Sob a égide do rocambolesco

31 agosto 2006

Minha avó já dizia:
“Se uma idéia não sai da tua cabeça, não deixe que ela te devore: ponha ela para fora.”
Ta bom. Minha avó nunca disse nada sequer parecido com isso. Mas é que esse negócio de necessidade fisiológica de escrever é mais sério do que vocês pensam. Seus dedos se mexem involuntariamente pedindo um teclado; você fica prolixo no MSN; responde a um simples “Oiiii” com um “Olá, enfermeira!”.

Se o cara tem um blog, então… Sai de baixo. Mas se até mesmo a imprensa tradicional está cheia de caras que, num ataque de verborréia, saem borrando toda a página (seja ela de jornal, revista ou da web), por que os bloguistas, estes seres de escrita muitas vezes inclassificável, não podem? Tem gente aí que consegue pagar aluguel de apartamento em Ipanema só escrevendo um monte de bobeiras em revistas semanais ou em jornalões.

Eu prefiro fazer a “escrita espontânea” a verborrar meu blog. Quando leio uns caras que escrevem compulsivamente, por necessidade fisiológica (e não para ganhar dinheiro), fico meio fanático, meio obsessivo, meio imitão. Já verborrei em outros tempos, mas agora me policio. Sigo um padrão de bom senso. Uso alguma referência como isso aqui:

E, sim, por algum motivo havia me afeiçoado sobremaneira à palavra ÉGIDE e outros clichês mezzo-cultos fudidos pra caralho. Mas acho interessante conservar o texto original, porque até o ROCAMBOLESCO da linguagem é parte da aplicação prática das técnicas que eu mesmo defendo. A repetição admoestante de conceitos, o francesismo much gay do século XIX e as obtemperações por demais esmiúçadas ajudam a criar a atmosfera de caricatura de mundo acadêmico, soltando, portanto, a pitada de ironia necessária ao mais pleno exercício do GONZO, coisa que, a princípio, seria retoricamente impossível dentro da ACADEMIA

Isso aí é coisa do Cardoso. Acreditem: dentro do contexto faz todo sentido. É uma puta! justificativa para o texto que segue esta fusão de palavrões, expressões estrangeiras e termos demasiadamente formais. Queria saber como está o texto dele agora, mas não há mais nada inédito do cara rolando na rede. Ele deixou seus dois (!) blogs e hoje só existem alfarrábios.

Sem mais delongas, meu objetivo aqui foi discorrer sobre as miríades de termos pseudo-eruditos que povoam os grotões paraliterários… Não! Eu só quis satisfazer uma necessidade insana de escrever coisas ROCAMBOLESCAS. Um texto totalmente influenciado, sem muita revisão e sem o medo de queimar meu filme – aquela velha paranóia de que um leitor desavisado vai achar que eu sempre escrevo desta forma prolixa e nunca mais voltará ao meu blog já tão carente de visitantes cativos.

Até um próximo texto, talvez mais NORMAL.

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Meu novo projeto de vida

28 agosto 2006

Eu não tinha muitos objetivos quando comecei a escrever. Saciar uma fome, satisfazer uma necessidade fisiológica, nada mais do que isso. Com o tempo vi que poderia usar esse “dom” para viver feliz. Ou seja: fazer do meu “hobby” meu sustento. Ainda não consegui muita coisa com a escrita. Massageio meu ego, satisfaço a tal necessidade física e psicológica… Como um vício, mesmo. Isso eu consigo. Alguns elogios, alguns amigos… (É, eu consegui uns amigos. Não tinha me dado conta disso.) Mas nem em meus mais loucos devaneios, nem mesmo no degrau mais alto do pódio de ultrautopias, eu imaginei conseguir com a escrita o que o namorado dessa menina conseguiu.

E agora, este é o grande objetivo da minha vida!


A notícia do ano

27 agosto 2006

Revista Piauí é lançada na Flip e circula em outubro

PARATY, Rio – Uma revista sem editorial ou colunistas, em que a informação vem antes do comentário e preserve a independência ideológica de seus autores parece algo utópico como um quartel sem hierarquia. Mas é justamente o projeto da revista Piauí, lançada na Flip pelo cineasta João Moreira Salles e o editor Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. O primeiro número deve sair em outubro, mas já provoca curiosidade pelo time envolvido, escritores estrangeiros como o argentino Tomás Eloy Martinez e o inglês Martin Amis, cineastas como Eduardo Escorel e Eduardo Coutinho, médico e ex-detetive autores (Oliver Sacks e Rubem Fonseca, respectivamente), além de jornalistas veteranos como Ivan Lessa, ao lado de críticos da novíssima geração, entre eles Cassiano Machado. Todos comandados anarquicamente por Marcos Sá Corrêa.

