Massagem no ego

29 março 2007

Não poderia vir em melhor hora a audição do programa Sexta Cultural, da Rádio Educativa aqui de Campinas. Para quem não sabe, estou no limbo empregatício: não entrei no esquema do jornalismo diário e fui devidamente mandado para casa. Tudo bem. Eu tinha achado estranho terem me chamado. No mesmo dia em que disseram “optamos por não ficar com você”, a Lígia me mandou o link do programa em que eu e Renan demos uma entrevista para o mestre Celso Bodstein, o popular Bud.

Falamos sobre o nosso amado Jornalismo Gonzo e promovemos nosso humilde livrinho. Vale ouvir o programa inteiro, que tem ainda um papo com outro professor, o mestre em quadrinhos Djota (sério, o mestrado dele é sobre HQ). Outra: o Bud manda muito bem. Para fazer o download do programa, clique aqui. Tem apenas 24 mb e vale ser ouvido até o fim (só 26 minutos). Nossa entrevista é logo no início.


“Putas velhas não ficam dando risadinhas por aí”

27 março 2007

[…] sempre considerei escrever o mais odioso tipo de trabalho. Acho que é meio como foder: só é divertido para quem é amador. Putas velhas não ficam dando risadinhas por aí.
Nada é divertido quando você precisa fazer aquilo – muitas e muitas vezes, dia sim e o outro também – para não ser despejado.

Novamente recorro a esse trecho de A grande caçada aos tubarões, do Thompson. Cito sabendo das dezenas de visitas “indesejadas” que terei de pervertidos buscando o termo “putas velhas” no Google ou no Sapo.pt. Mas faço porque esta afirmação chega a ser uma máxima, de tão verdadeira. Uma verdade que se torna mais visível a cada dia.

E sem mais comentários, pois já escrevi demais por hoje.

P.S.: Como pode perceber, tenho humor bipolar… E fim de papo.


Deixa a vida me levar (com uns livros na mala)

24 março 2007

Cozinha Confidencial, de Anthony Bourdain, está aí do lado faz tempo. Você pode supor que eu demoro muito para ler um livro, mas não é bem assim. Comprei esta brochura quando ainda era um dos milhares de seres privilegiados que andam diariamente pelos corredores abrilianos. Como eu ficava cerca de 12 horas por dia no prédio, não tinha muito tempo para ler. Então eu vim para casa, esperando curtir meu desemprego. Mas as coisas não aconteceram exatamente assim.

Minha vida é marcada por surpresas.

No penúltimo dia do Curso Abril, quando fui me despedir da galera da Super, o editor Leandro Narloch deu em minhas mãos Homem Cinderela, de Jeremy Schaap, para resenhar – em 10 dias. Não só aceitei a missão como prometi que mandaria antes do prazo. Não preciso dizer que não fiz muita coisa além de ler o livro. A resenha foi entregue dois dias antes do prazo. (A parte da história em que o editor pediu reparos e eu tive que refazer todo o texto – afinal, é uma nota – eu não conto. Não quero que essas coisas fiquem para a posteridade. Meus filhos me acharão perfeito.)

Meu prazo era na sexta. Tudo conspirava para que eu entregasse na quinta. Foi aí que…

Na terça recebo um e-mail de Ronaldo Ribeiro, o cara que mais me ajudou na Abril até hoje – e que, espero, continue me ajudando. Missão: fazer duas resenhas. Uma, de livros infantis sobre meio ambiente: “Escreva como você escreve no seu blog”. Quase não acreditei. Ser pago para fazer o que faço de graça! Nessa eu resenhei também O mal-estar na globalização, de Luciano Martins Costa. Tudo em uns 10 dias. Esse último deu mais trabalho, porque o livro é muito denso. O autor é tão lúcido que me deixou atormentado, em meu mundinho alienado.

Creio que amanhã retomo Cozinha Confidencial. Por que só amanhã? É que, quando ainda faltava uma semana para se esgotar o prazo da resenha de O mal-estar na globalização, me chamaram para fazer um segundo teste para o novo jornal de Campinas. Eu que estava desencanado de jornal, de emprego e do que fosse. O teste foi na segunda, na terça eu comecei. E espero só sair de lá em troca de uma proposta melhor (e não falo necessariamente de grana).

Mas não vou tentar prever mais nada na minha vida. Até agora as coisas simplesmente foram acontecendo sem que eu esperasse. E deu tudo certo. Deixe que o destino me leve. Enquanto houver um livro para resenhar e um editor gente boa, eu não passo fome.

* * *

P.S.1: A resenha de Homem Cinderela deve sair na Superinteressante de abril, mas ainda não tenho certeza.

P.S.2: As outras duas, provavelmente, serão publicadas em um site abriliano que ainda não existe. Na ocasião (em abril) darei mais detalhes.

P.S.3: Em abril também (mera coincidência?), um novo jornal em Campinas e região. Diferente de tudo que existe no estado de São Paulo, eu diria. Aguarde ansioso.


Emprego

20 março 2007

Nem bem havia começado minha vida de freelancer e o mercado formal me tirou da redação caseira, do conforto de trabalhar de chinelo e da boa vida de acordar todos os dias às 11h37 (número cabalístico? Um sinal?). Não que eu estivesse gostando. Era no mínimo estranho. Ninguém para me dar ordens, nada de horários fixos e o fim de cada trabalho gerando a dúvida se viria mesmo outro.

