Dia de festa d’O Partido

27 dezembro 2006

Quem me recebe à porta é O Assessor. Ele está quase sempre com um sorriso estampado no rosto, sua face gordinha chega a ser quase engraçada. Já está a um bom tempo n’O Partido. Já foi um socialista. Como muitos outros, entrou para O Partido acreditando na revolução nos moldes antigos. Não sei se hoje ele acha que está fazendo revolução ou se regozija por estar onde seus opressores sempre estiveram. N’O Poder.

Ele tem até uma formação acadêmica na área social. Hoje é O Assessor, um cargo que não necessita de tão vasto gabarito. Mas também, ele já não o usa desde que saiu da faculdade. Não sei se tenho pena ou raiva dos membros d’O Partido.

Hoje é o dia de um jantar comemorativo. O grupo do Assessor ganhou mais uma “eleição” interna. Membros que se dizem de outras alas – ou “radicais”, segundo a definição da maioria d’O Partido – afirmam que foi um pleito fraudulento, automático, sem debate. É provável. O que admira é que isso não é novo e, mesmo assim, eles não abandonam O Partido. A briga ali dentro é comparável à disputa de um reino próspero. Quem garante que, se chegarem Lá, não farão o mesmo?

Ultimamente O Partido está com uma imagem bem negativa junto à opinião pública. Será que este é o mesmo Partido? Aqui tudo parece estar na mais serena ordem. As pessoas vão chegando, se acomodando, bebendo e fumando. Aliás, quanta gente feia. A única gostosa que vejo logo some. Há muitas crianças, uma não pára de passar atrás de mim, se apertando entre a minha cadeira e a de outra mesa. Conseqüentemente sou empurrado para frente a todo instante.

Não queria estar aqui. A princípio, é um evento totalmente sem relevância. Em compensação, vou explodir de tanto comer; pra compensar. O Assessor manda que eu fique à vontade. Posso pedir cerveja, refrigerante, comer à vontade. Se eu pudesse beber, juro que ficaria bêbado às custas d’O Partido. Ao invés disso vou, literalmente, tirar a barriga da miséria de tanto comer.

Todo mundo chega de uma vez só. Inclusive O Novo Líder. Logo há uma imensa fila para comer. As pessoas parecem esfomeadas. Um certo prato chega nas bandejas e é logo devorado, como uma carcaça de boi num rio infestado de piranhas. O único prato que não falta é arroz. E como come arroz esse povo! É melhor eu me servir. Quero comer o máximo que puder e ir embora. De que mais me serve esse evento? Me espanto quando vejo pessoas na fila com o prato sujo: já estão repetindo. Em certo momento, ainda na fila, vejo que O Antigo Líder está confiscando meu lugar e o cedendo a um grupo! Membros do Partido Interno não precisam disso.

Se bem que este pedaço d’O Partido está bem mixuruca. A comida não é das melhores. O local é pequeno para tanta gente. E os membros do Partido Interno nem comendo estão. Será que o melhor está guardado pra eles? Quando os membros do Partido Externo e os proles saírem, eles vão se deliciar num banquete exclusivo? Por enquanto ficam na porta da cozinha. Inclusive A Líder do Parlamento, com uma roupa assaz espetaculosa. Brega, diria uma mulher.

Sabe aquele prato que some logo que chega à bandeja? E que há muito não aparece, gerando até fila de espera? O Novo Líder passa tomando cerveja acompanhada de um uma unidade do prato na mão. Privilégio do Partido Interno.

Volto à minha mesa, que está ocupada. Fico por perto, fingindo que procuro um lugar. Até que um dos ocupantes – sabendo ser aquele meu lugar – subverte a ordem do Partido, se retira e pede educadamente que eu sente. Peço que fiquem, e que aquele que se levantou apenas consiga uma cadeira. Logo percebo que na minha mesa está a outra gostosa do local. Tem um jeitinho insinuante, usa uma blusa colada branca com decote, saia e uma par de botas – rosa. Quando abre a boca, porém, não anima. Além de fazer piadinhas sem graça, tem os dentes montados. Mas o grupo de três – ela e mais dois homens – é até simpático.

Ah! Por sorte conseguiram uma cadeira para o meu novo amigo.

