Tergiversações

30 julho 2007

A vontade de fazer algo fora da cama é inversamente proporcional ao frio. Novamente, me arrisco a um equívoco pelo simples regozijo de não perder uma analogia. Desta vez ainda mais, haja vista que caminho pelo pantanoso terreno da matemática. Mas deixemos de tergiversações.

Fugi de São Paulo buscando clima mais quente, mas perdi a viagem. Digo mais: foi pior. Tivesse adiantado minha estadia no apartamento de dona Juracy, minha nova hospedeira, estaria mais aquecido. Como sofre um baiano nestas plagas bandeirantes…

Sei que o leitor não tira emolumento algum dessa miríade de frases lacônicas, mas é que o frio torna este escriba, um pedante por natureza, autor de linhas ainda mais escalafobéticas. Ele se torna arredio a qualquer atividade fora do arcabouço dos cobertores. Gostaria mesmo era de fazer um convescote, por debaixo das mantas, com a sua amélia.

Mas estou fugidio, eu sei. Estou tergiversando novamente, porém, desta feita, única e exclusivamente para evitar parecer um fescenino, aproveitando-me da anomia característica da blogosfera. Retorno em algumas horas para o Túmulo do Samba. Perdoe-me a incapacidade de lavrar linhas mais relevantes. Findo aqui esta lavratura.

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Se é para o bem de todos e a felicidade…

25 julho 2007

Participe da campanha! E a contagem continua…


Água na boca

17 julho 2007

A Conrad faz essas pré-vendas só para me deixar passando vontade…


Pelo fim dos carros

13 julho 2007

Uma alternativa interessante ao atual sistema de transporte-motorizado-particular foi mostrada no Fantástico do domingo passado (quem diria). Resumindo, a idéia é de que os carros fossem menores e compartilhados por mais de uma pessoa. Você ia dirigir até seu destino e deixaria o carro lá para outra pessoa.

Acredito que esse seja um passo interessante rumo à extinção dos carros. Sim, uma transição para o que eu acho ideal, como propôs a Super do mês passado (ainda não consegui a desse mês) na matéria Sete soluções (utópicas) para São Paulo.

1. PROIBIR CARROS
A idéia: Proporcionalmente ao número de passageiros, um único automóvel ocupa 8 vezes mais espaço do que um ônibus. Mesmo assim, mais da metade dos deslocamentos de São Paulo é feita de carro. O sociólogo americano J.H. Crawford lidera um movimento radical: o Carfree, que defende a extinção dos carros em troca de qualidade de vida. Uma das saídas é investir no transporte público integrado, com ônibus, metrôs, trens e ciclovias. É o que faz com que os 35 milhões de moradores de Tóquio dependam menos de carros e não demorem longas horas para voltar do trabalho para casa. “Sozinho, o ônibus não funciona em uma cidade de 100 quilômetros de extensão lateral”, diz Geraldo Serra, professor de urbanismo da USP. Para tirar os carros das ruas, portanto, é preciso investir em trens e metrôs. E como essa utopia poderia ser aplicada em São Paulo? O arquiteto Nazareno Affonso, diretor da Associação Nacional dos Transportes Públicos, propõe restringir os carros no Centro de São Paulo, nos arredores do Teatro Municipal. A idéia poderia se estender para ruas secundárias no centro expandido de São Paulo, dando mais espaço para ciclistas e pedestres. Isso poderia ser feito com taxas para quem rodar pelo Centro, os chamados pedágios urbanos. Ou, como ele propõe, trocando os veículos por carros elétricos de dois lugares, com velocidade máxima de 60 km/h e funcionando sobre trilhos. Seria uma versão menor e moderna dos antigos bondes. O motorista seria obrigado a deixar o carro em um bolsão de estacionamento distante e dali alugar um carro menor, que usaria apenas uma faixa da rua. As outras duas caberiam aos ônibus e às bicicletas.

Onde já deu certo: Proibir carros funciona bem em cidades pequenas e médias. Com 280 mil habitantes, Veneza, na Itália, só permite o tráfego de veículos motorizados em poucas ruas. A ilha Lamma, a 3ª maior de Hong Kong, tem uma frota de automóveis pequenos, com capacidade para dois motoristas, e só para situações de emergência. Cidades maiores não conseguem acabar com os carros, mas limitam as áreas onde eles podem circular. Montreal, no Canadá, tem 32 quilômetros de passagens subterrâneas, que ligam 60 prédios comerciais e residenciais. Bogotá, que tem 300 quilômetros de ciclovias, 10 vezes mais do que São Paulo, pretende proibir carros na região central até 2015. Em Seul, o governo cobra pedágio de carros com menos de dois passageiros. O número de veículos caiu 34%.

