Campineiros vão às compras para fazer e para rever amigos

Toni

Toni, há 33 anos trabalhando no Mercadão

TEM ATÉ FUMO DE ROLO Em espaço equivalente a um campo de futebol, dá para gastar a sola entre os 143 boxes

Os fãs do Mercado Municipal de Campinas preferem o lugar aos hiper ou supermercados por uma razão muito simples e, em certo sentido, atraente: lá, eles são tratados como amigos, não como meros clientes.

É no mais antigo centro de compras de Campinas que foi inaugurado há quase cem anos, em 1908– que amigos de longa data se encontram. Eles se espalham pelos 7.000 m2 do mercadão (tamanho equivalente a um campo de futebol) e seus 143 boxes (98 no prédio central e 45 na parte externa). Os números são da Setec (Serviços Técnicos Gerais), autarquia que administra o lugar.

Isso sem dizer que é só no mercadão que ainda é possível se deparar com produtos como o fumo de rolo (R$ 50 o quilo) e a palha para cigarro (R$ 1 o pacote com 20 unidades).
No meio dessa enorme diversidade de produtos também há material para pesca, peixes ornamentais, artigos religiosos, queijos, doces, carnes e peixes.

O advogado Roberto José de Oliveira, 56, conhecido no mercadão como Manguaça, freqüenta o lugar quase diariamente há 30 anos. Além de fazer compras para sua casa, ele vai até lá para apreciar a iguaria considerada entre os freqüentadores uma verdadeira pérola gastronômica. “O pastel é maravilhoso. Às vezes eu venho só para almoçar essa delícia”, diz.

O melhor da cidade, segundo ele, fica no Bar e Lanchonete do Tio, no boxe 111, que está há oito anos sob administração de Rafael Donizete Silva, 24. O líder de vendas é o que leva recheio de bacalhau (R$ 3). Silva não alardeia o peso do produto, como fazem outros vendedores de pastel, mas garante que o dele é “bem servido”. Manguaça assina embaixo.

Além de seu preferido, com bacalhau, no Bar e Lanchonete do Tio tem também o pastel de carne (R$ 1,50), o de pizza e o de frango (ambos R$ 2) e os bolinhos de bacalhau (2,50) e de carne seca (R$ 2). Entre as cervejas, sempre geladas, tem Antártica (R$ 2,30), Brahma, Skol (2,70) e Brahma Extra (3,50). Mas o que mais leva clientes ao mercadão é a grande variedade de “secos e molhados” e de frutas, legumes e verduras frescos.

Aos finais de semana, o número de visitantes chega a 4 milpessoas. Na véspera de datas comemorativas, como Páscoa e Dia das Mães, o público chega a 10 mil. Um dos que comemoram essas ocasiões é José Antônio Peres, 50, o Toni. Há 33 anos ele vende frios, bacalhau e temperos no boxe 68.

No negócio herdado do pai, Toni toca com a mulher, Eloísa Bandiera Peres, 50, o Feijoada Brasileira. Lá, o cliente -quer dizer, o amigo- encontra diferentes tipos de carne seca (de R$ 6, a ponta de agulha, a R$ 11,50, a de coxão mole), bacon (de R$ 6 a R$ 16) e azeites (R$ 10 o mais barato, 18,50 o extravirgem), além da pimenta (R$ 7,50 o litro) e de um item que, garante, só é encontrado por ali: o arenque defumado (R$ 35 o quilo), um peixe norueguês muito apreciado em Portugal e na Itália, que pode ser servido como um delicioso tira-gosto.

Obras estão programadas para centenário

A família de Marcos César Hüsemann, 53, está há 89 anos no mercadão.Ele vende cachaças (de R$ 8 a R$ 220 a garrafa) e artesanatos (de R$ 5 a R$ 250) ao lado da tabacaria Rei do Fumo, de seu pai, Henrique, 74.

Eles têm na ponta da língua a história do local. “O prédio foi projetado por Ramos de Azevedo. Funcionou como entreposto onde ficava armazenado o açúcar que ia para Santos”, conta o filho.

Depois que foi transformado em mercado, o local passou a ser freqüentado por políticos e intelectuais. Em 1970, a prefeitura cogitou demolir o prédio para construir uma pista, mas os moradores barraram a intervenção.

Hoje não existe mais risco de demolição. Em 1982, o prédio foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo) e, em 1995, pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas). Em 2008, ele deve passar por uma revitalização.

* * *

Publicado na Folha de S. Paulo em 31/05/2007, página F16
Agradecimentos a Bruno, Toni, Manguaça, Edson e Priscila

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3 Responses to Campineiros vão às compras para fazer e para rever amigos

  1. pedroluts disse:

    Ae, Bay!
    Clap clap clap… (palmas, ô burro! hehehe)
    Parabens, muleke!!

    Do caraio!! Memo!

    ABrassss

  2. Gabriel disse:

    Complemeti!

    Parabéns pela conquista!! Um pequeno passo para a Folha, um grande passo para Juliao!!!

    Piano Piano si va lontano!!

    Entendeu tudo né?

    Parabens mlk

  3. […] cansa um dia sem fazer nada construtivo. O telefone toca. É o Renan: “Vamos no Mercadão? Li uma matéria na Folha dizendo que é muito massa.” “Eu não confiaria no repórter, mas vamos […]

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