Os talheres que estavam na minha mesa sumiram. Vou até a cozinha pedir um par e tenho que me contentar apenas com um garfo – de sobremesa. Tive sorte de encontrar três pratos além de arroz. Como e repito.

Até que chega o momento tão esperado: O Membro Festejado chega. “Viva o Membro Festejado!”, grita O Novo Líder. Soaria com duplo sentido esse nome, não fosse O Partido dono da verdade. Tenho que duplipensar e não encontrar nada além de um grito de festejo naquele “viva”. Simpático, O Membro Festejado. Também tem um sorriso quase meigo. Aliás, a maioria d’Os Membros sorri e discursa muito bem. Graças a isso chegaram onde estão. Não possuem as indústrias, as empresas, os bancos que O Adversário possui. Com movimentos populares, frases eloqüentes e apoio dos proles, alcançaram um patamar até então só explorado pelo Adversário. Mas ainda não era o suficiente. Precisavam chegar mais longe. Aí vieram os setores antes ligados exclusivamente ao opositor: bancos, empreiteiras, fundos de pensão… E O Partido conseguiu O Poder.

Ao conseguí-lo, contudo, bastou-lhe. Os ricos continuaram cada vez mais ricos, os pobres, cada vez mais pobres. O segredo do sucesso foram discursos eloqüentes, dizer que representa os proles, porque surgiu deles. O Partido não tem posses. Por isso, se um membro não consegue um cargo eletivo, permanece apenas trabalhando pelo Poder ou para O Poder. Não importa se quem o detém seja o agora ex-adversário. O Partido não tem posses, mas tem A Máquina Partidária. Um sistema que não tem ideologia, a não ser a de conseguir mais Poder.

Mas eu não sei dizer se todos os membros sabem disso. Talvez alguns como O Membro Festejado acreditem que estão fazendo a revolução dos proles. Que esse papo de favorecer cada vez mais os ricos é conspiração da Imprensa Burguesa. Coisa dos Golpistas que querem derrubar O Partido, tão democrático e fruto da vontade popular.

Por fim, O Assessor traz uma bandeira d’O Partido e oferece ao Membro Festejado (não ria do nome dele, duplipense: pense primeiro que não há piada e depois esqueça que pensou que pode haver piada). Este a beija com orgulho de quem constrói uma mudança social.

Quem pensa que O Partido está acabado, se engana. Se nem a “Ala Moral” quer largar o osso, significa que Ele ainda detém O Poder. Ele pode estar enfraquecido, mas basta ver os membros do Partido Interno, festejando e ganhando eleições, que se percebe que A Máquina é imbatível. O Partido pode sair do posto mais alto agora, mas continuará nos guetos, nos órgãos oficiais, “liderando” os proles, onipresente. E um dia Ele deterá para sempre O Poder.

* * *

Esta “reportagem gonzorwelliana” foi publicada originalmente no dia 24 de setembro de 2005, no antigo endereço. Apesar do tempo que se passou, acho que o texto ainda vale. A escassez de posts pode continuar até que eu volte para Campinas, no dia 11 de janeiro. Até lá, peço a compreensão e a leitura de alfarrábios como este.


Presentes

22 dezembro 2006

O Natal está próximo e ainda não recebi nenhum dos presentes que pedi. Não interessa: eram todos bens materiais e esse fim de ano já está sendo generoso o bastante. O que ganhei não pode ser medido em dinheiro.

Não tenho um emprego de verdade, tenho dívidas para algum tempo (ê, formatura!), mas acredito que tudo se resolverá. Reclamar do que? Estou em Porto Seguro e só não digo sossegado porque minha casa está lotada de parentes. E ainda vem mais para o Reveillon. Houve tempos em que o jardim ficava cheio de carros e aparecia até mesmo gente desconhecida para a ceia. O que importava para mim é que tinha mais crianças para brincar de esconde-esconde.

Hoje nem crianças tem mais.

Mas o que me dá mais nostalgia não é isso. A saudade é de um tempo mais recente, em que saía para as festas e bares e não tinha tantos bandidos em busca de vítimas para assaltar. Estão em todos os lugares e não se vê nenhum policial. Todo mundo já visitou Porto Seguro, não há nada diferente que os atraia novamente e ainda não tem o básico, que é segurança.

