Ser ou não ser VIP: Um baiano no VMB 2007

29 setembro 2007
Foto: Caetano Barreira/Capricho

Ótimo, Juliette, e pra você?

Parte 1: VIPs

Eu devia estar em frente a uma planilha de Excel, ou de alguma outra ferramenta complexa para um jornalista, quando um burburinho tomou conta da redação. Só queria terminar o que estava fazendo para ir para casa, tomar um banho e assistir a qualquer coisa na televisão que não fosse a MTV. Mas, como bem disse o biógrafo de Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas.

E numa amena noite sem estrelas, cerca de duas horas depois, eu estava em frente ao Credicard Hall, com um ingresso para o camarote do VMB 2007. Logo que cheguei, vi uma fila e saí de perto, à procura da entrada dos VIPs. Afinal, eu era uma “pessoa muito importante”, e estes não pegam filas. Aqueles caras com cabelinhos atolados de gel e roupas caras e aquelas loiras com vestidos brilhantes iam para a pista, ficar de pé, suspendendo a testa e se espremendo para ver um pouco de pele dos famosos. Eu não.

Foi aí que tive meu primeiro choque: havia fila – bem menor, claro, mas havia – para o camarote. Logo me recuperei, afinal, eu havia conseguido a entrada de graça, sem nenhum esforço e… Hmmm… Algo me dizia que todos ali haviam conseguido entrar da mesma forma. Então eu era só mais um na multidão?

A fila andava e eu precisava seguir em frente. Entrei e fui à procura do meu sofá exclusivo, o A16, nas últimas fileiras, ciente da minha insignificância. Como não encontrava, fui para a frente e novamente tomado por uma renovação de ânimo: eu ficaria na primeira fila. A 16. Mas, ser VIP traz amigos? Não ter os companheiros por perto é o preço por ser VIP? Eu estava lá, sim, mas estava sozinho.

Pedi uma cerveja (cinco reais a latinha de Skol! “Cadê o proseco grátis!?”, gritei por dentro) e me acomodei. Uma americana baixinha tocava um rock sem pretensões, que me agradava. Demorei a ligar a pessoa ao nome: era Juliette Lewis e sua banda The Licks. Falou algo sobre estarem esperando uma certa soap opera terminar para dar início à festa. E pronunciou com o sotaque previsível: “Paraíso Tropical”.

Foi então que ela apareceu. Não, não a Daniela Cicarelli (que aliás, descobri que não tem bunda). Eu estava perdido em meus pensamentos quando um doce sotaque cantado me interrompeu: “posso sentar aqui?”. Virei-me e dei de cara com os olhos mais verdes que já vi. Ela era morena, de cabelos longos e negros, e usava uma roupa justa o suficiente para mostrar suas formas. O Destino parecia mesmo estar brincando comigo.

Pedimos mais duas cervejas enquanto ela me contava sua história: era de Santa Catarina, estava há três dias em São Paulo, veio para “conhecer” a cidade, sozinha, quando soube do VMB. No dia anterior, havia assistido ao ensaio – e a prova é que ela sabia o que todo mundo ia dizer e narrava com convicção o que havia rolado: a Cicarelli não agüentava mais repetir as mesmas frases, o Lobão brigou, a Íris não conseguia decorar as falas, a Bárbara Paz ia falar um monte de palavrão.

Logo chegou a Priscila, colega de “firma”, outra agraciada pelo ingresso inesperado. Nossa amiga não parava sentada, tirando fotos, cantando Sandyjúnior e a tal da “Razões e Emoções”, perguntando se conhecíamos famosos – chegou a pronunciar um “eu sabia” quando mentimos que o Sandyjúnior havia dito para nós que era gay. Ela tinha ido para a frente do Credicard Hall sem ingresso, disposta a qualquer coisa para ver os ídolos, até que comprou uma entrada de alguém, foi para a parte mais distante da platéia e desceu, sem que ninguém a incomodasse, para o camarote. Uma guerreira.

A premiação rolava, com toda sua previsibilidade, e eu estava convencido da derrota naquele round. Não havia como disputar atenção com Sandyjúnior e bandas emo. Não se você quisesse algo com aquela menina. Na festa que seguiria a premiação, nos entenderíamos. Acontece que, apesar de guerreira, ela não era VIP. Outro fosso que nos separava além do gosto musical. “Ai, gente, será que vocês não conseguem me por na festa?”. Podemos tentar, querida, podemos tentar.

Mas, na fronteira entre VIP e Wanna Be, a lei é dura. Os seguranças sequer olharam para o (belo) rosto da nossa amiga. E tivemos de nos despedir. Sei que a cara de choro não era por mim. Sei que o primeiro famoso que lhe desse atenção a tiraria de mim. E por isso não lamentei ainda mais nossa separação. O primeiro round se encerrava.

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Isso merece um post

25 setembro 2007

O vídeo acima é tão bom que não me dei ao trabalho nem de mudar o título do post: simplesmente chupinhei do Videorama. Trata-se de uma entrevista com o “blogodependente” Daniel Matos, na verdade, um quadro humorístico do programa Hora H, da TV portuguesa. O sotaque o torna ainda mais engraçado. Lol, lol, lol! Isso merece um post!

Já desabafei.


