Ser ou não ser VIP: Um baiano no VMB 2007

Foto: Caetano Barreira/Capricho

Ótimo, Juliette, e pra você?

Parte 1: VIPs

Eu devia estar em frente a uma planilha de Excel, ou de alguma outra ferramenta complexa para um jornalista, quando um burburinho tomou conta da redação. Só queria terminar o que estava fazendo para ir para casa, tomar um banho e assistir a qualquer coisa na televisão que não fosse a MTV. Mas, como bem disse o biógrafo de Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas.

E numa amena noite sem estrelas, cerca de duas horas depois, eu estava em frente ao Credicard Hall, com um ingresso para o camarote do VMB 2007. Logo que cheguei, vi uma fila e saí de perto, à procura da entrada dos VIPs. Afinal, eu era uma “pessoa muito importante”, e estes não pegam filas. Aqueles caras com cabelinhos atolados de gel e roupas caras e aquelas loiras com vestidos brilhantes iam para a pista, ficar de pé, suspendendo a testa e se espremendo para ver um pouco de pele dos famosos. Eu não.

Foi aí que tive meu primeiro choque: havia fila – bem menor, claro, mas havia – para o camarote. Logo me recuperei, afinal, eu havia conseguido a entrada de graça, sem nenhum esforço e… Hmmm… Algo me dizia que todos ali haviam conseguido entrar da mesma forma. Então eu era só mais um na multidão?

A fila andava e eu precisava seguir em frente. Entrei e fui à procura do meu sofá exclusivo, o A16, nas últimas fileiras, ciente da minha insignificância. Como não encontrava, fui para a frente e novamente tomado por uma renovação de ânimo: eu ficaria na primeira fila. A 16. Mas, ser VIP traz amigos? Não ter os companheiros por perto é o preço por ser VIP? Eu estava lá, sim, mas estava sozinho.

Pedi uma cerveja (cinco reais a latinha de Skol! “Cadê o proseco grátis!?”, gritei por dentro) e me acomodei. Uma americana baixinha tocava um rock sem pretensões, que me agradava. Demorei a ligar a pessoa ao nome: era Juliette Lewis e sua banda The Licks. Falou algo sobre estarem esperando uma certa soap opera terminar para dar início à festa. E pronunciou com o sotaque previsível: “Paraíso Tropical”.

Foi então que ela apareceu. Não, não a Daniela Cicarelli (que aliás, descobri que não tem bunda). Eu estava perdido em meus pensamentos quando um doce sotaque cantado me interrompeu: “posso sentar aqui?”. Virei-me e dei de cara com os olhos mais verdes que já vi. Ela era morena, de cabelos longos e negros, e usava uma roupa justa o suficiente para mostrar suas formas. O Destino parecia mesmo estar brincando comigo.

Pedimos mais duas cervejas enquanto ela me contava sua história: era de Santa Catarina, estava há três dias em São Paulo, veio para “conhecer” a cidade, sozinha, quando soube do VMB. No dia anterior, havia assistido ao ensaio – e a prova é que ela sabia o que todo mundo ia dizer e narrava com convicção o que havia rolado: a Cicarelli não agüentava mais repetir as mesmas frases, o Lobão brigou, a Íris não conseguia decorar as falas, a Bárbara Paz ia falar um monte de palavrão.

Logo chegou a Priscila, colega de “firma”, outra agraciada pelo ingresso inesperado. Nossa amiga não parava sentada, tirando fotos, cantando Sandyjúnior e a tal da “Razões e Emoções”, perguntando se conhecíamos famosos – chegou a pronunciar um “eu sabia” quando mentimos que o Sandyjúnior havia dito para nós que era gay. Ela tinha ido para a frente do Credicard Hall sem ingresso, disposta a qualquer coisa para ver os ídolos, até que comprou uma entrada de alguém, foi para a parte mais distante da platéia e desceu, sem que ninguém a incomodasse, para o camarote. Uma guerreira.

A premiação rolava, com toda sua previsibilidade, e eu estava convencido da derrota naquele round. Não havia como disputar atenção com Sandyjúnior e bandas emo. Não se você quisesse algo com aquela menina. Na festa que seguiria a premiação, nos entenderíamos. Acontece que, apesar de guerreira, ela não era VIP. Outro fosso que nos separava além do gosto musical. “Ai, gente, será que vocês não conseguem me por na festa?”. Podemos tentar, querida, podemos tentar.

Mas, na fronteira entre VIP e Wanna Be, a lei é dura. Os seguranças sequer olharam para o (belo) rosto da nossa amiga. E tivemos de nos despedir. Sei que a cara de choro não era por mim. Sei que o primeiro famoso que lhe desse atenção a tiraria de mim. E por isso não lamentei ainda mais nossa separação. O primeiro round se encerrava.