Concebida por Moreira Salles, diretor da Videofilmes, que banca a revista em sociedade com a editora de Schwarcz, Piauí não pretende ser uma reedição de revistas como “Realidade” e “Senhor”, dois títulos marcantes dos anos 1960 e caracterizados pela ousadia temática e gráfica. No formato do “New York Review of Books”, ela será mensal, com uma tiragem de 40 mil exemplares. Pelo título escolhido, a revista chega já para provocar o leitor a partir do enigmático Piauí. Será uma referência jocosa a um dos Estados mais pobres do Brasil? Metáfora de um país desconhecido até mesmo por seus habitantes? Alegoria do indiferenciado, território em que cabem tudo e todos? Não. Apenas um nome escolhido ao acaso e rico em vogais, observa o cineasta João Moreira Salles. Apesar dos nomes envolvidos, Piauí não será uma revista de cultura, mas de reportagem, gênero que parece marcar cada vez menos presença na grande imprensa. O diretor de “Notícias de Uma Guerra Particular” e, mais recentemente, do documentário “Entreatos”, sobre a campanha política que levou Lula ao poder, diz que aprendeu com eles que não há grandes ou pequenos temas, “mas histórias boas e histórias mal contadas”. Com o elenco de colaboradores de Piauí, ele certamente não corre riscos. Tomás Eloy Martinez, que começou sua carreira como jornalista, é autor do melhor perfil de Evita Perón que alguém jamais sonhou escrever. Como disse Oscar Wilde, o único dever que temos com a história é reescrevê-la e Eloy Martinez tem sido um aluno muito aplicado na destruição de mitos construídos por ela.

Para Marcos Sá Corrêa, o cruzamento entre narrativa ficcional e jornalismo deve enriquecer ainda mais Piauí. “O que define a história é a articulação de todos os elementos dentro de um texto”, observa o editor, reforçando a frase de Wilde.

O Carlos completa que, vendida em bancas por R$ 7,90, a revista terá ainda como colaboradores (não haverá colunistas fixos) nomes como Danuza Leão, Daniel Galera, Luiz Schwarcz, Martin Amis, Angeli, Ricardo Calil, Eduardo Coutinho, entre outros. A notícia é do dia 14, mas seus efeitos ressoarão em mim por muito tempo, ainda.

(Pulos de alegria)


O estranho mundo do sexo sobre rodas

24 agosto 2006

Estagiários de jornais de médio porte às vezes fazem alguma coisa além de tomar café, água e ir ao banheiro. Por isso que, dia desses, eu visitei um lugar estranho ao meu mundinho comportado de universitário sem grana. 

Cansados de ficar pela redação lendo jornal e ouvindo conversas alheias, eu e meu companheiro de tristeza fomos para a saída do recinto. É pelo fumódromo que os repórteres saem para realizar suas empreitadas jornalísticas.  

Como nenhum repórter simplesmente chama um estagiário para acompanhá-lo – “Vamos lá, rapaz, minha rotina é tranqüila demais e eu preciso de alguém me fazendo perguntas idiotas e constrangendo minhas fontes” –, ficamos a postos, esperando uma vítima desprevenida. 

De repente, surge um deles. “Ah, nem sei se vai dar matéria…” Perdeu, preibói, nós vamos! Apertados na viatura sem identificação – a paranóia PCC chegou aqui – seguimos pelas ruas de Campinas até achar a primeira fonte. Depois de nos desvencilharmos do homem que não parava de falar, fomos realizar a segunda pauta. 

E aí sim, meus amigos, eu ganhei o dia. 

Um empresário da cidade havia acabado de comprar um super carro e isso era pauta para o caderno de automóveis. Trabalhador que é, o homem teria que nos receber em sua empresa: um drive in! Mas não um qualquer. 