Mas vamos levando. Apesar de um ex-prefeito corrupto dar sinais de que voltará, pode ser que um dia tenhamos um administrador decente. Espero que nenhum estrague ainda mais as festas de fim de ano dos portossegurenses.


Só um livro, vai…

17 dezembro 2006

Dá certo com outro bloguista (olha a comparação), tenho que tentar: tem uma porrada de livros que quero ler, que preciso ler e não posso comprar. Não todos. Fiz uma lista no Submarino e posso até pensar numa premiação para quem me der um destes presentes para alegrar meu Natal. Vai ajudar a melhorar minha escrita, alguns poderão colaborar para uma segunda edição ampliada do meu livro e eu serei grato à pessoa.

Não precisa ser do Submarino, pode ser de qualquer loja. Pode até mesmo ser de um sebo. O que importa é que eu leia e guarde (ta, vai: em último caso aceito emprestado). Bom… Você nem me conhece… Se conhece, não tem grana para ficar dando presente pra marmanjo. Se tem grana, prefere gastar consigo mesmo ou com sua namorada. Posso pensar numa troca: me dá um livro desses e te dou um meu. Melhorou, não? Passa aniversário, Natal e ninguém me dá um livro. Eu nem peço coisas caras, só um livro


Bom dia, meu nome é Gislaine

16 dezembro 2006

A vida de repórter de jornal de cidadezinha parecia tranqüila para André. Ele não tinha um bom salário, não tinha reconhecimento, mas, em compensação, trabalhava pouco e um erro não enterraria sua carreira. Além do mais, ele tinha consciência de que aquilo era provisório.

A “redação” era toda dele. Ficava sozinho por muitas horas, podendo se concentrar nos textos, usar o telefone à vontade, ver quantas pessoas leram seu blog nos últimos dias, ler e-mails, mandar outros e até mesmo conferir os scraps. Ele achava que essa paz duraria até o dia em que pediria as contas para ingressar num emprego de verdade, com carteira assinada, ar-condicionado e piso salarial.

Tudo mudou quando Gislaine apareceu. Numa manhã sonolenta, André chegou na “redação” e descobriu que esta agora era um centro de telemarketing fajuto. Ao lado de sua mesa, trabalharia Gislaine, a mulher que passaria a vender assinaturas por telefone. O seu telefone. O pior é que a moça passava mais tempo jogando conversa fora com as amigas do que trabalhando. Isso quando não estava fumando seu cigarro paraguaio. Quando André demonstrava algum incômodo, Gislaine ainda dizia, a poucos metros de distância, “a fumaça nem chega aí”.

Se ainda fosse gata assim…

Um dia ele chegou do almoço e Gislaine estava pendurada no telefone, como sempre. “Não tem problema, tou na minha hora de almoço”, falava à sua interlocutora. “Ai, queria que você comprasse umas roupas pra mim, mas bem sensuais”, dizia, sem a menor vergonha. E André tentando agilizar as edições de fim e começo de ano. Ao cabo de 40 minutos, a “telefonista” se despede com toda intimidade da interlocutora, desliga o telefone e diz, com a maior das caras-de-pau: “A mulher ligou para fazer um anúncio e ficou até agora no telefone”.

Everaldo, o dono do jornal, não parecia se importar com o pouco caso que Gislaine fazia do serviço. André, no primeiro dia, já tinha vontade de mandar todos ao inferno e sair da cidade para nunca mais voltar. Gislaine pedia o marmitex de seu almoço logo depois que André chegava da sua refeição. O cheiro de comida impregnava a “redação” e dava enjôo no jovem jornalista, àquela hora, empanturrado do mais aromático feijão com arroz de self-service que já existira.

O que André podia fazer? Como suportar mais um mês à tamanha tortura? Num movimento natural, ele arrumou sua mochila e na quarta-feira vai para o sul da Bahia, Porto Seguro. E promete que jamais em sua vida comerá um marmitex.

* * *

Causos internéticos (episódio I)

Você chega do bar, ainda ALTERADO. Resolve entrar na Internet, ver se tem alguém ONLINE a fim de uma SAIDEIRA. Entra no Orkut e vai mandando SCRAPS insanos, com uma escrita propositadamente PROLIXA. Uma menina com quem você conviveu por pouco tempo, mas que é bela que só e nunca te deu muita IMPORTÂNCIA, está fazendo aniversário. Você manda MAIS um scrap prolixo. Mas que não diz quase nada – apenas demonstra, para alguém com algum BOM SENSO, que você não está normal. No outro dia ela te responde, dizendo não ter nem comentários sobre tão LINDA mensagem. Que cole aquele texto em seus TESTIMONIALS, porque ela não quer que fique perdido no SCRAPBOOK.