 

 

2. PLANTAR ÁRVORES NO MINHOCÃO
A idéia: Construído no Centro de São Paulo em 1970, o elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, o Minhocão, é um bom exemplo de como grandes obras urbanísticas podem degradar um bairro. Em maio de 2006, um projeto da arquiteta Juliana Corradini venceu um concurso da Secretaria Municipal de Planejamento para eleger a melhor solução para aquele trambolho. Juliana teve a idéia de transformar a pista num túnel e, em cima dele, fazer um parque público suspenso de 3,4 quilômetros de extensão. Ela sugere erguer estruturas metálicas para sustentar a construção de galerias com cafés e bancas nas laterais. Para chegar ao parque, seria preciso subir por escadas ou elevadores. O projeto está orçado em R$ 86 milhões. Com o parque, a cidade ganharia mais um local de encontro, e os moradores, mais tranqüilidade. Seria um passo importante na proposta de revitalizar a região. Para reforçar as mudanças ao redor do Minhocão, os arquitetos Eduardo Novaes e Ciro Araújo prevêem uma diminuição do número de pistas para carros, a ampliação das calçadas e a construção de uma praça arborizada e com um anfiteatro, ali perto, na rua das Palmeiras.

Outra proposta que achei interessante foi transformar o Minhocão em um jardim suspenso. Imediatamente me lembrei de Paris, cujas estações de trem e outras obras abandonadas se tornaram espaços comunitários do tipo (o que eu só soube graças à National Geographic, claro). Vale ler a reportagem na íntegra.


Vidinha paulistana

8 julho 2007

Amigo leitor, nunca na história deste blog um texto novo demorou tanto a aparecer. Na verdade, eu precisaria checar os arquivos, mas não queria perder a paródia de Nosso Guia. Mas, sem tergiversações, apesar de ter ficado tanto tempo sem atualizar esta tribuna, nunca na história desta vida (até porque não lembro de ter tido outra) escrevi tanto para internet.

São oito horas diárias em frente ao computador, checando e-mails, buscando notícias sobre atletas e esportes desconhecidos e nem tão desconhecidos, reescrevendo, “cozinhando” textos alheios, redigindo notícias para celular e mudando chamadas da home (a parte mais divertida). Quando acaba o expediente – apesar de ser “frila fixo” e de estar numa empresa em que muita gente vara a madruga trampando, trabalho apenas as oito horas diárias da CLT – quando acaba o expediente (repito porque o aposto foi longo) não quero mais saber de computador.

OK. Oito horas é exagero… São sete. Enquanto muita gente faz duas horas de almoço, faço uma ou menos. É o preço por trabalhar com notícias “em tempo real”. Falando em hora de almoço, aproveito para emendar que tenho comido muito bem. Olha, na sexta-feira passada tomei uns chopes com um cara que trabalhou lá n’O Prédio. Ele diz que o ano que passou lá foi horrível. Mas uma coisa, meu amigo, ele faz questão de ressaltar: o “bandejão” d’O Prédio é muito bom.

Grelhados fantásticos (de calabresa a salmão), um prato especial (“do chefe”) diferente todos os dias, uma grande variedade de molhos para salada (agora só quero saber de vinagre balsâmico), sobremesas… Outro motivo para eu sair correndo da redação quando dá meu horário: a sopa do lugar é a melhor que já tomei na vida (que fique registrado que caldos – sururu, feijão, mariscos, frango, verde – não estão enquadrados na categoria sopa).

Então vim passar o fim-de-semana em Campinas e minha tia quis saber das novidades. A primeira pergunta, claro que foi sobre comida. É a obsessão dela, não gastronomicamente falando, mas naquelas de “tem que comer feijão”, “você ta magro”, “tenho que fazer o almoço”. Minha tia é do tempo em que só se comia em casa, em que restaurante era coisa de rico – e olhe lá. Então ela começa:

“Tem feijão todo dia, lá?”
“Tem de tudo todo dia”
“E quantas pessoas almoçam lá?”
“Umas quatro mil…”
“Tudo isso na casa da mulher!?!?”

Eu já havia falado mil vezes que estava na casa de um amigo, mas ela achava que eu estava num pensionato (nunca disse essa palavra na frente dela); eu falei mil e quinhentas vezes que almoçava e jantava na empresa, mas ela achava que tinha uma vovozinha, como ela, esquentando a barriga num fogão velho, fazendo comida para um monte de marmanjos, eu incluso. Minha tia (tia-avó), apesar dos 84 anos, é totalmente lúcida; só não entra em sua cabeça o fato de que alguns jovens moram sozinhos e que comem no mesmo lugar onde trabalham.

Para os amigos que me ligam, me mandam mensagens no MSN, e-mails e scraps querendo saber da minha vida paulistana, aviso que está sendo bem agradável. No primeiro dia lá arrumei uma morada para até o fim do mês; com meia hora de percurso, em apenas um ônibus, chego no trabalho; entro às 11h – acordo sem (muito) sono, tomo banho, café e ainda chego adiantado; ao chegar do trampo, fico assistindo The History Channel, às vezes acompanhado de uma Heineken, até a hora de tomar banho e dormir.

Mas o melhor é que o trabalho não me exige mais do que eu posso dar; as pessoas com quem trabalho são descontraídas, dão risada comigo; eu sei o que fazer mesmo que não mandem e não tenho deadlines apertados. Tudo muito diferente da minha experiência anterior – credo, me arrepio quando lembro.

E não se preocupe com o futuro deste blog: enquanto eu tiver histórias para contar, elas estarão aqui. Mesmo que apenas a cada fim-de-semana que eu volte para Campinas.

Aquel’abraço.