E o Dia do Blogueiro Desconhecido? Hunf! Não queria mesmo…

31 Agosto 2007

A blogosfera está em polvorosa com o tal Dia do Blogueiro. Como o meu blog faz parte de uma categoria não muito popular, aquela de gente que fala da vida, neocronistas ou chame do que quiser, não farei aquela lista dos cinco blogs que você não pode deixar de ler. Muita gente já os lincou neste exato momento. Em homenagem ao underground da blogosfera, listo três – não cinco, hunf! - não muito conhecidos e que eu curto bragarai.

1) Naramig – Não tente entender o nome. Aqui você pode baixar os álbuns que estão bombando, saber das novidades da música e, o principal, ler as opiniões no estilo direto, chute no estômago, do Léo (meu amigo, tá?). Não perca a série de posts sobre o Pan.

2) PlayGround – Casos, muitos casos essa baiana conta. Exilada assim como eu, porém num lugar de praias mais belas, Essa Menina, como a chamo, numa típica expressão baiana, consegue escrever com um sotaque que me mata de saudades da Terrinha. Mulher sem frescuras.

3) Paraíso Surreal – Não perca os episódios da novela da vida de Silvia Carrasco Braga – quem é noveleiro sabe a inspiração do nome. Outra baiana toda jogada, que não hesita em contar suas aventuras, mesmo que sejam daquelas que as meninas normalmente não contam.

* * *

PS: Ok, não posso deixar de citar: Bruno, Jão, Pedrão.. (Embora, à essa altura, o do Bruno já deva fazer parte do mainstream)


A São Paulo do Jão

31 Agosto 2007

Provavelmente o leitor já não aguenta mais eu escrevendo sobre São Paulo o tempo todo. Mas é preciso falar de um intérprete da cidade. O Jão.  Ele é um dos grandes amigos da faculdade. Há muito flerta com São Paulo. Morou por aqui na infância e parte da adolescência. Agora ele está de volta, curtindo diariamente o que antes era só nos fins-de-semana. Claro, nem tudo.

Contemplem o metrô Belém às 7 da manhã, onde a massa enfurecida de pessoas amontoadas faz um show do Ratos de Porão parecer uma noite de valsa. Aproveite, sinta o calor humano das 11.016.703 pessoas estrategicamente colocadas como peças de Tetris em um pequeno vagão. Se segure onde puder, pois a cada estação, é um tsunami humano! Sinta o prazer de levar cotoveladas, cutucões, socos, pisões… e o pior: o bafo no cangote. O pior é sempre o bafo no cangote.

O Jão é melhor indicado do que eu para falar desta metrópole. Por isso, aproveite que hoje é sexta, e confira pessoalmente este roteiro único da terra da garoa, túmulo do samba, mais possível novo quilombo de Zumbi.


O glorioso instrumento theremin

29 Agosto 2007

O Phelipe já deve ter dado isso. Se até um blog mofado do G1 – mofado antes de ser assumido pelo MrManson, justiça seja feita – já deu… Mas, como sou o blogueiro menos antenado de toda blogosfera, só agora eu vi. Trata-se de uma versão de Crazy, música do Gnarls Barkley, tocada no glorioso instrumento… theremin. Como assim, nunca ouviu falar do theremin? Saiba que é o primeiro instrumento eletrônico do mundo, criado em 1919 pelo físico russo Léon Theremin (espere até eu criar o Julião, a primeira air guitar a fazer som). Aliás, o theremin tem um conceito parecido com o da air guitar: o músico sequer encosta nele para tocar. Não entendeu? Digitei, digitei e nada falei. Assista ao vídeo.

Procurei uma versão do tema do Super Mario Bros. tocada num theremin, mas, infelizmente, ainda não subiram nenhum vídeo dessa que seria uma orgiástica execução instrumental para mim. Porém, é possível encontrar muitos vídeos desse instrumento no YouTube.

* * *

PS: Se não entendeu minha estranha busca pela música do Super Mario, meu game favorito, é porque não assistiu às versões em violão clássico, piano (minhas favoritas), guitarra(s) e baixo do tema mais bacana da gamelandia. Os melhores vídeos estão devidamente favoritados.


…mas o baiano-blogueiro continua o mesmo

27 Agosto 2007

É, você já viu. Os causos aqui publicados não são mais de um baiano em Campinas, mas em São Paulo. O interior paulista agora é só mais uma das minhas casas, onde está boa parte dos meus amigos e de minhas lembranças. Veja se não tenho sorte: em Campinas ou Porto Seguro, sempre terei um quarto e uma cama me esperando. Não tenho a minha casa na capital paulista, mas isso é questão de tempo, espero. Parece até que já achei um roomate!

Estou estranhando o novo nome do blog, mas por uma questão puramente estética. Sei lá, ficou menor… Já fui lincado algumas vezes como Um baiano em Campinas, mas quando escolhi o endereço, pus apenas baiano.wordpress.com justamente para o caso de uma mudança que eu ansiava. Aqui nada muda (claro, quero atualizar mais, mas ainda não tenho um PC em Sampa). A essência continua.