Parte 2: Famosos

Entro na festa. E que festa. Além do proseco e da cerveja, havia uísque Red Label, vodka Smirnoff, Smirnoff Ice, caipirinha e refrigerante; cachorro quente, porções de macarrão com molho, sanduichinhos envoltos em celofane, chocolate… Tudo muito superior a muita festa de gente que se acha VIP.

Mas novamente eu estava sozinho. Ser VIP não seria ter influência suficiente para por qualquer um lá dentro? Bom, eu não podia me ater a estas questões, minha taça estava ficando vazia. Em homenagem aos meus amigos, que não estavam lá, eu tinha de cumprimentar algum famoso. Era meu dever.

Diego Hipólito? Não. Conhecer o Popeye brasileiro não seria digno de perguntas curiosas dos amigos depois que eu falasse dos antebraços mais estranhos que já vi. Sim, são maiores que os bíceps. Bizarro. Nando Reis seria uma boa. Ele havia subido ao palco para cantar com o Cachorro Grande – o melhor da noite – e agora vem em minha direção. Quando está a poucos passos do melhor ponto para o nosso cumprimento, tropeça numa mulher, pede desculpas e sai meio atordoado. Abro a boca para falar, projeto minha mão esquerda em direção ao seu ombro direito, minha mão direita à sua e então… Ele passa reto. Olho em volta procurando alguém rindo de mim. Quero acreditar que o mico não foi notado.

Vesgo e Sabrina passam de mãos dadas. Ele não está com o Silvio e não há câmeras por perto. Estará pegando a japa? Resolvo não incomodá-los. Apenas solto um “Vesgô!”, para não passar em branco, e sigo adiante. Jimmy, do Matanza… Sério demais. Grande e intimidador. Não posso ser ignorado por outro ruivo na mesma noite. Resolvo não arriscar.

Os caras do Skank estão todos. Separados. O baixista com uma camisa florida horrorosa e uma linda mulher (ou seria o contrário?). O apreço pelo som da banda não é suficiente para me fazer cumprimentá-los. O último CD que ouvi foi “Siderado”, há uns 10 anos. Além do mais, proseco não me deixa tão desinibido quanto cerveja.

Supla! O Papito havia anunciado, junto do papito original, a apresentação do Sandyjúnior. Momento Vergonha Alheia do VMB 2007: o senador Eduardo Suplicy entra simulando uma luta de boxe com o filho, fala fazendo um movimento difícil de descrever e ainda “canta” um trecho da música da Sandyjúnior (e depois ainda citou a dupla desse jeito!). Pena, sinto pena. E na festa, Supla, de saias, está entretido com conhecidos. Hunf! Não tenho de cumprimentar gente que não conheço, ainda mais que podem ser hostis à minha presença. Meu problema agora é outro: preciso de uma carona.

* * *

Só minhas chefas salvam: uma me proibiu de tomar cerveja – “só proseco” –, outra me deu carona na ida e, agora, outra me tiraria daquele lugar. Logo o VIP aqui estaria dentro de um ônibus cheio de trabalhadores. Na minha rua, o nordestino, dono da lanchonete em que tomo meu pingado diariamente, chegava para abrir o estabelecimento; os passarinhos gorjeavam em uníssono na praça e, em casa, dona Juracy se preparava para ir trabalhar.

Eram 5h30 da matina. Logo que entrei no quarto, o despertador do meu roomate tocou. Dona Juracy sai do banho, me encontra no corredor e diz: “Nossa, por que acordou tão cedo hoje?”. Como diria o Suplicy, não dá tempo pra mais nada… Muito menos para explicações.

Da minha noite como VIP, até que restou algo: esta história, a musiquinha do NX Zero grudada na cabeça – pior do que qualquer ressaca ou noite mal dormida –, uma rápida aparição na MTV como papagaio de pirata, uns downloads da Juliette Lewis, a melhor festa que já fui sozinho, a lembrança dos olhos mais verdes já vistos. E o mais importante, uma lição: ser ou não ser VIP é uma questão de perspectiva.

Anúncios

2 Responses to Ser ou não ser VIP: Um baiano no VMB 2007

  1. Sílvia disse:

    OI menino!!!

    Passei um tempinho sem aparecer, mas tb qdo apareço ta cheio de novidades hein??? Quer dizer q vc foi parar de VIP no VMB… q comédia!!!rs
    Já passei por situação parecida qdo trabalhei num site q tinha q cobrir todas as festas que bombavam na cidade (chato isso!rsrsrs). E as vezes n conseguia ng pra ir comigo, o jeito era iro sozinha mesmo, só eu e minha máquina… Mas no final até que nao era tao ruim….rs

    Qdo tiver um tempinho passa lá, tá tudo em reforma, afinal a novela acabou né?!rsrsrs

    Bjao

  2. Stress Girl disse:

    Que coméééédia!!!
    Tá mais pra Vipt e vupt…. hahahah

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: