Pelo fim dos carros

Uma alternativa interessante ao atual sistema de transporte-motorizado-particular foi mostrada no Fantástico do domingo passado (quem diria). Resumindo, a idéia é de que os carros fossem menores e compartilhados por mais de uma pessoa. Você ia dirigir até seu destino e deixaria o carro lá para outra pessoa.

Acredito que esse seja um passo interessante rumo à extinção dos carros. Sim, uma transição para o que eu acho ideal, como propôs a Super do mês passado (ainda não consegui a desse mês) na matéria Sete soluções (utópicas) para São Paulo.

1. PROIBIR CARROS
A idéia: Proporcionalmente ao número de passageiros, um único automóvel ocupa 8 vezes mais espaço do que um ônibus. Mesmo assim, mais da metade dos deslocamentos de São Paulo é feita de carro. O sociólogo americano J.H. Crawford lidera um movimento radical: o Carfree, que defende a extinção dos carros em troca de qualidade de vida. Uma das saídas é investir no transporte público integrado, com ônibus, metrôs, trens e ciclovias. É o que faz com que os 35 milhões de moradores de Tóquio dependam menos de carros e não demorem longas horas para voltar do trabalho para casa. “Sozinho, o ônibus não funciona em uma cidade de 100 quilômetros de extensão lateral”, diz Geraldo Serra, professor de urbanismo da USP. Para tirar os carros das ruas, portanto, é preciso investir em trens e metrôs. E como essa utopia poderia ser aplicada em São Paulo? O arquiteto Nazareno Affonso, diretor da Associação Nacional dos Transportes Públicos, propõe restringir os carros no Centro de São Paulo, nos arredores do Teatro Municipal. A idéia poderia se estender para ruas secundárias no centro expandido de São Paulo, dando mais espaço para ciclistas e pedestres. Isso poderia ser feito com taxas para quem rodar pelo Centro, os chamados pedágios urbanos. Ou, como ele propõe, trocando os veículos por carros elétricos de dois lugares, com velocidade máxima de 60 km/h e funcionando sobre trilhos. Seria uma versão menor e moderna dos antigos bondes. O motorista seria obrigado a deixar o carro em um bolsão de estacionamento distante e dali alugar um carro menor, que usaria apenas uma faixa da rua. As outras duas caberiam aos ônibus e às bicicletas.

Onde já deu certo: Proibir carros funciona bem em cidades pequenas e médias. Com 280 mil habitantes, Veneza, na Itália, só permite o tráfego de veículos motorizados em poucas ruas. A ilha Lamma, a 3ª maior de Hong Kong, tem uma frota de automóveis pequenos, com capacidade para dois motoristas, e só para situações de emergência. Cidades maiores não conseguem acabar com os carros, mas limitam as áreas onde eles podem circular. Montreal, no Canadá, tem 32 quilômetros de passagens subterrâneas, que ligam 60 prédios comerciais e residenciais. Bogotá, que tem 300 quilômetros de ciclovias, 10 vezes mais do que São Paulo, pretende proibir carros na região central até 2015. Em Seul, o governo cobra pedágio de carros com menos de dois passageiros. O número de veículos caiu 34%.

 

 

2. PLANTAR ÁRVORES NO MINHOCÃO
A idéia: Construído no Centro de São Paulo em 1970, o elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, o Minhocão, é um bom exemplo de como grandes obras urbanísticas podem degradar um bairro. Em maio de 2006, um projeto da arquiteta Juliana Corradini venceu um concurso da Secretaria Municipal de Planejamento para eleger a melhor solução para aquele trambolho. Juliana teve a idéia de transformar a pista num túnel e, em cima dele, fazer um parque público suspenso de 3,4 quilômetros de extensão. Ela sugere erguer estruturas metálicas para sustentar a construção de galerias com cafés e bancas nas laterais. Para chegar ao parque, seria preciso subir por escadas ou elevadores. O projeto está orçado em R$ 86 milhões. Com o parque, a cidade ganharia mais um local de encontro, e os moradores, mais tranqüilidade. Seria um passo importante na proposta de revitalizar a região. Para reforçar as mudanças ao redor do Minhocão, os arquitetos Eduardo Novaes e Ciro Araújo prevêem uma diminuição do número de pistas para carros, a ampliação das calçadas e a construção de uma praça arborizada e com um anfiteatro, ali perto, na rua das Palmeiras.

