Brau, o estereótipo do baiano

“Eu quero é prova, um real de Big Big
e o troco de Paçoquita!”
(frase típica braulesa)

Meninos, eu estava aqui vendo meus e-mails, pensando em escrever algo sobre o meu fim de semana adiado (troquei o sábado e domingo pela segunda e terça), quando resolvi deixar os relatórios festivos para uma outra hora. É porque na minha caixa de entrada tinha uma mensagem da minha mais recente amizade blogueira (e que um dia a gente torna cervejeira numa praia baiana ou pernambucana). A Stress Girl (cujo nome não revelo nem sob tortura, atendendo a pedidos) dizia ter feito um post em minha homenagem. Essa baiana, também exilada, (porém em Recife, o que me deixa em desvantagem) descreveu em minúcias um tipo baiano único: o brau. Eu só não sabia ainda que a espécie tinha nome. Agora vejo que os paulistas, os que se surpreenderam com o fato de eu não gostar de axé nem ter um sotaque carregado, vêem todo baiano como um brau. Como diz minha mais recente antropóloga favorita, os braus são

Público fiel de shows tipo pagodão baixaria e arrocha. Adoram festa de camisa (É festa de camisa e colorida!!). Sabem todas as coreografias. Os homens, quando não sabem as coreografias, dançam fingindo que estão brigando, empurrando os outros, dando socos no ar. Na praia, gostam de dar saltos mortais por minuto, carregam o oléo de urucum na cintura da bermuda ou na pochete (Desconjuro!). Alguns passam água oxigenada. Gostam de óculos espelhados, imitação da HB, Mormmai ou Arnnete. E quando não estão usando os óculos, eles colocam a parte das lentes viradas pro pescoço, apoiando as hastes nas orelhas, e fica aquela coisa que, de costas, ele parece que está de frente. No ônibus, adoram um batuque, ou um tumulto.

Eu acrescentaria que o brau não pode ouvir um axé (ou pagodão, na subcategoria que só é tratada separadamente na Bahia), mesmo distante, que começa a fazer as coreografias. Ele pode continuar conversando, continuar sentado, e ficar fazendo só os movimentos de braços e cabeça da dança – ficar parado é inadmissível.

Porém, o que é impagável no brau é o linguajar. Fiquei rindo como um retardado em frente ao computador ao ler as explicações gramaticais que a baiana deu para o braulês – o dialeto dos braus. Não deixem de ler. Nós, exilados, sentimos mais saudade da Bahia quando lembramos de coisas assim. Porém, estivéssemos lá, não teríamos essa percepção que só um certo distanciamento permite. Foi mesmo uma bênção Essa Menina (na Bahia pode-se usar essas duas palavras no lugar de nomes femininos: “Ô, Essa Menina, venha cá”) ter aparecido para lembrar a esse apaulistado o quanto nosso estado natal é diversificado. Vão lá (mas se não agüentam, peçam “dois alto” e saiam).

Um cheiro pra você, Essa Menina.

* * *

PS: Encontrei fotos de braus no Orkut, em profiles de soterapolitanos e de comunidades dedicadas à espécie. Porém, muitos caras são maiores do que eu e pode ser que algum não fique contente em ter uma foto sua publicada sem autorização. Se quiserem ver, podem encontrá-los em várias comunidades. Vale dizer que algumas são preconceituosas, que usam o termo para expor ódio a pessoas pobres. Como bem disse a Stress Girl, “ser Brau não tem a ver com cor, sexo, raça ou classe social”. Eu mesmo conheço um que faz questão de só usar bermudões coloridos, óculos escuros e tênis caros.

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4 Responses to Brau, o estereótipo do baiano

  1. Stress Girl disse:

    Ô Esse Menino!! Ainda faltaram muitas descrições sobre os Braus. Esqueci de dizer que a maioria deles não se dão (“não se dar”, expressão braulesca que significa não se contém…) quando vêem o Chicretão. Aí reside o meu outro lado Brau. E também esqueci de falar que é possível identificar um Brau pelo seu carro!! Geralmente, eles colam algum adesivo do tipo “Fui!!!” ou “Se Buzinar eu dou ré!”… tô pensando em colocar no meu “Eu beijo melhor que dirijo”… ô esse menino, vc acha que ia ficar muito brau???

    Beijos… ou em Braulês: Vou me sair…

  2. Léo disse:

    Então, Bay, o “lance da musiquinha ae” é fácim….

    é quinem do youtube..

    [audio=”link do arquivo”]

    Mas o link tem que ser direto para o arquivo mp3. Então tem que acabar como .mp3…

    Entendido?

    Abrass…e vamo que vamo no churras do Pedrão

  3. Helena disse:

    Ei, mermão..
    Pô, vei…
    Tou aqui que n sei se rio ou se choro desse post…
    Rir é meio óbvio, mas chorar de saudade dessas coisas hilárias que “só se vê na Bahia”, como já disse uma vez o márquetin da hilária TV Bahia de “Á-Cê-Mê”…
    Também sou baiana exilada, só que em RORAIMA…
    Como diriam os braus (de outros tempos remotos) – é “boca de zero nove”… 😦
    hahahahahaha
    Abraços!

    • Sara disse:

      Boca de Zero Nove…também sou desse tempo…kkk Que brau também colocava a bermuda na “boca do estômago”…E lá ia ele…Atualmente (Setembro 2015) Lázaro Ramos,atua em um programa chamado “Mister Brau”…Acho que foi inspiração do nossos braus!!

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