O motorista avisou logo: “Eu não vou entrar, aí! Um carro cheio de homem entrando num drive in!” O fotógrafo não perdoou: “A gente fala que vai comer a bunda do motorista!” O portão do local chegou a se abrir, mas nosso condutor não arredou os pneus. 

Entramos – sem o motorista – curiosos naquele estranho paraíso do sexo sobre rodas. O dono do empreendimento veio nos receber. Chamaremos o empresário de Betinho. Camisa meio aberta, cabelos cacheados pedindo tesoura, óculos escuros na testa, calça jeans e bota preta de couro. “Opa! Tudo bom? Betinho, prazer, prazer”. Prazer… 

Até então eu achava que o drive in consistia simplesmente em um monte de garagens onde os casais estacionavam e sujavam seus automóveis de fluidos humanos. É que eu ainda não conhecia a mente pervertida (ou seria empreendedora?) de Betinho.  Mal entramos e ele nos avisa: “Entra aqui que tem um cliente saindo”. Eram cerca de três da tarde. Traindo a mulher, certeza… 

Betinho aproveitou para mostrar o box diferente. Além da garagem, há um espaço com um pufe – aquela almofada gigante –, som e TV com filme pornô. Só depois que peguei na cortina para ver melhor ele avisou: “o cara acabou de sair daqui”. Blergh! Passei a mão na primeira manga de camisa que vi pela frente. Credo. 

Saindo do box, ele foi nos mostrando os outros tipos, para diferentes bolsos. Aquele que vimos era R$ 10 reais durante a semana e 12 nos sábados e domingos. O mais simples era R$ 5 ou R$ 7, também dependendo do dia. O executivo era R$ 14 ou 16. Este último tinha, além do pacote pufe, som e TV, um banheiro. “Fim de semana passado foram mais de 200 carros aqui, dos de sete reais saía um e já entrava outro” – dizia, com um sorriso sacana estampado no rosto – “fez fila aí fora, esperando”. 

Nos fundos do local, Betinho estava materializando sua mais recente perversão: o box swing. “São dois, separados por uma divisória de vidro. Fica um casal vendo o outro”. Ele mesmo diz, com engraçado sotaque do interior: “Tem que ser meio retairdado pra ter um negócio desse”. E com autoridade: “Eu fui o primeiro aqui em Campinas a fazer drive in com pufe.”  

O sexo mudou a vida desse homem. Ele começou vendendo cachorro quente. Depois, abriu uma lanchonete. Até descobrir a mina de ouro dos drive in. Hoje ele tem, além desse, mais dois em outras cidades da região. “Não tem cara que cuirte pó, maconha? Eu cuirto sexo!” 

Grato com a presença da imprensa, que ia mostrar seu carrão (quase um motel sobre rodas, de tão grande), ele presenteou cada um com um cartão que garante uma estada grátis no box executivo (só me falta a mulher e o carro). Lá fora, o motorista nos esperava, nervoso. “Que demora! Eu aqui dentro do carro sem identificação do jornal, na frente do drive in, passou um cara de moto, gritando: ‘Tá esperando a mulher, seu corno??’”


Quase um ano…

20 agosto 2006

Há pouco tempo, escrevi que uma das 10 coisas que tenho que fazer antes de morrer é entrevistar Zuenir Ventura pela segunda vez. A primeira foi no dia 29 de agosto do ano passado (impossível esquecer), quando ele deu uma palestra na minha faculdade. Desconfio que há, na entrevista a seguir, uma importante evidência sobre seu próximo livro. Somada ao fato de que sua coluna em NoMínimo está atrasando bastante ultimamente e, ainda, a algo que ele deixou escapar num texto recente.

‘O jornalista não veio para julgar, para condenar: é olhar e contar’

Sua “musa inspiradora” é a encomenda. Apesar do traço autoral muito forte em sua obra, Zuenir Ventura, 45 anos de jornalismo, fala sem problemas que escreve quando lhe mandam. E mais: que não gosta de escrever. Mas se explica: “gosto de ter escrito”. Normal para quem não pensava em ser jornalista e, já consagrado, não queria ser escritor. O acaso parece ser uma constante na vida de Zuenir. Por acaso virou jornalista, por acaso fotografou a calcinha de Jacqueline Kennedy, por acaso não morreu no lugar de Vladimir Herzog. Este último, seu grande amigo, dá nome a um dos prêmios de sua coleção. Os outros são o Prêmio Jabuti de Reportagem e o Prêmio Esso de Jornalismo, este por sua série de reportagens sobre a morte de Chico Mendes, que em 2003 foi editada no livro Chico Mendes: crime e castigo. Quando produzia essas reportagens, Zuenir fez, o que segundo ele, o jornalista não deve fazer: se envolver com a história. Acabou adotando a testemunha-chave do crime. Sobre este e outros personagens que passaram por sua vida, ele fala no seu mais recente livro, Minhas histórias dos outros. E sobre Jornalismo e Literatura ele fala também na entrevista a seguir.

