Uma revista que não daria certo

Eu penso numa revista que seria diferente de todas que já li – mas que teria um pouco de cada uma delas. Projetos são sempre mais interessantes do que resultados; por isso adianto que esta revista nunca será feita. Se fosse, daria errado. E não seria porque “o Brasil não está preparado para uma publicação desse porte”. A revista não vai ter nem o número zero simplesmente porque, se tivesse, os colaboradores iam pedir adiamentos infinitos, não haveria gente suficiente para encarar a empreitada e também porque logo ela perderia a graça [falta de grana nem se fala]. É, o princípio dela seria a palhaçada. Portanto, apresento algumas idéias não inéditas e que por isso mesmo você pode aplicar no seu fanzine, boletim xerocado de faculdade ou jornal de condomínio. Se quiser arriscar.

Editorial
Minha revista não teria editorial. Uma influência da Piauí [eu sei que não é só a Piauí que não tem editorial, mas deixa eu continuar]. Editoriais de revistas normalmente falam do que está no miolo da publicação ou são versões reduzida dos editoriais de jornais. E quando penso neste tipo de texto me vem à cabeça a página três do Estadão, com aquelas iniciais em “capitular” enormes e aquele escudo, brasão, seja lá como se chama, do jornal. Editoriais são anacrônicos. Mesmo os da Trip  não têm me agradado ultimamente, com aquele papo de “transformadores”, de “felicidade”. O mais próximo que minha revista poderia ter de um editorial é o que a extinta Crocodilo, que só teve dois números, trazia num box com o título “Editorial”, em sua edição número 1:

Editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola editorial de cu é rola.

Compras
CrocodiloJá que tocamos [ui!] na Crocodilo, lembro de outra seção da revista que me rendeu boas risadas. Você provavelmente já leu na revista que vem junto com o seu jornal de domingo, na Trip ou na Rolling Stone, aquela seção consumista, dizendo o que você deve comprar. São sempre produtos inúteis e/ou caríssimos. Na Crocodilo era assim:

Shopping Crocodilo – Tudo que os playboys têm por preço de camelô

A lente de aumento com braços articuláveis é perfeita para enfeitar sua mesa de escritório. Com sorte, você ainda descobre o que fazer com os braços articuláveis. Na rua Sta. Ifigênia por R$ 8,00.

O X-MAX é, definitivamente, uma aberração no mundo dos videogames. É idêntico ao Playstation, mas só é compatível com cartuchos de Super Nintendo. Outra surpresa é que o console traz nada menos que mil jogos na memória. Na rua Sta. Ifigênia, você paga meros R$ 45,00.

Relógios Nke (R$ 5,00) e Watch (R$ 12,00) custariam bem mais caro se tivessem, respectivamente, a letra “i” e “s” em seus nomes. Os dois são à prova d’água, mas não confie muito nisso… Esses e outros modelos à venda na Quintino Bocaiúva.

Obituário
Ano passado, alguns colegas comandados pelo Jão bolaram uma espécie de fanzine para “fazer concorrência” com uns boletins muito sem graça que circulavam na faculdade. Ele se chamaria “ANUS – Acervo de Notícias Universitárias Subjetivas”. Seria muito bom se tivesse dado certo, mas não deu. Nos rascunhos da primeira edição, havia seções incríveis, como a de falecimentos, que no primeiro número seria assim [a piada do Platô só funciona com o pessoal da PUC]:

Papa João Paulo II – De velhice, dia 02/04/2005
Platô – Assassinado por tratores, dia 29/03/2005
Jason Voorhees – Morreu mais de 10 vezes, mas sempre dá um jeito de voltar
John Lennon – Assassinado na frente do Edifício Dakota, em 1980
Super Mario – Caiu de um precipício, mas ainda tem 3 vidas pela frente

Uma outra seção do ANUS se chamava “C.U. – Culinária Universitária”, que conseguia a proeza de dar três receitas de miojo. A melhor era a de “Miojo sem gosto de miojo”. Simples e [não] saborosa.

ANUS

O logo era uma homenagem ao Notícias Populares

Texto
Isso sem falar que tudo na revista seria lido, relido e re-relido por todos do corpo de colaboradores e por um “conselho de leitores”, mais democrático do que um conselho editorial. Assim os egos seriam um pouco contidos. Nada que não fosse engraçado seria publicado. Mesmo se o publisher quisesse publicar algo como isso ou isso, o texto teria que ser aprovado por todos ou, pelo menos, por uma grande maioria.

É claro que nunca haveria um consenso e por isso também que a revista não daria certo. Mas ela seria, adianto, uma revista em que o humor “faço gênero” de lessas e mainardis não passaria. E está aí mais um motivo para muitos decretarem que a publicação nunca daria certo.

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2 Responses to Uma revista que não daria certo

  1. Jorge Wagner disse:

    pode apostar que esse texto vai ser bem acessado! rs

    sem humor de múmias como o Lessa… a revista ia ser bacana, ein? heheh

    abs!

  2. Carlos disse:

    A banca do teu livro é na quarta, né?

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