Abstinência de praia


Ouça estes sons enquanto lê este post e me dê razão

Se dezembro chega e ainda estou em solo bandeirante, os sintomas começam a se manifestar. Eles vêm de repente, numa explosão de mau humor que só tem um tratamento: uma viagem a Porto Seguro. Meu corpo ainda não está preparado para agüentar um ano sem água salgada, areia fofa e o som das ondas.

Por isso, a esta altura do ano, começo a ter espasmos de radicalismo (“É preciso pôr fim a todos os carros!”), passo a questionar seriamente os rumos da minha carreira (Onde estarei daqui a 10 anos neste ritmo?”), tenho certeza de uma incompetência nata (“Sou um jornalista medíocre, mas sou pior do que todos os jornalistas medíocres porque tenho consciência da minha mediocridade e simplesmente me conformo com isso.”).

Embora você possa concordar com tudo isso o ano inteiro, logo eu estarei relativizando e tomando consciência de que a vida é boa e cheia de possibilidades, seguindo o mantra do Inagaki. Se estou me enganando, prefiro a ignorância, ora. E dá licença que ainda tem Heineken na geladeira (entendeu agora o tal contexto do post anterior?).

Mas tudo isso não elimina o fato de que preciso, de verdade, de praia, neste momento. Agora. Como a vida é boa e… consegui, mesmo recém-contratado, um recesso de uma semana. E, é lógico, óbvio, claro como água (não a do Tietê nem a do Pinheiros) que vou para minha terra. Não fazer nada quando estiver em casa, apreciar o mar e me fundir com ele quando estiver na praia e me entupir de comidinhas à base de mariscos e cerveja gelada quando estiver no bar, um onde a dona me chame pelo nome.

Isso é vida. Todo o resto é uma ilusão, uma doce mentira que repetimos todos os dias para nós mesmos… Mas talvez eu já esteja me entorpecendo com os efeitos da praia, começando a não mais relativizar nada e esquecendo que chega uma hora nas férias em que vou enjoar de tudo e querer apenas voltar para a poluição, o trânsito, o trabalho. Onde a maior felicidade será passar um dia inteiro no meu apartamento alugado e achar isso mais divertido porque quem paga o aluguel sou eu.

Não preciso de muito para ser feliz.

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4 Responses to Abstinência de praia

  1. Verena disse:

    Você quer praia e eu quero minha gente pé-vermelha!
    Não há nada como estar em casa, sim! Mas, enquanto o próximo feriado não chega, a gente tenta fazer dessa loucura “bandeirante” algo mais parecido com casa… (vide bolinhos de chuva furtivos com açucar e canela)

    Viva Porto Seguro! Viva Londrina!

    😉

  2. Stress Girl disse:

    Eu tb tô nessa. Quero praia sem tubarão, sem forró, sem frevo!! Quero acarajé, axé music, barraquinhas na praia. Quero meu sotaque, quero ouvir meus amigos me chamando pra comer agua, ao inves de ouvir: Vamos “tumá” uma cerveja?
    Eu quero a Bahia.

  3. […] um da Terça Insana. Porque eu prefiro ter um filho viado do que ter um filho velha. E a abstinência de praia tá […]

  4. João disse:

    Man, sempre pense: você tá melhor que eu.

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