Leu um ou dois clássicos brasileiros, mas isso ele não conta. O tempo todo formula idéias de mundo e de gente; uma pequena parte ele transforma em texto e publica em seu blog. A maior parte ele deixa pra lá, com medo de dizer bobagem. É capaz de ter apreço fraternal por objetos como um livro ou uma edição específica de uma revista. Pode falar por horas sobre a obra que está lendo no momento – mas sempre se segura para não parecer ainda mais chato. Sobre as músicas que está ouvindo, só faz comentários superlativos como “demais” e “muuuuuuito legal”.

II
É a biblioteca ambulante do Rock. Fale de uma banda – nova ou antiga – e ele conhece. Se não gosta, no mínimo sabe a que estilo pertence: indie, modern, metal, punk, rockabilly. Humorista nato, já pensou em ter um blog, mas sua namorada recomendou que não desperdiçasse seu talento num meio tão egocêntrico e fútil. Lê todas as revistas sobre música que encontra. Ouve todas as bandas que surgem antes delas fazerem sucesso. Seus livros preferidos são memórias de astros do Rock. Quando não namorava, era freqüentador assíduo da Rua Augusta, em São Paulo. Pensa em lançar uma revista que seria uma fusão de sexo e Rock’n’ Roll, com ênfase no “underground”: prostitutas e bandas de garagem.

III
Ninguém sabe que livros ele leu. Mas pelo vocabulário e pelas citações que faz, parece bem informado sobre romancistas, poetas, pintores e músicos eruditos. Sabe-se que lê a Trip de vez em quando, mas os amigos só souberam disso quando começaram a comentar matérias da revista. Ouve Chico e Los Hermanos; Weezer e Franz Ferdinand. Ao que parece não escreve nada, mas é provável que tenha textos humorísticos guardados em uma pasta secreta no computador: tem tiradas hilárias e um rigor estético no que fala no vídeo. Blogs, apenas lê alguns – pelo menos é o que se sabe.

IV
Apesar de ter grana, não personifica o playboy nem qualquer outro estereótipo. Tem um carrão (troca todo ano), mas nunca fala de automóveis ou do que quer que tenha comprado. Não é leitor assíduo e tampouco escriba, mas devota bastante respeito a quem é. Disciplinado, se começa algo vai até o fim, não importando se aquilo não lhe agrada mais. Ouve basicamente bandas de “New Metal”. Detesta qualquer outro som com pretensões experimentais. Nunca nem cogitou ter um blog.

V
Leu muita coisa, mas não fica falando. Escreve muito bem, mas não fica escrevendo. Já teve um blog, mas abandonou. Às vezes pensa em voltar a escrever por escrever, mas aí deixa pra lá. Compra duas, às vezes três revistas por mês e assina mais uma. Ouve bandas desconhecidas e quando alguém comenta sobre uma delas, diz que já tinha falado sobre há muito tempo. E mais: que o novo fenômeno agora é uma cantora armênia que canta em mandarim. É disciplinado, mas às vezes se permite ter preguiça e ficar a tarde inteira no You Tube. Balanceia bem prazeres da carne com os da mente.


Uma revista sobre brasileiros

18 Outubro 2006

Desde aquela entrevista eu espero. João Moreira Salles falou, em 2004, ao Estadão, sobre seu documentário Entreatos. Quase tudo o que foi dito ali, porém, se tornou pouco relevante para mim. Porque naquele emaranhado de lulas e câmeras, João dizia que tinha planos de lançar uma “revista de grandes reportagens”. Não havia menção de data, sequer se era só um sonho distante ou um objetivo concreto. Mesmo assim aquilo não me saía da cabeça.

Sempre que ele dava uma entrevista eu queria que perguntassem: “E a revista?”, mas ninguém tocava no assunto. Ô imprensa alienada! Ano passado comprei O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell, e olha quem assina o posfácio: João Moreira Salles. No texto ele demonstra profundo conhecimento da história da New Yorker e da obra de Mitchell – que para mim só disputa o trono de rei do Jornalismo Literário com Gay Talese. O texto é muito bem escrito, por sinal. O que está faltando então, João, para você lançar a revista? Até um anunciante você já tem!

Devem ter sido boas as razões, porque valeu a espera. Setembro nunca passou tão devagar, mas agora tenho a piauí em mãos. O papel não é o couche da Trip, mas é mais agradável às mãos que o grossão da Caros Amigos. O formato, aliás, se assemelha ao desta última, talvez o mais apropriado aos longos textos. Sim, porque piauí tem TEXTO. Não aquela coisa pasteurizada das semanais; e nem os assuntos manjados das “segmentadas”.

Mas piauí ainda é uma criança. Uma menina, aliás, abre esta edição. É a história de Salem, o fóssil de 3,3 milhões de anos de uma menina, descoberto recentemente. “Chegada” promete trazer todo mês a história de “uma família, de uma comunidade, de um lugar, de uma doença, ou de uma situação contada a partir do nascimento de um bebê no mês anterior”.

“Esquina”, dizem os que conhecem a revista estadunidense, é uma versão de “The talk of the town”: histórias “curtas, médias ou não muito grandes” da atualidade. Neste mês, começa no Rio de Janeiro com Roberto Jefferson, passa por Salvador com as baianas do “acarajé de Jesus”, visita um ex-presidiário em São Paulo, vai até o Piauí [claro!] mostrar o sucesso do badminton, e termina com os búfalos policiais da Ilha de Marajó, no Pará.

José Hamilton Ribeiro já deve ter comprado a sua. Soube por mim e por Renan da chegada da revista e ficou contente. Não soube antes talvez pelo fato de não ser chegado em Internet; mas ele adora papel. E piauí tem bastante papel. Tem perfil, ensaio fotográfico [sem mulher pelada], humor em quadrinhos, humor em texto corrido, ficção, viagem… Na sessão que encerra a revista, “Despedida”, os mortos do mês. Mas não pense que vai ter sempre um famoso ali. Nesta edição, o morto é José Roberto Santos, um pedreiro baiano que morreu trabalhando em São Paulo.

Apesar de nascer no Rio, piauí parece querer explorar os vários brasis. Em meio a uma imprensa que parece só enxergar o próprio umbigo [Rio, São Paulo e uma Brasília só dos políticos], já nasce mais brasileira – a começar pelo nome. Não está interessada no escândalo, na Cicarelli, no dossiê. Quer mostrar não só o Brasil do Congresso, mas um Brasil de brasileiros.


Mahna, mahna

15 Outubro 2006

Enquanto eu tomo uma overdose de Smallville (só agora descobri um site supinpa com todos os espisódios já legendados), fique com esse… clipe dos Muppets, que me faz rir mesmo depois de eu ter visto umas cinco vezes.

- It’s for you…
- Mahna, mahna!
 


Só rindo mesmo

13 Outubro 2006

O post do debate de 1989 não deu muita audiência (eufemismo para fiasco). Prova cabal de que a tríade sexo, política e tragédia não é garantia de audiência. Demoro a atualizar este espaço porque estou meio abobado esses dias – para não dizer “desde que nasci” –, de saco cheio mesmo, de eleições, jornal, pesquisa Ibope, Datafolha e o caralho a quatro. Ainda bem que tenho a esperança de que as letras podem nos livrar do emburrecimento coletivo e o humor da sisudez da imprensa. Como ler e rir é minha única saída visível, vou falar de algumas leituras.

  • Para começar, o blog do Xico Sá, no NoMínimo, é indispensável ao meu dia já há algum tempo. Seja em notas com furos da política, seja em crônicas da paulicéia, o quase-conterrâneo é impagável. Cito aqui como “texto para guardar” este “O melhor feriadão do mundo é aqui e agora”, mas poderiam ser muitos outros.
  • Não chegou por aqui, por isso ainda não li a piauí. A não ser este perfil curto de Roberto Jefferson feito por João Moreira Salles e reproduzido no supracitado NoMínimo. Vale também o artigo de Sérgio Rodrigues sobre a revista. E chega de falar de uma publicação que nem li! Ah, as dicas são do JW (que já comprou a dele).
  • Comecei a ler hoje Paraíso na fumaça, de Chris Simunek, e me sinto seguro para recomendar a leitura. O “editor de cultivo” (!!) da revista High Times narra neste livro algumas de suas viagens (físicas e psicodélicas) para desvendar a cultura da cannabis. A narrativa é engraçadíssima, cheia de referências a personalidades como Capitão Kirk e bandas sessentistas/setentistas. Jornalismo Gonzo puro!
  • A saideira é outro obrigatório, Tutty Vasques e suas notinhas. Reproduzo uma mais antiga para que você se sinta motivado a ler as recentes.

Será?
Caboclo Heloísa Helena pode ter baixado em Geraldo Alckmin. A questão está sendo discutida no conselho de ética do PSOL.

E não se fala mais nisso!


Um debate

9 Outubro 2006


Muito programa de humor perde para esse debate presidencial de 1989. O “nosso” deputado mais votado em 2006 é o centro das atenções. Lula o chama de “competente” (entenda porque); ele então puxa o saco de Silvio Santos (o debate é no SBT!). Guilherme Afif Domingos (o que competiu ao Senado esse ano, dizendo que São Paulo precisava de um ACM) elogia Maluf. Brizola desconfia do PT como um partido de natureza social. Mário Covas ironiza o “estupro sem crime” de Maluf, que pergunta: “Virou cínico, é?” 

Collor… Bom, o Collor se recusou a ir.

P.S.: Sabe quem era (ou ainda é) malufista? A Hebe! Veja mais “artistas” apoiando candidatos clicando aqui.


Pervertidos do meu Brasil…

7 Outubro 2006

A gente tenta fazer um blog de família, mas não tem jeito. Qual não foi minha surpresa quando descobri o recurso do WordPress em que dá para saber o que as pessoas procuravam quando aqui chegaram. E olha só: apesar das palavras-chave que resultaram em mais visitas serem banais como “consertando TV pelo computador” (!), a maioria das buscas têm a ver com sexo (perversões, taras e congêneres).

Visitantes tarados…

“Velhas tesão”, “tesão de putas”! Não se pode nem falar do prazer em exercer sua profissão! E como as idosas e as meretrizes entraram na história? Você que procura por “desenhos de enfermeiras”, pode me explicar o que pretende? Alguma tara? Parece que dois quase acharam o que procuravam, um querendo saber sobre Gonzo e outro, veja só, “blogs literários baianos”. Gentileza sua, minha cara, mas não tenho tamanha pretensão (deixa eu imaginar que foi uma mulher linda e culta).

Um queria saber do livro de Zuenir Ventura (“1968 – O ano que não terminou”) e outro sobre o Flávio Tavares (autor de “O dia em que Getúlio matou Allende”). Mas parece que o internauta insinua que o jornalista e escritor, que que foi preso na Ditadura Militar, solto junto com o José Dirceu, é gay. Nada contra, mas esclareço: se escrevi esta palavra, me referia ao Gay Talese – outro jornalista-escritor.

No mais, teve gente procurando um casal disposto a fazer swing (não vai dar, minha parceira é careta) e alguém querendo saber sobre o “Dia do Sexo” (eu nem sabia que existia tal data). E para não dizer que só algumas pessoas que visitaram este blog se enganaram, olha o tempo verbal errado, na tradução porca do WordPress: “Estes são os termos que as pessoas utilizarão para encontrar o seu blog”. Fazendo previsões, Mãe Dinah?

Mas não tem problema, não, viu?, meus pervertidos queridos. Podem continuar vindo aqui que o tio André pode não ser um fornecedor de pornografia escatológica, mas não tem preconceito contra suas taras. Vocês são leitores importantes para mim. Só esse post, com esse monte de termos sexuais, já deve ter atraído vários de vocês. Quem sabe não será o recorde de acessos, vencendo meu artigo sobre política? Para garantir, vou soltar mais algumas palavrinhas mágicas. Portadores de olhos conservadores, é melhor que não leiam as próximas linhas.

Zoofilia, putaria, prostitutas bonitas pra gente namorar (um Manuel Bandeira para melhorar o nível), xanas, ninfetas, lolitas, seios, peitões, velhas taradas (esse é muito bom!), prostitutas velhas (imagine… pagar…), este não é um blog gay, mas que venera o Gay Talese, O Escritor, casado e pai de duas filhas.

Voltem sempre.


Nem seis nem meia dúzia

4 Outubro 2006

O que mais me irrita (e entristece) nestas eleições é esta falsa polaridade entre PSDB e PT. Como se tudo se resumisse a “direita” e “esquerda”. Se eu critico um candidato, me chamam de partidário do outro. Acho que o Brasil merece muito mais do que apenas dois grupos políticos com o mesmo programa de governo/poder.

Eu, com meu modesto voto para o idealista Cristovam Buarque, de repente “ajudei a direita” a chegar ao segundo turno e poderei, veja só, ser um dos responsáveis pela “volta da direita”. Se eu não concordo com dois projetos – supondo que sejam diferentes – num universo de três ou quatro, eu tenho de escolher justamente entre os dois que não aprovo?

Não acho que o governo Lula tenha mudado muito em relação ao FHC. A política econômica é a mesma. Aliás, o superávit primário aumentou! A dívida com o FMI foi zerada só por causa do Lula? A Carta ao Povo Brasileiro serviu mais para aliviar os banqueiros e especuladores de que nada mudaria. As políticas sociais são as mesmas. Lula uniu os programas assistencialistas criados no governo de Fernando Henrique Cardoso – e ainda tirou a contrapartida das crianças da família freqüentarem a escola.

É claro que hoje mais famílias são beneficiadas, claro que o emprego melhorou, mas é uma tendência natural se os programas continuam. Longe de estar defendendo o governo tucano (já devem estar dizendo), pois são no mínimo questionáveis programas que só dão o peixe e não ensinam a pescar. A privatização da Vale do Rio Doce foi um desastre para o País – o lucro de um ano é superior ao valor que a empresa foi vendida. A corrupção já existia no governo do PSDB (e no Collor-Itamar, no Sarney, no militar, no Jânio Quadros etc.), mas não votamos no PT justamente para que ele mudasse tudo isso?

Porque só o argumento do continuísmo bastaria, mas ainda tem o quesito corrupção. Não sei você, mas eu não consigo compactuar com o crime. “Erros” como caixa 2 e valerioduto não podem ser tolerados, principalmente por quem está no posto mais alto do Estado.

Aí agora, até pessoas cultas vêm dizer que estou ajudando a “direita”. Eu pensei que a “esquerda” fosse fazer muito mais do que continuar aplicando o modelo neoliberal. Temos a Eletrobrás que lucra rios de dinheiro, mas que vão para o pagamento do superávit primário. Minha decepção com essa esquerda é justamente por fazer tudo igual à direita.

A educação superior foi privilegiada em detrimento da educação básica. Em vez de usar apenas as faculdades públicas para os pobres, gasta-se pagando bolsas de estudo em faculdades particulares. Sim, porque sou a favor de cotas para estudantes de baixa renda nas faculdades públicas. E não importa a cor da pele, pois pobreza não tem raça. Cotas nas universidades federais e estaduais não dão despesa adicional ao governo e sobra para a educação básica. Escolas públicas de qualidade, com professores bem remunerados, vão formar os estudantes que não precisarão de cotas, no futuro. Bom, mas criança não vota, não é? E cidadão escolarizado é perigoso.

Esse papo de que é preciso votar em um para que o outro não chegue ao poder não convence. Tenho que votar, então, no “menos pior”? Só para ilustrar, o golpe militar foi apoiado pelos brasileiros que tinham medo que o comunismo chegasse ao Brasil. E não foi só reacionário que apoiou, não! Foi a “família brasileira”. Deu no que deu. Claro que o caso aqui não chega a tanto, mas já tem gente dizendo que, dependendo de quem ganhar, vai ter privatização para todo lado ou que vamos ter um Hugo Chávez brasileiro…

Estamos num país de 180 milhões de habitantes e acredito que há alternativas além desse modelo que vem sendo aplicado há tantos anos. E, acima de tudo, acredito que sem homens íntegros no comando um país não vai longe. Reservo-me ao direito de não votar nem em seis nem em meia dúzia.