Porque eu gosto de São Paulo

29 dezembro 2007
Praia de Trancoso, Bahia

Gosto de céu também…

Trancoso é o lugar mais lindo que eu conheço. Não tenho muitas milhas rodadas para poder dizer que é o mais lindo entre todos do mundo. Mas, certamente, é o mais bonito entre os poucos que pus os pés. E mesmo que encontre outro lugar cuja simples visão seja melhor, creio que será difícil encontrar outro em que eu me sinta tão bem.

Assim que piso naquela terra, sinto uma comunhão entre mim e ela (uma coisa meio John Locke e “The Island”, na série Lost). Isso ainda antes de chegar à praia, esta sim, o melhor lugar no melhor lugar do mundo. Porque, para mim, não existe lugar que eu goste mais do que praia. Se a de Trancoso é a minha favorita, logo, a praia de Trancoso é o melhor lugar para estar.

Praia de Trancoso, Bahia

Cachorrinho feliz

Esqueço tudo. Limpo minha mente. Me concentro, sem nenhum esforço, apenas na vista e no som do mar. Vale qualquer esforço, qualquer sacrifício. Só quando me afastei da praia foi que entendi sua importância em minha vida. Não gosto da praia porque tem gente, porque “rola azaração”, nada disso. Gosto do mar. Puro e simples. Quanto menos gente, melhor.

Quando olho aquele mar azul de Trancoso, voltar para ele passa a ser a única razão para eu trabalhar o ano inteiro, morar em São Paulo, suportar diariamente aquela poluição do ar, visual e sonora. Todo o resto – ascensão social, sucesso profissional, prestígio – passa a ser apenas uma resposta pronta, uma justificativa apenas para as pessoas que não comungam com o mar.

Mirante em Trancoso

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!

Amanhã volto para o purgatório chamado São Paulo – o mal necessário em minha vida. Nunca minhas “férias” foram tão boas, mesmo passando apenas uma semana aqui. Esses poucos – mas intensos – dias me fizeram enxergar um mundo muito mais calmo, onde a razão para se estar num lugar é simplesmente estar neste lugar.

Vou continuar voltando para cá. Não mais por Porto Seguro, mas por Trancoso. Posso continuar não conhecendo muitos lugares, continuar a ser um cara pouco viajado. Mas para quem comunga com um lugar, não é preciso muitos outros além dos lugares opostos.

Eu gosto de São Paulo porque ela me faz ver como gosto de Trancoso. E vice-versa.


Trancoso é azul

27 dezembro 2007

Praia de Trancoso, Porto Seguro, Bahia

Um tostão do que foi a minha quarta-feira. O sol estava tinindo, o mar, azul, a cerveja, gelada. As piscinas naturais tinham peixinhos e água quente. A cada dez mulheres, nove eram lindas (lindas!). Nada de ambulantes, nada de pressa. Simplesmente perfeito.


Happy Tree Friends te desejam um feliz Natal

25 dezembro 2007

Happy Tree Friends – Stealing The Spotlight: estes autores têm sede de sangue!


Missão Natal

24 dezembro 2007

Papai Noel em Porto Seguro, na véspera do Natal de 2006

Escrevo este post em cima da hora. Sério: estou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, numa conexão wi fi, na sala de embarque, em frente ao portão 21A. Acabo de ser avisado pelo meu notebok que a conexão está no nível “excelente”. Meu vôo não está atrasado, cheguei cedo mesmo. Parto às 17h30 (são 15h55), para Porto Seguro, com uma misão.

Não estou indo à passeio. Vou em busca da reportagem da minha vida. Aquela que vai mudar o significado do Natal para todos: vou tentar entrevistar Papai Noel. No ano passado, quase pego o velho mais rico do mundo, mas, cercado por um forte esquema de segurança, não permitiu que me aproximasse em seu momento de lazer.

Mas, este ano, ele não me escapa. E o Esso e o Pulitzer serão o mínimo para mim. Os prêmios vão mudar de nome para Prêmio Julião de Jornalismo. Quem viver, verá!

Aeroporto de Guarulhos, avião da GOL

Minha visão da sala de embarque: este GOL acaba de voar para Salvador

* * *

PS: Um feliz Natal para todos, ainda na forma tradicional. No ano que vem, pode ser tudo bem diferente.


Balanço 2007 na Cardeal, com Original

23 dezembro 2007

Rua Cardeal Arcoverde à noite

A Cardeal com efeitos de uma câmera ordinária de celular

Três dias sem um post, mas é que eu estava esperando a raiva passar. No penúltimo dia de trabalho, antes do recesso de fim de ano, fico sabendo que terei de trabalhar no dia 1º de janeiro (!!). Foi preciso ouvir muitas histórias de gente que vai trabalhar no Natal e no Reveillón, nesta última e na primeira semana do ano, para conseguir engolir a seco a situação.