Cafezes

19 setembro 2007

A natureza é mesmo impressionante, por mais que isso soe clichê. Alguns processos naturais podem nos servir muito melhor do que aqueles que o homem criou. Veja o caso a seguir: um bichinho da indonésia, o luwak, da mesma família do gambá, adora comer café. Mas o ser é tão refinado que só come os melhores grãos. Depois que os engole, seu sistema digestivo faz uma fermentação que tira toda a acidez do café. Os grãos ficam intactos e são excretados. O homem só precisou catar esse café “beneficiado naturalmente” e fazer o melhor café do mundo!

 

“Credo! Cocô!”, você pode estar aí dizendo, já se recusando a ler o resto deste texto de tanto nojo. Mas não seja fresco – lembre-se que mel é puro vômito de abelha. O café é higienizado e fornece uma bebida que nem precisa de açúcar, de tão suave. Dizem que parece um chocolate meio amargo. Entre mim e meus amigos “gourmets” a bebida ganhou o carinhosos apelido de “cafezes”. Planejamos há alguns meses irmos todos juntos experimentar a bebida, cuja xicrinha custaria cerca de R$ 20. É então que um desses companheiros de refinado paladar me manda a notícia bombástica de que o único lugar que vendia “cafezes” no Brasil não vende mais. Terei de sair do País para prová-lo.

De qualquer forma, se você ainda faz cara feia ou apenas quer saber mais sobre o café luwak, vale ler esta matéria no G1 (com infográfico animado e tudo!) e esta outra na Galileu. Antes, saiu um divertido relato na VIP (janeiro/2007, Kelly Key na capa).


Olhos marejados e um aperto no coração

18 setembro 2007

Um simples encontro de final-de-semana, com apenas algumas das pessoas mais especiais que conheci até hoje, e lá se vai a minha armadura de cara que não sente saudades da faculdade. Das aulas inúteis, dos professores que mostraram o caminho a não seguir, realmente não sinto falta. Mas dessas pessoas… Cá estou eu, sozinho no meu quarto, revendo essas cenas, quando tudo vem à tona. Olhos marejados e um aperto no coração. Ele até que chegou perto, mas não há discurso que resuma o que eu sinto agora.


Meu rebento agora é livre

16 setembro 2007

A gente cria os filhos para que eles ganhem o Mundo. Não temos o direito de guardá-los para nós, não podemos querer protegê-los do que os espera lá fora. É por isso que, depois de uma certa relutância, liberei meu único rebento para que ele siga por caminhos que eu nem sei quais serão. Espero que sejam iluminados.

Meu livro, Caminho Iluminado – Trilhando a rota do Jornalismo Gonzo, escrito com o amigo e parceiro de idéias Renan Magalhães, agora está livre para seguir seu curso. Quem quiser tê-lo, basta fazer o download. Como não nos decidimos logo a fazer uma revisão e ampliá-lo para mandar para editoras, estamos liberando-o. A internet nos ajudou muito para que ele fosse feito e, graças a web, ele terá alcance muito maior do que se ficasse apenas em algumas prateleiras.

Uma pena não podermos disponibilizar a belíssima capa feita pelo artista Gustavo Sobral, mas, se aparecer algum mago que junte tudo num só arquivo, assim será feito. As ilustrações e a diagramação, no entanto, permanecem. E, é claro, lembramos que não desistimos de editá-lo. Estamos apenas fazendo um “recesso por tempo indeterminado” para o amadurecimento das idéias, até que possamos oferecer algo além desta já ousada empreitada.

Cuide bem do menino. Eu estarei de olho.

* * *

PS: Apesar do livro não ter sido publicado por nenhuma editora, está devidamente registrado como trabalho acadêmico, conforme consta na ficha catalográfica. Portanto, se pensou em plagiá-lo, pense nas conseqüências legais.


Siga o mestre

13 setembro 2007

Ele garante 

Bob Dylan não deve saber ler português, por isso deve ter tido ajuda de algum tradutor (desconfio que o cara trabalha na Globo) para ler o meu blog. Deve ter gostado muito, pois até fez um vídeo recomendando este modesto sítio. Não tenho palavras para expressar tamanha emoção. Assista.


11 de setembro

11 setembro 2007

Hoje é aniversário do meu amigo Batata. Logo que nos conhecemos, em 2003, ele disse que eu não esqueceria nunca a data em que ele nasceu. Tinha razão, afinal, o cara comemora no dia do atentado terrorista mais televisionado de todos os tempos! Mas o único órgão da imprensa (cof, cof, cooooof!) a dar a devida atenção ao aniversário deste iluminado ser humano é este blog. Então vamos à grande imprensa. Isso aqui também vale ser lido.

E Mohamed não brincou em serviço com o mulherio. Teve 54 filhos (25 homens e 29 mulheres). Religioso e intolerante, era frio com os familiares. Quem lhe arranjava esposas – quase sempre adolescentes – era seu piloto, um americano com olho clínico para beldades. Em 1956, o gringo lhe trouxe a belíssima Hamida. Foi a sua 10ª esposa. Metida a patricinha, de educação ocidental, a moça enlouqueceu o conservador Bin Laden ao insistir em usar modelitos Chanel, e não as roupas fechadas das mulheres sauditas. Tiveram apenas um filho, em 1957, e depois o casamento acabou. O nome da criança? Osama bin Laden.

Osama nunca me enganou! Eu sabia que ele tinha genes ocidentalizados! Por essa matéria e por outras é que você não pode perder a Super de setembro. Agora a pouco topei com o mestre Celso Miranda e dei os devidos parabéns à excelente matéria de capa sobre Auschwitz. Primorosa.