Encanto e opulência em Sampa

 

A calorenta jornada de dois jovens jornalistas ao coração da imprensa brasileira 

Estávamos em algum lugar perto da ponte Júlio de Mesquita Neto, à beira do rio Tietê, quando um certo nervosismo começou a me ocorrer. Lembro de ter dito algo como “Tou ficando nervoso, vamos nos atrasar muito…” O ônibus seguia a uns 50 quilômetros por hora (ou menos) na direção do Terminal Rodoviário do Tietê. Mas nenhuma voz berrava: “Jesus sagrado! O que são esses malditos animais?” 

Sim, porque não éramos Hunter S. Thompson e seu advogado Oscar Acosta. Mas André Julião e Renan Magalhães. Não em busca do Sonho Americano, mas do coração da imprensa brasileira, para uma entrevista com Matthew Shirts, historiador brasilianista, cronista do Estadão, redator-chefe da National Geographic Brasil. O horário combinado era às 15h, mas já era quase isso e ainda estávamos longe da Zona Sul, onde fica o prédio da editora Abril. 

Chegamos na rodoviária às 15h. Pegamos o metrô, do qual descemos umas cinco estações depois. Mas ainda estava longe: era preciso pegar mais um, que logo chegou. E lá vamos nós, mais umas cinco estações à frente. Pelos planos do membro paulistano da dupla, ainda tínhamos que pegar um ônibus para, aí sim, pegar um táxi. Não havia tempo. Não tínhamos credenciais para pegar, mas podíamos perder a viagem, que só até ali havia custado quase R$ 30. Era preciso pular etapas: táxi já! 

Com mais de uma hora de atraso, estávamos diante do opulento prédio da editora Abril. Tem 15 andares ou mais. Umas seis mulheres ficam na recepção. Como soubemos depois, 3 mil pessoas de fora da empresa passam ali todos os dias, 24h por dia. Mais os 3 mil funcionários das 50 revistas editadas no prédio. O elevador (ao menos dentre os daquela marca) é o que leva mais pessoas diariamente para cima e para baixo, em todo o Brasil (não lembro se o Matthew disse Brasil, América do Sul ou América Latina, o que importa é que é gente pra caramba). 

“Temos uma entrevista com o Matthew Shirts, da National Geographic”
“Quem?”
“Mé-til, Xôr-ts… o chefe…”
“Tem algum telefone”
“Tenho…”
“Vou tirar uma foto sua”
“!!!!”
“Aguarde aqui na recepção” 

Logo vimos um sujeito bonachão, cabelos enrolados, óculos, camisa por fora das calças jeans – e tênis – saindo do elevador. Reconhecemos de imediato. “Olha ele aí”, disse o Renan. Ele nos apontou como que indagando se éramos nós. “Matthew? Prazer!” “Prazer. Vamos ali no café.” 

Há 25 anos morando aqui, este californiano sabe mais de Brasil do que a maioria dos brasileiros. Veio pela primeira vez ao País ainda com 17, 18 anos, por intercâmbio. Na faculdade, voltou. E há 25 anos, casado com brasileira e com filhos brasileiros, mora definitivamente aqui.  

O que nos levou a entrevistá-lo é seu enorme apreço pela figura de Hunter Thompson. Já leu toda sua obra e tudo sobre ele. Se diz influenciado pelo Jornalismo Gonzo inventado por este; sente como se o tivesse conhecido, de tanto que o leu. Assim como parecia que já conhecíamos o Matheus (como o chamam por aqui). Sabemos até os nomes de seus filhos!  

A entrevista foi mais do que proveitosa. Conhecemos ainda o Ronaldo Ribeiro, um filho da PUC que há 10 anos está na Abril (e, pasme, foi aluno de vários professores nossos). É sempre bom encontrar alguém formado na mesma faculdade num ótimo emprego. Sempre bom conhecer aqueles que admiramos. Sempre bom reforçar a crença no Jornalismo, mas, principalmente, nas pessoas. 

P.S.1: Para ler a coluna do Matthew, compre o Estadão às segundas ou vá até o site do jornal (nem sempre disponível para não-assinantes, mas tente). 

P.S.2: A imagem que ilustra este post é uma dentre as maravilhosas presentes na edição deste mês da National Geographic, que ganhamos do Matthew.

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2 Responses to Encanto e opulência em Sampa

  1. Gusta disse:

    Se não o primeiro, mas um dos que lerão o seu TCC com apreço!
    Parabéns pela empreitada…
    Abraço.

  2. Ronaldo Faria disse:

    Esse cara (o formado na PUC) deve ser bom: tem um puta nome composto que junta dois cobras e etílicos jornalistas. Modéstia à parte cito o Bruno. Cuide-se.
    Ronaldo Faria

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