Pisando em ovos

Ovos

É, voltei. Mas não se anime tanto. Ainda estou passando por um período sabático. Ando questionando muito a função de um blog como este. Na verdade, já sei: nenhuma. Nenhuma para todos que não sejam o próprio autor. O mais sensato, portanto, seria implodir isso aqui.

Pensei bastante na possibilidade. Juro. Mas quero dar uma chance – às duas pessoas que pediram para continuar, a mim mesmo como escriba (porque já rejeito o rótulo de blogueiro). A gota d’água foram os “blogueiros” presentes na Campus Party. Foi uma experiência profissional ótima – fazer um blog atualizado várias vezes ao dia – e também uma boa oportunidade de rever a função destes sites/cidadãos.

Mais do que nunca acredito que blogs são ótimas FERRAMENTAS, mas não devem ser usados como MENSAGEM. É um sentido antimcluhan: o meio não é a mensagem. “Blogar” por “blogar”, para falar de outros blogs, no way.

Tem muito blogueiro se achando a vanguarda – do jornalismo, da opinião, da sabedoria. A maioria, no entanto, são comentadores. Isso não seria mau se eles se pusessem em seus lugares. Mas teve um cidadão que teve a pachorra de dizer que quer “competir” com Paulo Francis, Veríssimo, Ancelmo Góis… Faça-me o favor.

E o “manifesto” do cidadão é apenas parte de seu discurso. Na Campus Party, o cara falava como se fosse um coitadinho, um injustiçado pela “velha mídia”, um “sou uma puta fonte de informação e ninguém me dá o devido valor”… Patético.

Ando repensando muito a razão disto estar no ar. Mas ao menos sei que, pior do que blog de comentador, é blogueiro que se acha importante. Os caras querem comparar a importância deles com a de autores de blogs que conseguem convocar um debate de presidenciáveis democratas nos EUA!

* * *

Bom, mas chega de tomar seu tempo. Sabe aquele relato do carnaval no Rio? Está guardado, pode ser que apareça por aqui. Meu companheiro de viagem foi meu maior incentivador de que não é preciso/saudável transformar uma experiência em discurso, pois ela fica reduzida a discurso. Agora ele pede que eu publique nossa aventura nestas páginas… Talvez porque, depois de um longo tempo de reflexão (e uma balada bem introspectiva), cheguei à conclusão de que o discurso é parte da experiência. A experiência só é boa ou ruim porque foi relatada, compartilhada.

E é por isso que este blog sobreviveu a essa turbulência que tomou conta da minha cabeça nas últimas semanas. Tenho ainda muitas idéias aqui na mente, mas preciso avaliar até que ponto elas são relevantes para merecer compartilhamento (espalhar mais lixo pela rede é um crime). Escrever para os outros é pisar em ovos.

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