Salário pingando todo mês, benefícios, carteira assinada (será inaugurada em grande estilo). Um emprego. Não bastasse, um novo jornal, uma nova proposta e a chance de dizer, daqui a 10 anos, quando ele estiver consolidado e servindo de exemplo: participei da primeira equipe. Fôlego novo, todos empolgados, cansados da mesmice do jornalismo diário.

Vamos com tudo. Sujar os sapatos, ouvir as pessoas. O começo será duro, mas vamos nos reinventar a cada dia. Já, já, trago mais notícias.


“Os quatro anos mais intensos e divertidos de nossas vidas”

15 março 2007

Você sabe o que é se arrepiar ao rever uma cena? Um arrepio que substitui lágrimas ou qualquer outra reação normal a um momento de emoção? Pois um destes me passou pela espinha dorsal quando revi e ouvi novamente o discurso de meu criativo colega Marcel Silveira Leite (guarde este nome). Ele foi o orador da turma e este foi só um dos criativos depoimentos da minha formatura.

É, meu amigo, como você disse, “enquanto os dias se revezarem com as noites, teremos um trabalho a fazer” (e se de repente a noite ou o dia não aparecerem, teremos então um extraordinário acontecimento para cobrir, não?).


São Paulo

10 março 2007

São Paulo fede. São Paulo é cinza. São Paulo é quente. São Paulo chove. Mas São Paulo, a capital, é fundamental. A cidade onde quem não tem bilhete único se trumbica, quem tem carro se estressa e quem tem bom senso trabalha perto de casa (ou em casa mesmo). São Paulo da cratera, São Paulo da boemia, da cultura. Do metrô. Metrô, sim, é progresso. Não engarrafamento, como certa vez disse um outro. Tome bilhete único na catraca e vim me embora. Trouxe o serviço para a tranqüilidade da Vila Georgina; sem o ar condicionado das redações, sem o PF da Abril; mas com meu canto, luz do sol e comidinha da tia-avó. Atualizações aqui, não prometo. A partir de amanhã enfio a cara no trabalho (é, antecipei o fim-de-semana). Daqui mesmo, da melhor redação que trabalhei em toda minha carreira. Mas se Deus quiser é passageira. E aí vou de vez pra São Paulo. Morar ao lado de uma estação de metrô, ou a uma distância curta do trampo dos sonhos.

PS: Mas para entender melhor a capitar, sugiro que consulte o Dicionário Paulistano, feito por um nordestino muito mais entendido de Sampa e de escrita do que eu.


Quando fevereiro foi Abril

3 março 2007

Sorte sua se não lê esse blog há algum tempo. No lugar desse post havia uma aberração que eu sequer lembrava de ter escrito. A ocasião em que lavrei aquelas tortíssimas linhas não podia ser mais inadequada. Era madrugada de 27 para 28 de fevereiro. A noite de diversão tinha começado no D. Matilde, um bar na avenida (ou seria rua?) Pompéia, em Sampa City. Eu e meu parceiro de sinuca, Rafael Fujiwara, estávamos com nosso talento sinuqueiro à flor da pele. Até aquele momento, tínhamos ganho cinco partidas seguidas. Foi então que tocou o celular de Thiago Cid.

Nossa colega de Curso Abril, Patrícia Vieira, nos convocava a voltar para a sede da empresa, pois a festa da Playboy, que acontecia naquela noite, havia sido liberada para nós, até então reles mortais sem acesso àquela suntuosa comemoração dos 32 anos da revista. Pagamos nossa conta e fomos comer a carne onde pretendemos ganhar o pão um dia. Chegando no terraço, só víamos gente do Curso.

Vocês são incríveis!

Os bambambans já tinham ido embora e a festa agora era nossa. Três coelhinhas tiravam fotos com os convidados; algumas edições da revista estavam expostas (vi depois uma foto do início da festa e notei que muitas edições evaporaram); tinha Skol Beats, espumante e canapés à vontade. Além de uma decoração composta de “mulheres-capa” de papelão. Entre elas, minha musa do mês: Gracyanne. Apresentei a nova namorada até para Edward e Wania, dois dos responsáveis por eu estar ali.

Findada a festa, descemos para a redação. De uma hora para outra, vários computadores estavam com o YouTube na tela, passando o clipe do funk do Jeremias. Extasiado com aquele momento singular em minha vida, entrei no WordPress e escrevi um trecho da letra da música seguida de uma descrição (com caracteres comidos) da minha felicidade naquele momento. Até hoje à tarde eu jurava que o último texto que havia postado era o que está abaixo.

Comecei a ver mais sentido no fato de nenhum editor ter entrado em contato comigo depois que dei o endereço do blog. Apaguei aquele arremedo de texto, afinal, não preciso de mais registros dos meus surtos de burrice. Nem precisaria de mais registros daqueles dias. Passei por momentos de estresse, não fiz tudo que julgava capaz de fazer, mas convivi num ambiente de trabalho até então inédito para mim (para o bem). Conheci pessoas incríveis e aumentei minha paixão pelo jornalismo.

Onde está Wally?

Na quarta, dia 28, foi a festa oficial de despedida. Apresentamos nossos projetos feitos com tanto suor (literalmente) para depois dançarmos músicas infantis, funks, axés; aquelas músicas que só valem a pena quando se está perto de seus amigos. Sim, posso chamar muitos de amigos. Espero revê-los em breve. E vou fazer de tudo para voltar de vez para aquele prédio na Avenida das Nações Unidas, Pinheiros. Diretores de redação e editores, minhas pautas estão chegando!

MAIS:
* Veja galeria de fotos da festa de encerramento
* No blog do Curso: “Acabou”