Uma bella refeição

25 Agosto 2007

Balada guerreira, primeira garota da festa tem ligações sanguíneas com Porto Seguro, segurança truculento, coroas, mulheres jovens, tretas, loiraças, morenaças, fumaça, axé, dores no corpo amanhã, negras lindas, água mineral, cerveja, funk, banheiro, polícia, Big Moma’s House, Acacia Avenue brasileira… São Paulo.

A noite foi bem agitada, mas nem assim o seu todo é tão digno de registro quanto o seu fim. Sozinho, na Avenida Paulista, às quatro da manhã, meu estômago ronca e nem penso em outro lugar para ir: Bella Paulista. Trata-se de uma padaria/confeitaria/lanchonete/ restaurante – chame como quiser – no coração de Sampa. Para ter uma idéia da popularidade, àquela hora o lugar estava lotado.

Bella Paulista

Até então eu só havia comido a pizza do lugar – aprovada. Queria experimentar os sanduíches. Hambúrguer, nem pensar. Vou nos especiais. Peço um Santo Amaro: salsicha alemã grelhada coberta de queijo, com vinagrete e mostarda esqueci-o-nome na baguete. Só quando chegou a belezura me lembrei do aviso que uma amiga havia dado outro dia: o lanche é enorme. Vem cortado em três pedaços, cada um equivalente a um sanduíche normal.

Não foi por desapreço que não comi os três, pelo contrário. Refeição soberba, para dizer o mínimo. Esqueça as sadias, perdigões e pif pafs da vida. Não há paralelos entre elas e a salsicha alemã. Só comendo para saber como é. O vinagrete dá aquele tcham e a mostarda faz o “acabamento” perfeito.

E eu nem falei do pão… Ai, o pão… Era macio, leve, tinha uma casquinha crocante, mas bem fininha, fininha mesmo, como a de algo que eu já comi, mas não me lembro o que é. Não se parecia com nenhum pão que eu havia comido, nem com o do Subway. Ah, o ketchup é Heinze, America’s Favorite. Esqueça os cicas e hellmans da vida.

O segundo pedaço eu comi por pura gula/respeito. Um só é o suficiente para uma pessoa que come pouco. Os três dão perfeitamente para duas pessoas. Eu não podia deixar que jogassem fora aquele terceiro pedaço. Mesmo tendo escolhido o mais “barato” dentre os especiais (R$ 12!), eu tinha de aproveitá-lo inteiramente.

Mandei embrulhar. Chegou uma caixinha personalizada da Bella. Naquela madrugada, eu faria alguém feliz. Quase na esquina com a Consolação, eu encontrei o sortudo: o primeiro mendigo que vi, dormindo na porta de um estabelecimento comercial, ganhou um sanduíche delicioso. Pus a caixinha ao seu lado e fui embora. Não me importei dele estar dormindo e não poder me agradecer: sei que, quando acordou, abençoou a mim e à minha família até a décima geração.

Eu não ia levar para comer depois. Quando quiser, vou lá e compro outro. Quem sabe não transformo o ato de doar o terceiro pedaço (intocado, vale destacar) num hábito, num ritual. São Paulo tem me dado muitas coisas boas e quero retribuir. Juro que queria fazer mais por essa gente que dorme ao relento (eu nunca vi tanto mendigo na minha vida). Por enquanto, posso proporcionar a um pobre coitado uma bella refeição, pelo menos uma vez na sua vida.


“Mãe, ficou limpo?”

24 Agosto 2007

Eu faço tanta divulgação, e a Conrad não me manda nem um Medo e Delírio


Amazing!

17 Agosto 2007

Virtual Barber Shop: feche os olhos e ouça com fones de ouvido (os dois lados funcionando, por favor) .


Luto

15 Agosto 2007

Jornalista e escritor Joel Silveira morre aos 88 anos no Rio

Tasso Marcelo/AE

O escritor e jornalista Joel Silveira morreu hoje aos 88 anos no Rio de Janeiro. Ele estava em casa e sofria de câncer de próstata.

Silveira estava doente há muitos anos. Nas últimas semanas, apresentou uma anemia profunda, piorando o quadro. Segundo sua filha Elisabeth Silveira, 61, ele morreu dormindo, às 8h.

“Ele tinha um tumor há muitos anos e não quis fazer nenhum tratamento”, afirma ela. “Mas morreu em paz, como merecia.”

+ Leia a matéria completa.

* * *

O melhor texto de Joel, na minha opinião:

Grã-finos em São Paulo

Durante uma semana, fiquei atordoado com a vida elegante de São Paulo. Haviam me levado para algumas festas; primeiro um aperitivo, colorido e com pedaços de fruta dentro, depois uma carreira rápida de automóvel. Estive em jantares fascinantes. As mulheres, muito belas e perfumadas. Particularmente aquelas que puxam os cabelos para cima, num jeito que abandona aos nossos olhos as lindas nucas nuas.