O Hugo e o Rapha, que moram comigo, são outros dos bravos jornalistas que vão “abrir mão” (como se houvesse opção) das festividades de fim de ano para garantir o fornecimento de notícias para os brasileiros, ávidos por informações da Corrida de São Silvestre e de tudo mais que acontece neste movimentado período do ano.

Por isso que, ontem, eu e Hugo nos presenteamos com a presença um do outro, em um de nossos lugares favoritos: o bar (O Rapha já tinha zarpado). A prosa rendeu, das quatro da tarde até as nove da noite. Isso porque deu fome e resolvemos apreciar o tempero do China in Box em casa.

cardeal-11.jpg

Baixou um Ralph Steadman na câmera

Fizemos um balanço do ano de 2007 em nossas vidas. A Rua Cardeal Arcoverde nos proporcionou a trilha sonora (buzinas e motores), o cemitério da mesma rua nos deu a paisagem (árvores em meio ao cimento) e a noite e as câmeras de celular renderam as fotos deste post (prometo trazer umas mais azuis da Bahia).

O ano foi bom, não há dúvida. Daqueles que marcam uma transição em nossas vidas e, conseqüentemente, em nossas cabeças. Que outro ano foi este? 2003: primeiro ano de faculdade, a cidade pequena fica para trás, vem a faculdade e a metrópole. E agora, 2007: sai a cidade grande, vem a cidade imensa, São Paulo; acaba a faculdade, vem o mercado de trabalho, a independência financeira e, ainda neste mesmo ano, o fim do deslumbramento.

Hugo em cores invertidas

Hugo, em cores invertidas, mas com idéias corretas

Sobre São Paulo, continuo sem opinião formada (o Hugo está convicto de que gosta). Talvez eu goste, só não tenha certeza. É certo que em nenhum outro lugar eu poderia levar a vida que levo. Lembrei de Tom Jobim, que teria dito uma vez: “Viver nos Estados Unidos é ótimo, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é ótimo.”. É a minha definição de viver em São Paulo. Mesmo havendo outras cidades que eu adore, aqui é o meu lugar.

Que 2008 seja a mesma “merda”.


Hoje eu tou puto (e a tendência é piorar)

20 dezembro 2007

Mais um da Terça Insana. Porque eu prefiro ter um filho viado do que ter um filho velha. E a abstinência de praia tá foda!

Dedicado à Anita, que dividirá momentos de mau humor comigo, caralho!

Abstinência de praia

19 dezembro 2007


Ouça estes sons enquanto lê este post e me dê razão

Se dezembro chega e ainda estou em solo bandeirante, os sintomas começam a se manifestar. Eles vêm de repente, numa explosão de mau humor que só tem um tratamento: uma viagem a Porto Seguro. Meu corpo ainda não está preparado para agüentar um ano sem água salgada, areia fofa e o som das ondas.

Por isso, a esta altura do ano, começo a ter espasmos de radicalismo (“É preciso pôr fim a todos os carros!”), passo a questionar seriamente os rumos da minha carreira (Onde estarei daqui a 10 anos neste ritmo?”), tenho certeza de uma incompetência nata (“Sou um jornalista medíocre, mas sou pior do que todos os jornalistas medíocres porque tenho consciência da minha mediocridade e simplesmente me conformo com isso.”).

Embora você possa concordar com tudo isso o ano inteiro, logo eu estarei relativizando e tomando consciência de que a vida é boa e cheia de possibilidades, seguindo o mantra do Inagaki. Se estou me enganando, prefiro a ignorância, ora. E dá licença que ainda tem Heineken na geladeira (entendeu agora o tal contexto do post anterior?).

Mas tudo isso não elimina o fato de que preciso, de verdade, de praia, neste momento. Agora. Como a vida é boa e… consegui, mesmo recém-contratado, um recesso de uma semana. E, é lógico, óbvio, claro como água (não a do Tietê nem a do Pinheiros) que vou para minha terra. Não fazer nada quando estiver em casa, apreciar o mar e me fundir com ele quando estiver na praia e me entupir de comidinhas à base de mariscos e cerveja gelada quando estiver no bar, um onde a dona me chame pelo nome.

Isso é vida. Todo o resto é uma ilusão, uma doce mentira que repetimos todos os dias para nós mesmos… Mas talvez eu já esteja me entorpecendo com os efeitos da praia, começando a não mais relativizar nada e esquecendo que chega uma hora nas férias em que vou enjoar de tudo e querer apenas voltar para a poluição, o trânsito, o trabalho. Onde a maior felicidade será passar um dia inteiro no meu apartamento alugado e achar isso mais divertido porque quem paga o aluguel sou eu.

Não preciso de muito para ser feliz.