O melhor a se fazer é não OBEDECER, sequer responder. Não a decepciona nem trai a si próprio. Mas, se quiser, VOCÊ pode investir na carreira de autor de auto-ajuda, poeta/compositor barato e/ou escritor de BEST-SELLERS.


Os últimos dias

13 dezembro 2006

Ébrio leitor

Venho por meio desta dar uma satisfação à sua pessoa, haja vista que ela merece minha consideração. A falta de posts se deve a uma semana atribulada – não de trabalho, longe disso. De festa, mesmo. Parece que meus colegas recém-formados jornalistas resolveram aproveitar intensamente os últimos dias do último ano de nosso curso.

Por isso, desde domingo não paro em casa, em churrascos ou bares. Agora mesmo, acabei de adiar para mais tarde uma comemoração de aniversário, em Barão Geraldo, para poder escrever esta ata. Ainda não deu tempo de ficar triste pelo fim de quatro anos de convivência diária.

Alguns já derramaram lágrimas. Acredito que minha secura lacrimal se deve também ao fato de que ainda não entendi a gravidade da situação. Talvez seja a enorme motivação de começar um novo ano, formado, em busca do trampo dos sonhos. Não sei. O certo é que no dia 27 de janeiro de 2007 haverá a celebração do fim desta fase. O “baile” de formatura, apesar de estar me custando os olhos da cara (e de lambuja nariz, boca e cabelos) vai fechar em grande estilo (como foi tudo nesses quatro anos) o ciclo. Até agora, os quatro melhores anos da minha vida.

Mais de um colega já escreveu um discurso, uma crônica de despedida. Ainda não estou pronto. De certa forma, sempre escrevi textos do tipo, fosse no blog, fosse no boletim oficial da classe, o BAHIANEWS. É tanta coisa, tantos momentos memoráveis, que fica difícil resumir em uma página A4. Mas algum resumo vai aparecer. E todos lerão. Será quando eu cair em mim e começar a ter noção do que está se passando nesses dias.

E aí eu vou chorar.

* * *

Sexta-feira, às 9h, o programa Sexta Cultural, da Rádio Educativa, transmite uma entrevista que eu e o Renan demos ao professor e jornalista Celso Bodstein, sobre o nosso livro. Esclarecemos conceitos e contamos um pouco de nossas experiências realizando as narrativas que estão na obra. Para ouvir ao vivo, clique aqui (na sexta, às 9h, é claro). Se a entrevista ficar disponível nos arquivos eu ponho o link aqui.


Do meu umbigo…

8 dezembro 2006

* Em tempo: meu ensaio Medo, delírio e Jornalismo acaba de ser publicado pela Irmandade Raoul Duke de Gonzojornalismo. Esse texto deu origem ao livro e agora, finalmente, está disponível na web. Meu obrigado ao Cardoso, este verdadeiro mecenas da Gonzologia brasileira.

* Talvez eu linque outros textos maiores que produzi de 2004 pra cá, alguns NEGADOS pela IRD. Não é só porque eu conheço o cara, que ele escreveu o prefácio do Caminho Iluminado, que tudo que eu achar publicável ele vai publicar (e nem acho tão publicáveis algumas cousas).

* Atitude meio pretensiosa, talvez, mas não custa tentar: fiz uma Lista de desejos no Submarino. Quem quiser me presentear não tem mais a desculpa de que “não sabe o que dar” (ui). Adianto que apenas um não é livro, ou seja, por no máximo R$ 60 você pode fazer um beneficiário da Fundação André Julião de Apoio A Universitários E Recém-Formados feliz.

* Aos que me desejam algum sucesso, obrigado! Começa um novo percurso…


Cuscuz, a iguaria do equilíbrio

6 dezembro 2006

É muito fácil fazer o saboroso cuscuz baiano. Chamarei assim para não dar confusão, já que existe um paulista – muito bom, por sinal, com sardinha, azeitona, tomate etc. Esse sobre o qual vou falar é doce – mas não é sobremesa. É para comer com manteiga, leite ou ovo frito. É para o café da manhã, a merenda da tarde ou o café da noite.