No prefácio do 1968O ano que não terminou, o senhor fala do Truman Capote, de A sangue frio. No que te influenciou esse livro?
Legal! Perfeito! Exatamente: essa geração do Capote, depois o Tom Wolfe, Gay Talese, são escritores que criaram de alguma maneira o que se chama hoje de Jornalismo Literário. Ou seja: dar ao jornalismo, à reportagem, um status estético elevado, ou seja, de fazer da linguagem, que não chega a ser um romance, ou pode até ser um romance, mas um romance com a realidade. Esses escritores foram muito importantes para toda a geração da gente que faz esse tipo de jornalismo: Fernando Morais, Ruy Castro, Caco Barcelos. Eu digo que há uma dívida com Truman Capote, que não sei se é de estilo. Talvez seja de atitude, do cara que se volta para um acontecimento e faz daquilo um livro, como aquele crime. Foi realmente pioneiro.

Qual a sua opinião sobre esse tipo de literatura?
Hoje se fala em crise de leitura, os jornais realmente têm problema de baixa circulação, e os livros de reportagem estão todos aí na lista de best-sellers. Então, o leitor quer esse tipo de livro porque quer qualidade, que nem sempre encontra nos jornais, nem sempre por deficiência do repórter, mas por essa deficiência de tempo. É difícil fazer esse jornalismo de emergência, do dia-a-dia, dispensando a ele um cuidado, uma atenção que se dá a um livro. Na minha série sobre a morte de Chico Mendes, eu fui pro Acre e só fiz isso. Voltei pro Rio e escrevi oito matérias, tive tempo de fazer isso. O jornal me liberou de matéria. Se eu tivesse ido e tivesse que ficar mandando matéria todo dia, eu não faria, não teria essa qualidade. Então eu fiquei lá observando, não era interrompido, pude continuar seguindo um personagem, continuar a falar com ele, no outro dia voltava a falar, seguia uma pista, ia atrás, tinha tempo para isso. E só pude fazer porque tive condições de tempo e até de espaço para fazer isso. No jornalismo diário é difícil, com a correria da imprensa. O repórter diário faz três matérias por dia, então, como pode exigir que se façam três matérias geniais? Não é possível. Não porque ele não é capaz, mas pelas condições.

O senhor considera 1968 como Jornalismo Literário?
Eu acho que sim, dentro dessa classificação, o livro parece um romance, embora sem ficção. Uma das características do Jornalismo Literário é que você lança mão de alguns recursos literários – em termos de estrutura narrativa, procedimentos que você usa no romance – só que em vez de trabalhar com imaginação, você trabalha com os fatos. Eu não pus nenhum diálogo que não tivesse ocorrido. Só que a forma de apresentar isso pode ser feita como num romance, em vez de ser como entrevista, um pingue-pongue que o jornal faz. Quem lê, vendo os recursos literários, pode achar que você está fazendo literatura. Isso te dá essa possibilidade. Usar fatos, mas aproximar-se da narrativa literária.

Os primeiros livros o senhor escreveu sob encomenda?
O 1968 eu escrevi mandado pela minha mulher e meu editor, em 1987. Minha mulher sabia que eu me interessava muito por esse período, os anos 60, e encontrou o Sérgio Lacerda, filho do Carlos Lacerda, que trabalhou comigo quando jovem. E ele disse o seguinte: “Ano que vem vai fazer 20 anos desde 1968. Pô, o Zuenir, que é ligado nisso, tem que escrever um livro sobre”. Eu nunca pensei em escrever livro. E a Mary, minha mulher, chegou em casa e disse isso. Pensei que era fogo-de-palha, mas os dois começaram a me pressionar pra escrever, e eu disse: “Não posso! Estou trabalhando no Jornal do Brasil!”, e o Sérgio disse: “Eu te pago enquanto você estiver de licença”. Eu disse que o JB não me daria licença, mas o Marcos Sá Correia, meu editor, me deu. Então pensei “Porra, não tem jeito de não fazer”, e escrevi. Mas foi, assim, obrigado, uma tarefa que me deram. Mais do que encomenda, foi obrigação.

