Pisando em ovos
26 Fevereiro 2008
É, voltei. Mas não se anime tanto. Ainda estou passando por um período sabático. Ando questionando muito a função de um blog como este. Na verdade, já sei: nenhuma. Nenhuma para todos que não sejam o próprio autor. O mais sensato, portanto, seria implodir isso aqui.
Pensei bastante na possibilidade. Juro. Mas quero dar uma chance – às duas pessoas que pediram para continuar, a mim mesmo como escriba (porque já rejeito o rótulo de blogueiro). A gota d’água foram os “blogueiros” presentes na Campus Party. Foi uma experiência profissional ótima – fazer um blog atualizado várias vezes ao dia – e também uma boa oportunidade de rever a função destes sites/cidadãos.
Mais do que nunca acredito que blogs são ótimas FERRAMENTAS, mas não devem ser usados como MENSAGEM. É um sentido antimcluhan: o meio não é a mensagem. “Blogar” por “blogar”, para falar de outros blogs, no way.
Tem muito blogueiro se achando a vanguarda – do jornalismo, da opinião, da sabedoria. A maioria, no entanto, são comentadores. Isso não seria mau se eles se pusessem em seus lugares. Mas teve um cidadão que teve a pachorra de dizer que quer “competir” com Paulo Francis, Veríssimo, Ancelmo Góis… Faça-me o favor.
E o “manifesto” do cidadão é apenas parte de seu discurso. Na Campus Party, o cara falava como se fosse um coitadinho, um injustiçado pela “velha mídia”, um “sou uma puta fonte de informação e ninguém me dá o devido valor”… Patético.
Ando repensando muito a razão disto estar no ar. Mas ao menos sei que, pior do que blog de comentador, é blogueiro que se acha importante. Os caras querem comparar a importância deles com a de autores de blogs que conseguem convocar um debate de presidenciáveis democratas nos EUA!
* * *
Bom, mas chega de tomar seu tempo. Sabe aquele relato do carnaval no Rio? Está guardado, pode ser que apareça por aqui. Meu companheiro de viagem foi meu maior incentivador de que não é preciso/saudável transformar uma experiência em discurso, pois ela fica reduzida a discurso. Agora ele pede que eu publique nossa aventura nestas páginas… Talvez porque, depois de um longo tempo de reflexão (e uma balada bem introspectiva), cheguei à conclusão de que o discurso é parte da experiência. A experiência só é boa ou ruim porque foi relatada, compartilhada.
E é por isso que este blog sobreviveu a essa turbulência que tomou conta da minha cabeça nas últimas semanas. Tenho ainda muitas idéias aqui na mente, mas preciso avaliar até que ponto elas são relevantes para merecer compartilhamento (espalhar mais lixo pela rede é um crime). Escrever para os outros é pisar em ovos.
Palestras sobre blogs estão me mostrando algo cruel:
12 Fevereiro 2008que eu continuo fazendo tudo errado em relação a este blog. Por isso escrevi no outro o definitivo Manual de auto-ajuda do blogueiro iniciante (ou em crise).
Comentem aqui se não puderem lá (é um… pouquinho mais simples)
Estou no Campus Party Brasil, me procure por lá
11 Fevereiro 2008Seguinte, negada:
Ainda (ainda!) devo aquele post sobre o Rio de Janeiro, mas ainda (ainda!) não será agora. A razão, desta vez existe: estou cobrindo o Campus Party Brasil, o maior evento de internet (e uma caralhada de coisas relacionadas ao mundo geek) do mundo. É a primeira vez que o evento acontece fora da Espanha (foram 11 edições lá). Ou seja: é foda.
Me acompanhe nesta semana por aqui (favorita aí). E toma aí o link por extenso, é bem curtinho e sei que vai decorar e falar para os seus amigos.
Concurso
9 Dezembro 2007Tenha cuidado com um webdesigner, principamente se o senso de humor dele for apurado. Nunca peça um serviço grátis, um “favor” para um webdesigner. Nunca. Aprendi isso da pior maneira posível. Pedi para o Marcão, que trabalha ao meu lado, fazer um topo para o meu blog (tinha a impresão de tê-lo ouvido oferecer o serviço antes, agora vejo que foi uma armadilha). Passei todo um briefing sobre o que eu queria. Olha o que ele me manda:
Clique para ver em tamanho original
(O “J” no chapéu é por causa do meu sobrenome, pelo qual sou chamado na “firma”. ) Mas não desisti de tornar este blog mais bonito. Quem mandar um topo com as dimensões 750 x 140 pixels ganha uma banner (vai ter que fazer também) aí na barra lateral (não muito grande, né…) ou o link com destaque. O “briefing” é esse: praia, São Paulo, baiano… Use sua criatividade… E bom senso.
Na página 161 (ou qualquer outra)
17 Novembro 2007
“A praça da grelha é o inferno. Você fica cinco minutos e pensa: era isto que Dante tinha em mente. É um canto escuro e quente – mais quente do que qualquer outro ponto da cozinha; mais quente do qualquer outro lugar em sua vida.”