Outra proposta que achei interessante foi transformar o Minhocão em um jardim suspenso. Imediatamente me lembrei de Paris, cujas estações de trem e outras obras abandonadas se tornaram espaços comunitários do tipo (o que eu só soube graças à National Geographic, claro). Vale ler a reportagem na íntegra.

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5 Responses to Pelo fim dos carros

  1. João Pedro disse:

    Porque tem gente também que perde os pontos no ônibus, né…

    Tem uns que passam a Av. Paulista, sabem disso e ainda assim…
    Bacana ontem?
    Tô com uma dor de cabeça tremenda. Ê cana!

  2. Bruno Ribeiro disse:

    Eu estou completamente de acordo!

    O mundo ideal seria onde os ônibus fossem gratuitos e circulassem 24h e toda cidade grande pudesse cintar com uma eficiente teia de metrôs. Não é apenas uma questão de bom senso, mas de sobrevivência, posto que os carros caminham para nos levar à extinção!

    O problema é que o ser humano não quer qualidade de vida, mas status. O carro, no mundo ocidental, é associado com poder, liberdade, independência e potência sexual. Quem é que vai abrir mão do carro diante desse quadro psicológico que introjetamos desde os anos 50?

    abç!

  3. osrevni disse:

    Fizeram uma coisa parecida com bicicletas em Lyon e agora em Paris. Você pega uma bicicleta aqui e devolve ali em até meia hora, de graça. Mais meia hora custa um euro, mas você pode ir pegando e devolvendo de meia em meia hora numa boa. É muito bacana!

  4. minha vida é pensar em como fazer o automóvel amigo do pedestre e das bicicletas e tb do transporte coletivo. Para isso ele tem devolver o que ele tirou deles ampliando vias para ficarem congestionadas logo depois. Pensem em todos os estacionamentos nas vias voltando a ser calçadas ou vias para bicicletas !!! Já imaginaram como SP ficaria melhor.
    gostei da proposta do Minhocão como um grande parque linear, mas ficaria bem mais barato se só colocassem terra, plantassem arvores e fizessem caminhos para pedestres e bicicletas. Haveria acesso por escadas e pelos predios que ai liberariam o andar na altura do parque para fazerem lojas , restaurantes etc, bem como para os moradores acessarem.
    Sào Paulo , melhor sem carros..
    nazareno

  5. Ana Paula disse:

    Como foi citado o projeto da Juliana Corradini e José Alves, deixo a dica para conferir o terceiro lugar do concurso de Marcelo Alex Monacelli.
    O projeto de Monacelli é muito simples e direto: transformar o Minhocão em corredor de ônibus. Dessa forma, desestimularia o uso dos automóveis particulares nessa via que rasga boa parte da cidade e beneficiaria grande parte da população, aquela que não possui automóveis próprios. Claro que isso incomodaria muitas pessoas, mas é uma idéia a se pensar.
    Duas coisas me chamaram a atenção no projeto vencedor: a primeira que o Minhocão é alargado, aproximando ainda mais a via dos edificios próximos e dificultando mais a iluminção natural ao nível da rua. A segunda coisa é como o projeto cita insistentemente como aquela via tem um tráfego intenso de 80 mil veiculos durante o dia. Ora, por que deve-se, afinal, simplesmente aceitar essa condição paulista de tráfegos intensos, que tanto prejudica a sociedade, ao invés de combate-la?
    Enfim, são apenas questões para pensar um pouco.
    Abraços

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