Amigo leitor, nunca na história deste blog um texto novo demorou tanto a aparecer. Na verdade, eu precisaria checar os arquivos, mas não queria perder a paródia de Nosso Guia. Mas, sem tergiversações, apesar de ter ficado tanto tempo sem atualizar esta tribuna, nunca na história desta vida (até porque não lembro de ter tido outra) escrevi tanto para internet.
São oito horas diárias em frente ao computador, checando e-mails, buscando notícias sobre atletas e esportes desconhecidos e nem tão desconhecidos, reescrevendo, “cozinhando” textos alheios, redigindo notícias para celular e mudando chamadas da home (a parte mais divertida). Quando acaba o expediente – apesar de ser “frila fixo” e de estar numa empresa em que muita gente vara a madruga trampando, trabalho apenas as oito horas diárias da CLT – quando acaba o expediente (repito porque o aposto foi longo) não quero mais saber de computador.
OK. Oito horas é exagero… São sete. Enquanto muita gente faz duas horas de almoço, faço
uma ou menos. É o preço por trabalhar com notícias “em tempo real”. Falando em hora de almoço, aproveito para emendar que tenho comido muito bem. Olha, na sexta-feira passada tomei uns chopes com um cara que trabalhou lá n’O Prédio. Ele diz que o ano que passou lá foi horrível. Mas uma coisa, meu amigo, ele faz questão de ressaltar: o “bandejão” d’O Prédio é muito bom.
Grelhados fantásticos (de calabresa a salmão), um prato especial (“do chefe”) diferente todos os dias, uma grande variedade de molhos para salada (agora só quero saber de vinagre balsâmico), sobremesas… Outro motivo para eu sair correndo da redação quando dá meu horário: a sopa do lugar é a melhor que já tomei na vida (que fique registrado que caldos – sururu, feijão, mariscos, frango, verde – não estão enquadrados na categoria sopa).
Então vim passar o fim-de-semana em Campinas e minha tia quis saber das novidades. A primeira pergunta, claro que foi sobre comida. É a obsessão dela, não gastronomicamente falando, mas naquelas de “tem que comer feijão”, “você ta magro”, “tenho que fazer o almoço”. Minha tia é do tempo em que só se comia em casa, em que restaurante era coisa de rico – e olhe lá. Então ela começa:
“Tem feijão todo dia, lá?”
“Tem de tudo todo dia”
“E quantas pessoas almoçam lá?”
“Umas quatro mil…”
“Tudo isso na casa da mulher!?!?”
Eu já havia falado mil vezes que estava na casa de um amigo, mas ela achava que eu estava
num pensionato (nunca disse essa palavra na frente dela); eu falei mil e quinhentas vezes que almoçava e jantava na empresa, mas ela achava que tinha uma vovozinha, como ela, esquentando a barriga num fogão velho, fazendo comida para um monte de marmanjos, eu incluso. Minha tia (tia-avó), apesar dos 84 anos, é totalmente lúcida; só não entra em sua cabeça o fato de que alguns jovens moram sozinhos e que comem no mesmo lugar onde trabalham.
Para os amigos que me ligam, me mandam mensagens no MSN, e-mails e scraps querendo saber da minha vida paulistana, aviso que está sendo bem agradável. No primeiro dia lá arrumei uma morada para até o fim do mês; com meia hora de percurso, em apenas um ônibus, chego no trabalho; entro às 11h – acordo sem (muito) sono, tomo banho, café e ainda chego adiantado; ao chegar do trampo, fico assistindo The History Channel, às vezes acompanhado de uma Heineken, até a hora de tomar banho e dormir.
Mas o melhor é que o trabalho não me exige mais do que eu posso dar; as pessoas com quem trabalho são descontraídas, dão risada comigo; eu sei o que fazer mesmo que não mandem e não tenho deadlines apertados. Tudo muito diferente da minha experiência anterior – credo, me arrepio quando lembro.
E não se preocupe com o futuro deste blog: enquanto eu tiver histórias para contar, elas estarão aqui. Mesmo que apenas a cada fim-de-semana que eu volte para Campinas.
Aquel’abraço.