Sob a égide do rocambolesco

Minha avó já dizia:
“Se uma idéia não sai da tua cabeça, não deixe que ela te devore: ponha ela para fora.”
Ta bom. Minha avó nunca disse nada sequer parecido com isso. Mas é que esse negócio de necessidade fisiológica de escrever é mais sério do que vocês pensam. Seus dedos se mexem involuntariamente pedindo um teclado; você fica prolixo no MSN; responde a um simples “Oiiii” com um “Olá, enfermeira!”.

Se o cara tem um blog, então… Sai de baixo. Mas se até mesmo a imprensa tradicional está cheia de caras que, num ataque de verborréia, saem borrando toda a página (seja ela de jornal, revista ou da web), por que os bloguistas, estes seres de escrita muitas vezes inclassificável, não podem? Tem gente aí que consegue pagar aluguel de apartamento em Ipanema só escrevendo um monte de bobeiras em revistas semanais ou em jornalões.

Eu prefiro fazer a “escrita espontânea” a verborrar meu blog. Quando leio uns caras que escrevem compulsivamente, por necessidade fisiológica (e não para ganhar dinheiro), fico meio fanático, meio obsessivo, meio imitão. Já verborrei em outros tempos, mas agora me policio. Sigo um padrão de bom senso. Uso alguma referência como isso aqui:

E, sim, por algum motivo havia me afeiçoado sobremaneira à palavra ÉGIDE e outros clichês mezzo-cultos fudidos pra caralho. Mas acho interessante conservar o texto original, porque até o ROCAMBOLESCO da linguagem é parte da aplicação prática das técnicas que eu mesmo defendo. A repetição admoestante de conceitos, o francesismo much gay do século XIX e as obtemperações por demais esmiúçadas ajudam a criar a atmosfera de caricatura de mundo acadêmico, soltando, portanto, a pitada de ironia necessária ao mais pleno exercício do GONZO, coisa que, a princípio, seria retoricamente impossível dentro da ACADEMIA

Isso aí é coisa do Cardoso. Acreditem: dentro do contexto faz todo sentido. É uma puta! justificativa para o texto que segue esta fusão de palavrões, expressões estrangeiras e termos demasiadamente formais. Queria saber como está o texto dele agora, mas não há mais nada inédito do cara rolando na rede. Ele deixou seus dois (!) blogs e hoje só existem alfarrábios.

Sem mais delongas, meu objetivo aqui foi discorrer sobre as miríades de termos pseudo-eruditos que povoam os grotões paraliterários… Não! Eu só quis satisfazer uma necessidade insana de escrever coisas ROCAMBOLESCAS. Um texto totalmente influenciado, sem muita revisão e sem o medo de queimar meu filme – aquela velha paranóia de que um leitor desavisado vai achar que eu sempre escrevo desta forma prolixa e nunca mais voltará ao meu blog já tão carente de visitantes cativos.

Até um próximo texto, talvez mais NORMAL.

Anúncios

One Response to Sob a égide do rocambolesco

  1. JW disse:

    vou cogitar a possibilidade de me mudar pra cá sim!
    depois olho tudo com calma. =)

    ah! lembre-me de mudar seu link lá nos meus favoritos! continua no antigo…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: