TESÃO

Queria ter escrito sobre as eleições, mas, depois do que o Inagaki escreveu, fica difícil acrescentar alguma coisa. Não tenho muito mais a dizer além do fato de que serei MESÁRIO no bendito pleito (olha as “vantagens”: ganho dois dias de folga no trabalho mais auxílio-alimentação – não tenho emprego e estarei a uma quadra da cozinha de casa!).

Por isso vou falar de TESÃO.

Ontem, uma professora ocupou quase todos os minutos que passei na aula exibindo um documentário em curta-metragem. Findo este, ela veio INTERPELAR-ME sobre o que queria dizer a película. Não ficou satisfeita com minha resposta – queria que eu reproduzisse a interpretação DELA. “Provou”, portanto, que eu não havia entendido o conteúdo, já que estava CONVERSANDO.

E estava mesmo. Eu falava justamente do meu objeto de TESÃO há pelo menos uns… três anos: a escrita, especificamente o Jornalismo Literário, indo mais a fundo, o Jornalismo GONZO. A interpretação que ela queria era de que o vídeo falava, veja só, sobre o GOSTAR DO QUE FAZ, o prazer de realizar uma atividade: o tesão (embora não tenha usado este termo).

Se novamente ela quiser me dar uma aula de TESÃO (pelo jornalismo, diga-se), vou mandá-la à merda. Porque justamente agora estou escrevendo um capítulo do meu livro (o tal “Projeto Experimental”) no qual falo especificamente do Jornalismo Gonzo – e como isso me dá tesão! Se ler é algo que dá enorme prazer, se ter escrito qualquer coisa dá prazer, escrever sobre Jornalismo Literário é de um TESÃO que, ainda que longe daquele, é o que mais se aproxima.

O capítulo introdutório estava meio maçante de fazer. Desde agosto estamos trabalhando no bendito e só o deixamos quase pronto agora. Escrever por obrigação é exatamente o oposto de escrever por prazer. Como diz o próprio Hunter Thompson sobre sua mais festejada obra:

A única outra coisa importante a ser dita sobre Medo e Delírio em Las Vegas neste momento é que foi divertido de escrever, e isso é raro – para mim, ao menos, porque sempre considerei escrever o mais odioso tipo de trabalho. Acho que é meio como foder: só é divertido para quem é amador. Putas velhas não ficam dando risadinhas por aí.

Nada é divertido quando você precisa fazer aquilo – muitas e muitas vezes, dia sim e o outro também – para não ser despejado.

Thompson escrevia o livro em momentos que dava uma parada no trabalho que estava fazendo sobre o estranho assassinato de um jornalista. Estava se sentindo pressionado. A viagem para Las Vegas – com o pretexto de cobrir uma corrida de motos – foi uma ótima oportunidade para relaxar e poder conversar com o advogado Oscar Acosta, uma preciosa fonte da reportagem.

Era a diversão dele relatar aqueles dias de loucura, mesmo depois de horas à máquina escrevendo um texto maçante. Talvez tenha sido algo semelhante ao que acontece quando jorro palavras neste blog. Antes de começar o livro, achava que teria de dedicar todo o meu tempo de escrita a ele. Mas o Projeto Experimental, pelo contrário, me deu mais motivação para escrever sobre outras coisas.

Não importa a dor nos tendões e a vista se embaralhando – o início da noite é o momento de dar uma parada e me divertir. Agora o “problema” é justamente o fato de que está ficando divertido escrever o livro. E aí talvez eu não sinta tanta necessidade de escrever para o blog e dedique mais tempo ainda à futura BROCHURA.

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4 Responses to TESÃO

  1. Carlos disse:

    Olha o Cardoso tomando o corpo desta POBRE ALMA. Heh.

    Abraço.

  2. Jorge Wagner disse:

    e quem, entre os dinossauros catedráticos, entendem o tesão pelo Gonzo?! está aí algo raaaro, meu caro!
    torço PRACARALEO pelo sucesso do seu livro, tanto quanto torço por minha monografia (que, quem sabe, pode acabar virando um livro mais tarde).

    anyway, vi que vc está lendo o Páginas Ampliadas. estou com ele aqui tb, esperando o fim da leitura de O Teste do Ácido (…), que foi interrompida por conta da semana de prova.

    mais uma vez, boa sorte aí, nobre Hunter!

  3. […] “Velhas tesão”, “tesão de putas”! Não se pode nem falar do prazer em exercer sua profissão! E como as idosas e as meretrizes entraram na história? Você que procura por “desenhos de enfermeira”, pode me explicar o que pretende? Alguma tara? Parece que dois acharam o que procuravam, querendo saber sobre Gonzo e, olha só, “blogs literários baianos”. Gentileza sua, minha cara, não é para tanto (deixa eu imaginar que foi uma mulher linda e culta). […]

  4. […] Novamente recorro a esse trecho de A grande caçada aos tubarões, do Thompson. Cito sabendo das dezenas de visitas “indesejadas” que terei de pervertidos buscando o termo “putas velhas” no Google ou no Sapo.pt. Mas faço porque esta afirmação chega a ser uma máxima, de tão verdadeira. Uma verdade que se torna mais visível a cada dia. […]

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