Leia o livro Caminho Iluminado

Estou meio travado para escrever. Já comecei três textos e acho que nenhum deles é digno de publicação. Tenho algumas coisas para dizer, mas não estou com inspiração suficiente para dedicar um post decente a cada uma. Acho que o fator que mais influencia esse cansaço é que terminei a maior empreitada escritiva da minha vida até hoje: meu livro Caminho Iluminado – Trilhando a rota do Jornalismo Gonzo (PUC-Campinas, 158 pág.), sobre o qual o JW já escreveu.

Pode não estar uma obra-prima (e temos assunto para ampliá-lo futuramente), mas é meu. E do Renan (Magalhães), que dividiu esta árdua tarefa comigo. Cheguei a escrever um texto sobre o conteúdo do livro, mas achei muito chato. E esperamos que o livro não seja chato para você. Além de ter sido escrito com muito cuidado, ele é todo ilustrado pelo Sobral, que assina também a capa. O prefácio é do Cardoso.

Formalmente, o trabalho é para concluirmos o curso de Jornalismo da PUC-Campinas, mas acreditamos que é também uma contribuição que damos ao estudo do Jornalismo Literário no Brasil. Expomos nossas idéias do que é realmente o Jornalismo Gonzo e de todo o potencial que tem esta forma de narração e captação do real (até escrevemos reportagens Gonzo no final). Segunda-feira devem estar impressos todos os exemplares. Se você quiser comprar, basta escrever para mim, com o assunto “Quero comprar seu livro”. Faço um precinho camarada.

Em primeira mão, a capa do menino.

capa

* * *

Ouça o disco Tim Maia Racional
Aproveito o post multitemático para indicar um disco. Trata-se de Tim Maia Racional. O Bruno me apresentou ainda no ano passado, mas como na ocasião a Bavaria Premium estava gelada na medida certa, não prestei muita atenção. Só agora, que o Jão me falou desse álbum, e depois de ler uma esclarecedora crítica, é que tomei coragem para baixá-lo. É sensacional! Tem uma sonoridade tão rica… Metais, baixo, guitarras e o vozeirão do Tim numa sintonia… racional. Todas as letras tratam da tal “Cultura Racional”, na qual ele parece acreditar piamente. É a parte para dar risada. Ele diz em todas as músicas: “Leia o livro Universo em Desencanto”, a “bíblia” do negócio. Parece que depois ele se desencantou com a Cultura Racional e renegou o disco até o fim da vida. Talvez por isso que o disco, lançado originalmente em 1974, até hoje não havia tido uma reedição, que saiu esse ano.

* * *

Raízes do Brasil.
A Globo está com uma nova… “campanha”, que aparentemente quer falar da diversidade brasileira. Tem um quadro em que uns infelizes se revezam para falar: “Em São Paulo é mandioca. No Rio é aipim. Na Bahia é macaxeira”. Até minha tia-avó, uma telespectadora passiva típica, ficou indignada. Só se for na casa do desgraçado que disse essa abobrinha que na Bahia alguém chama aipim de macaxeira!

Como baiano legítimo, tenho que explicar: na Bahia existem esses dois tipos de raiz muito semelhantes na aparência, mas bem diferentes no preparo. O que chamamos de mandioca é a que origina a farinha que você come no almoço, com o churrasquinho de gato na calçada. Aipim é aquela que se come cozida ou frita e que em São Paulo chamam de mandioca. Não é a mesma coisa, cara pálida! Se você comer a mandioca cozida ou frita, morre! E não se faz farinha com a “mandioca” que você come cozida. A que se faz farinha é o que chamam por aqui de mandioca venenosa.

Já “macaxeira”, eu não sei se se refere a que se faz farinha ou a que se come cozida e frita, mas acho que é à segunda. O que eu sei é que na Bahia não existe este termo. O que prova que a Globo mandou o infeliz dizer aquilo ou que ele chama qualquer estado do Nordeste de Bahia (como muitos paulistas falam pejorativamente “us baiano”). Em outro(s) estado(s) nordestino(s), que eu não sei dizer com segurança qual é ou quais são, realmente falam em “macaxeira”, mas na Bahia, não!

E fim de papo!

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9 Responses to Leia o livro Caminho Iluminado

  1. João Pedro disse:

    Isso me lembra a frase incrível…

    …”Mandioca no fedegoso…”

    … a melhor maneira de se sugerir uma sessão de sexo anal com um ente querido.

  2. Jorge Wagner disse:

    vc me fez lembrar dos meus dias de ensino médio com técnico em agropecuária! hehehe
    “mandioca venenosa” ou “mandioca brava”, como chamam no campo é a ideal pra farinha mesmo, mas até que existe que faça com o aipim, a “mandioca comum”.

    um professor dessa época contou que estavam roubando sua plantação de aipim com freqüência; como solução, plantou mandioca brava em volta; roubaram a venenosa uma vez… e nunca mais apareceram! hehehe

    abs

  3. Gente! Finalmente algou matou minhas dúvidas quanto ao aipim/mandioca. Nunca soube a diferença! Aqui em Santa Catarina o pessoal diz que tudo é a mesma coisa (ao menos foi isso o que eu sabia).
    Adorei o blog, agora vou passar sempre aqui.

  4. Inagaki disse:

    Esse álbum do Tim Maia é a melhor coletânea de jingles publicitários de todos os tempos.

  5. gusta disse:

    Comprarei e lerei. Mais um André para o panteão Gonzo. Parabéns Bay.

  6. disse:

    Que eu saiba também, aqui em São Paulo é a “mandioca braba” (a venenosa) e a “mandioquinha” (a comível frita e\ou cozida). Como o Jão me disse, lembra-me também um jeito poético ao se referir ao coito heterossexual. Afinal, para se ter etiqueta, tem-se que dizer que a moça “come mandioca braba pela boca de pêlo”.

  7. Luis Fernando Lisboa disse:

    Quase arranco os cabelos explicando isso a uns mineiros que apareceram por aqui em Natal. Os caras foram embora sem compreender. Não teve jeito. Luís.

  8. EDINALDO disse:

    É isso aí Baiano!!!
    Aqui em floripa (Florianópolis/capital de SC), pros nativos como eu, Mandioca é uma coisa e Aipim é outra. São raizes da mesma família. Mas é brabo ouvir a galerinha nova dizendo que é tudo igual, pois aprenderam com os visitantes e professores de universidades que nunca viram uma roça.

  9. Alexandre disse:

    Achei isso no google e só para conformar:

    Macaxeira no Ceará, aipim no Rio e Bahia, Mandioca em sumpaulo. Todas cozidas e fritas; é um única fritura que ainda me permito.

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