Parafraseando Veríssimo, poderia dar a este “ensaio” sobre o cuscuz o título de “Culinária numa hora dessas!?”, afinal, é isso que você deve estar se perguntando. Mas deixemos explicações de lado. Basta dizer que cuscuz é a única coisa de que entendo nessa vida. Dele falo com propriedade. Deixemos de prosa e vamos começar.

Num recipiente aberto [uma tigela ou uma bacia pequena, daquelas de plástico], ponha o fubá – mas não qualquer um. Não pode ser aquele muito fino. Um que gosto muito é o Flocão [fica mais macio e saboroso]. A quantidade é a mesma que você vai querer de cuscuz. Aqui não existe a indefectível “colher das de sopa”, ou a “xícara de chá”. É tudo medido por três instrumentos simples: olhômetro, linguômetro e mãozômetro [visão, paladar e tato].

Durante o preparo, permaneça perto de uma fonte de água potável. Pode ser o filtro ou um copo cheio. Depois de despejar a “farinha em flocos de milho pré-cozido” [como diz na embalagem], ponha açúcar e sal a gosto e um pouco de água. Pouco mesmo. Mexa sempre com a mão; nada de colheres. Vá mexendo, adicionando água aos poucos, até conseguir o ponto.

Está aí o grande segredo do bom cuscuz.

A quantidade de água que pôr vai definir se você fará uma farinha seca, um bolo duro ou um cuscuz macio. A prática é que ensina, mas vai uma dica: o ponto é o equilíbrio, nem muito seco nem muito molhado [não ajudou?]. Uma tia diz que quando se aperta um bolinho da massa na mão e ouve-se um chiado, encontrou-se o ponto. Da segunda vez que fizer, você vai por mais, menos ou a mesma quantidade de água, dependendo de como ficou o primeiro cuscuz. Eu prefiro aquele que fica macio, com os flocos inchados. Não esqueça de provar o açúcar e o sal – sem o sal não terá outro equilíbrio necessário a esta iguaria.

Pronta a massa, você pode deixá-la descansando na geladeira por um tempo [30, 60, 120 minutos, não importa] ou cozinhar imediatamente, que é o que faço. Prefiro comer o cuscuz na hora em que foi cozido, por isso faço em pouca quantidade. Mas se quiser requentar, não vou te execrar.

O cozimento é também de vital importância. É preciso ter um cuscuzeiro. Desculpe por não ter dito antes e você agora estar com a massa pronta em frente ao computador. Não tenho idéia do que fazer com uma massa de cuscuz sem um cuscuzeiro. Perdão.

Cuscuzeiro

O cuscuzeiro

Você que tem um cuscuzeiro, tire a parte cheia de furos deste engenhoso utensílio de cozinha e ponha água no recipiente. A quantidade também precisa ser equilibrada. Não encha de água, nem ponha quantidade que possa evaporar por completo durante o processo. Metade do “compartimento da água” é o ideal na maioria das vezes. Quando o cuscuzeiro fica velho, a medida fica marcada. A partir daí não haverá erro. Se puser água demais, o fundo do cuscuz fica molhado – e aí terá você desperdiçado um milímetro precioso da merenda.

No cuscuzeiro com a medida certa de água, ponha a parte “furadinha” novamente e acomode a massa com cuidado. Não aperte em momento algum. A liga tem a ver com a quantidade de água, por isso, socar o pobre do cuscuz só piora as coisas. Apenas o acomode. Tampe e cozinhe em fogo alto. Assim que um delicioso aroma tomar conta da cozinha, espere uns três minutinhos e apague o fogo.

Para servir, puxe a parte onde está o cuscuz com uma luva de cozinha [para não queimar o polegar opositor nem derrubar tudo na água, num reflexo] e ponha num prato. Tire seu pedaço, devolva o cuscuz ao cuscuzeiro, para não esfriar, e aí é só passar uma margarina sem gordura trans [ou uma manteiguinha bem gorda] e se esbaldar. Café com leite, chocolate quente ou capuccino caem bem como acompanhamento. Você pode também por num prato fundo com mais açúcar e encher de leite.

Não é mais fácil do que goiabada?