Eis o inicio do capítulo 9, página 111, de Calor – Aventuras de um cozinheiro amador como escravo da cozinha de um restaurante famoso, fazedor de macarrão e aprendiz de açougueiro na Toscana, de Bill Buford. O Léo me passou a brincadeira de abrir o livro mais próximo na página 161 (ou qualquer outra) e transcrever a quinta frase (ou qualquer outra) no respectivo blog.
Quem passou para ele tinha recebido do Carlos Moura, que o Léo não conhece, mas eu conheço – veja só. E quando vou no blog do Carlos, adivinha a quem ele passa? Este mesmo que vos escreve. Foi mal, andei ausente de todos os blogs ultimamente. Nada como uma correntizinha blogueira para quebrar o gelo.
Agora tenho de passar para outros blogueiros que leiam meu blog – seria mais fácil se o Léo não tivesse passado para algumas das minhas escolhas mais óbvias. Embora já tenha participado de brincadeira muito semelhante, passo a bola para Bruno, Stress Girl e Silvia. Pedro, Valéria, Camila, Carol, Mafê, Rapha, Hugo, Verena e quem mais quiser participar podem escrever nos comentários – eu deixo.
Dois bons livros e um blog em crise
28 Outubro 2007O que eu gosto mesmo é de ler. E já que é para escrever, queria escrever mais sobre livros. Mas estou lendo bem menos do que gostaria. Fico um mês ou mais em apenas um livro (não vê quanto tempo faz que este está aí ao lado?). As duas ou três pessoas que acompanham este blog há algum tempo podem contestar: “Peraí, quando você era um universitário vagabundo que passava as tardes de barriga pra cima, lendo três, quatro livros por mês, não escrevia sobre suas leituras”. Realmente. Sempre que termino um livro fico escrevendo mentalmente o que publicarei no blog, mas vou adiando, adiando, até que deixo pra lá.
Hoje, que estou em Campinas, pude realizar um ritual que sempre fazia: ter uma idéia, tomar um banho, me sentar em frente ao computador e passar uma, duas ou mais horas escrevendo um texto. Sinto saudades disso, mesmo sabendo (sem querer acreditar) que não vai trazer mais visitas ao blog (e ficar postando vídeos do YouTube traz? Este blog vive uma crise de identidade nunca dantes vista). Também atualizei a lista dos recomendados aí em cima, tem até uma “nova” categoria.
Quando recebi o primeiro ou segundo salário, lá por agosto, fui na livraria da “firma” e comprei logo três livros. Passou-se esse tempo todo e ainda estou lendo um deles: Calor, de Bill Buford. Ainda estou no começo, mas a escrita do colaborador da New Yorker prova mais uma vez que o Jornalismo Gonzo existe, sim, e é muito bom! Não vou entrar no mérito do ser ou não ser Gonzo agora, já que discorri sobre isso à exaustão.
O que li de cabo a rabo recentemente:
Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunter Thompson. Embora soe esquisito eu só ler agora o livro que é, de certa forma, fundador do Jornalismo Gonzo, sobre o qual escrevi um livro, mantenho tudo que está no meu estudo. Quem assistiu ao filme de Terry Gillian pode ficar tranqüilo, pois a adaptação foi excelente. O livro demorou a voltar em uma edição em português, mas, em compensação, veio traduzido por quem entende do riscado: Daniel Pellizzari, o Mojo, membro da turma do Cardoso, sobre o qual já falei bastante por aqui também. Medo e Delírio… é uma narrativa engraçadíssima, com um texto muito bem cuidado (esqueça aquele papo de escrita automática, puro charme do Thompson). Definitivamente, o melhor do autor.
Mãos de cavalo, de Daniel Galera. Olha a coincidência: mais um amigo do Cardoso. Eu precisava ler o livro de que se falou tanto ultimamente. Já gostava do falecido blog do Galera, acompanhava as críticas e ainda não tinha lido o tal livro do cara que migrou da internet para o romance. Ainda não é a grande obra do autor, e é justamente por isso, creio eu, que Galera é tão aclamado. Ele ainda vai escrever livros excelentes. Por enquanto, nos dá uma narrativa bem costurada, bem cuidada e geracional, como dizem alguns: o primeiro a escrever sobre coisas que autores mais velhos não poderiam falar, pois não as viveram. Me agradou mais por ter lembrado muito minha infância, minhas corridas de bicicleta, minhas quedas… Coisa muito boa está por vir.
Pulp Fiction fuck version
24 Outubro 2007
Copiei do blog do Jão, assumo. Ele é o verdadeiro garimpeiro do YouTube. Confira todos os “fucks” de Pulp Fiction. Se ainda não assistiu ao filme (você ainda existe?)… Bom, já falei disso antes…
Escrito por André Julião
Escrito por André Julião
Escrito por André Julião 