Durante uma tarde inteira, fiquei semideitado numa poltrona de um apartamento chique, no Centro da cidade. O dono era um rapaz que eu não conhecia e que possivelmente talvez ainda não saiba quem sou e o que fui lá fazer. Fui de mistura com outros, como penetra. Os rapazes se vestem muito bem e telefonam. Telefonam de cinco em cinco minutos e conversam com Lili, com Fifi, com Lelé. Recebem também telefonemas de Fifi, de Lili e de Lelé. Conversei longamente com um rapaz, inteligente e vivo, que eu conhecera de caminhadas pela Lapa e discussões de madrugada, aqui no Rio de Janeiro. Está irreconhecível. Fez roupas novas (o feitio de cada, me garantiu, não custa menos de um conto e duzentos), adquiriu novos hábitos. Um dos hábitos: conversar sobre os feitos da noite anterior na pista do Jequiti.

São Paulo sempre teve seu mundo de luxo, um mundo essencialmente grã-fino. É coisa que acontece com todas as cidades que enriquecem. A riqueza paulista, é sabido, vem de suas fábricas. Agora as fábricas estão trabalhando ainda mais, porque a guerra é exigente. Dia e noite, os motores não param. Há uma turma de operários que passa o dia inteiro diante dos motores. Quando chega a noite, a turma vai embora, muito cansada, e chega outra que se cansará até de madrugada.

A ópera

Então, as cifras vão crescendo. A gente lê os relatórios, tão frios, conversa com homens ricos, olha para as vitrines onde as peles e os brilhantes são cada vez mais caros – e tudo isso nos está dizendo que São Paulo está cada vez mais rico. As mulheres compram as peles, compram os brilhantes, os homens jogam na Bolsa pequenas fortunas, jogam no Automóvel Club o dinheiro que ganharam hoje, que ganharão amanhã.

O dinheiro torna tudo belo: o mundo elegante de São Paulo, neste ano de 1943, está num dos seus momentos de maior esplendor. Há uma atmosfera de conforto em tudo: as mulheres, como as orquídeas que nascem de dezenas de enxertos, não poderão ser mais requintadas e preciosas. É como se fosse uma apoteose. Nas óperas a gente vê coisas mais ou menos semelhantes: o libreto vai, vai e, perto do fim, tudo se torna grande e maravilhoso. Depois a ópera acaba.

+ Leia o texto completo.


Bola de pêlos

3 Agosto 2007

Prólogo

Ele me encara com seus olhos remelentos. Um olhar de curiosidade – ou seria de desprezo? Levanto o dedo médio e faço uma cara de repúdio, mas ele nem se move. Faço um movimento brusco, para ver se sai correndo, mas o danado é esperto, não se espanta tão fácil. Seu corpo gorducho coberto de pêlos compridos me enoja. Mas o pior é que este é só um deles: há nove gatos nesta casa!

* * *

Sei que a demora incomoda (a mim, pelo menos), mas, agora que virei um peão do jornalismo esportivo por celular (!!), fica difícil continuar encarando um publicador, um teclado e um mouse depois de um cansativo dia de torpedos informativos. Quando termino, tomo minha sopinha e vou me arrastando para a casa de dona Juracy e seus nove gatos – chamemos assim essa bondosa senhora.

Como o “roomate” do Kaio, o dono de uma uma alma bondosa e um aconchegante apartamento, voltou para ocupar o posto que lhe é de direito, tive de sair. Por indicação do mesmo, parti para o apartamento de dona Juracy. Já tinha me acostumado a conviver com gatos – no meu lar campineiro são duas –, mas passar algumas horas no mesmo ambiente de nove felinos me remontou a nojos ancestrais.

Para o leitor ter uma idéia da quantidade, a porta do banheiro fica em frente à porta do meu quarto. Cada vez que vou de um para o outro, vejo gatos diferentes. Hoje pela manhã, vi um que nunca tinha visto desde que cheguei… na segunda-feira! Mas vou levando. Mantenho a boca e o quarto fechados, para evitar a ingestão de pêlos, e só freqüento outros cômodos em caso de extrema necessidade.

Mais notícias, depois da próxima rodada do Brasileirão.

* * *

Realidade Reloaded

E não é que procurando um restaurante honesto – fracassei: comi o pior PF de São Paulo, quiçá do sudeste brasileiro – me deparo com a edição número um da Brasileiros – Revista Mensal de Reportagens? O que me chocou foi o projeto gráfico: horrível! Vermelho com amarelo! Combinação pior, nunca tinha visto. Mas tem uma matéria sobre Gay Talese – uma forma deles explicarem o tipo de texto que a revista pretende publicar; um ensaio do J.R. Duran; uma reportagem do Ricardo Kotscho (sócio da empreitada), outra com direito a pesquisa do IBOPE sobre preconceito racial (puseram Lázaro Ramos na capa, mas é preciso muito esforço para reconhecê-lo)… Meus votos de um futuro promissor.