Não queria ser jornalista, não queria escrever esse livro e não gosta de escrever…
(Risos) Não é charme, não, é isso mesmo. Tem também aquilo que o Armando Nogueira diz e que eu cito muito: gosto de ter escrito. É legal quando dá certo. Tenho o maior carinho por esse livro, trato como filho, tenho orgulho. Mas enquanto estava escrevendo, pensava: “Ah, não quero mais isso. Não quero mais escrever. É o último que eu vou escrever”. É sempre essa luta, mas hoje já estou conformado.

Tem um próximo projeto em mente?
Olha, eu estou pensando num livro, conversei até com o Pascoal. Um livro que ele diz que a editora quer que seja de interesse do público latino-americano também. E ibérico, porque a Planeta é espanhola. Estou pensando em fazer alguma coisa… Eu estive uma vez em Foz do Iguaçu, ali na tríplice fronteira. É uma região meio explosiva, dizem que tem conexões… com o tráfico, com terrorismo, lendas também. Comentei hoje com o Pascoal, ele achou a idéia muito boa para um livro. Evidentemente, eu teria que ir pra lá, passar algum tempo. Eu gostaria de fazer esse livro.

A opinião da crítica influencia o seu trabalho?
Na verdade, não. Agora, você tem a crítica dos amigos. No Inveja tive boas críticas, que me ajudaram. Foram tantas… Do 1968, o Paulo Francis fez uma excelente crítica, a crítica que mais me tocou. Ele disse que tinha má vontade com o livro, achava que ia ser uma porcaria, dizia que as pessoas achavam que eu ia fazer em cima da perna. Mas ele disse uma coisa: que eu devia ter feito uma série, sobre 69, 70. Pegar os anos rebeldes e os anos de chumbo. Na época eu achei que não, e hoje eu vejo que ele tinha razão.

Uma frase sobre o Jornalismo…
O jornalista é a testemunha de seu tempo. É essa a nossa tarefa, é essa a nossa função. (O jornalista) não veio para julgar, pra condenar: é olhar e contar. Algo que deve ser encarado com humildade, porque é uma tarefa humilde. Agora, você às vezes é tentado a julgar, a ser mais, a ser personagem. Mas a essência do jornalista em sua tarefa é de testemunhar o seu tempo.

(Entrevista concedida a André Julião, Allan Biskier e Mateus Passos, publicada na edição de outubro de 2005 do jornal laboratório Página Aberta, da PUC-Campinas)


Me empresta uma roupa?

19 agosto 2006

…”tipo isopor”


ImprenÇa

17 agosto 2006

Hoje me lembrei de uma colaboração que fiz a Moacir Japiassu, dono da coluna “Jornal da ImprenÇa”, no portal Comunique-se. Ele relaciona, semanalmente, erros crassos dos jornais brasileiros. Não sabe como me honrou, em 2004, dando destaque ao meu e-mail.

Parto Doloroso

Moacir Japiassu

Nosso estimado leitor André Julião, que se atocaia neste blog, leu interessante matéria abrolhada no Correio Popular, prestigiado jornal de Campinas, sua cidade adotiva. O título esgoelava-se:

Garota de 14 anos dá a luz e joga bebê no telhado

O olho relanceava:

Especialista descarta depressão pós-parto

E o texto enrolava-se mais do que cordão umbilical em mãos inábeis:

“(…) Para o genicologista Almeida, o problema que se assentuou na garota pode ter sido uma questão cultural, pois, na visão dela, poderia não ser mais aceita em casa (…)”

Uma “questão cultural”, dizia o, com perdão da palavra, texto. Julião ficou penalizado, não somente pela situação da garota, coitada, mas também pelo redator da matéria:

“Não achei o verbo assentuar no dicionário; e genicologista eu nem me dei ao trabalho de verificar…”

Janistraquis comunga contigo nessa dor, ó André Julião; pelo que se vê, está cada dia mais difícil parir-se um bom texto nesta tão violentada imprensa.