Giovanna Biotto, minha veterana

12 dezembro 2007

Giovana Biotto, ensaio sensual para The Girl

 

Eu estava decepcionado com a minha faculdade, a PUC-Campinas, porque não vi nenhum “bixo” entre os selecionados para o Curso Abril 2008. Ainda posso estar enganado, afinal, não conheço quase ninguém daquela turma de calouros pelo nome.

 

Mas quando vinha para casa, recebo uma ligação que iluminou minha noite. O colega Markito conta que nossa veterana, Giovanna Biotto, está num ensaio sensual no The Girl. E, como se não bastasse, sou assinante do Terra e posso ver fotos como esta acima. Para quê jornalistas que escrevem bem? Minha faculdade teve Giovanna e muitas outras.

Eu via todo dia. Me inveje.

* * *

UPDATE: O Dedada Digital, com todo seu orgulho de ser heterossexual, disponibiliza o ensaio todo. Agora você não tem desculpas para não ver.

Anúncios

Dia de sonho

27 junho 2007

Terça-feira, 26 de junho de 2007

Acordei, mas não abri os olhos. Queria voltar a dormir para continuar o sonho interrompido pelo barulho dos gatos. Malditos gatos. Mas será que aquele sonho ia acabar de qualquer jeito? Será que existe um tempo máximo de duração? Já demorava um bom tempo, mas eu queria mais. Estava evoluindo de algo sem nexo (como todos os sonhos) para uma cena totalmente realista. Era tão real, juro, tão real, que a mão direita que ela segurava, no sonho, estava quente quando acordei. Eu ainda podia sentir os dedos dela entrelaçados entre os meus. Mas acabou. Voltei a dormir, tive outro sonho, mas tão insignificante que nem me lembro como foi.

Acordado em definitivo, apenas me espreguiçando, me preparava psicologicamente para outro cansativo dia de desemprego. Quem trabalha não tem noção como cansa um dia sem fazer nada construtivo. O telefone toca. É o Renan:
“Vamos no Mercadão? Li uma matéria na Folha dizendo que é muito massa.”
“Eu não confiaria no repórter, mas vamos nessa…”

Outro colega de ócio foi encontrado, por acaso, no Centro. O matonense Marcel uniu-se ao grupo e provavelmente foi salvo de “almoçar” no McDonalds. Renan queria experimentar o pastel de bacalhau do Bar do Tio. Eu queria provar o bolinho de carne seca que deixei de comer da outra vez. Os dois paulistas, devoradores de fast food que não comem clássicos como… feijão (!), aprovaram o pastel. Como havia acabado de almoçar, só comi um bolinho de bacalhau e o tão desejado de carne seca. O segundo me impressionou. Melhor do que o de bacalhau!

Mas, gratificante mesmo, foi ser bem recebido pelo Rafael depois de ter escrito uma matéria sobre o Mercadão e o bar dele. Poucas vezes o jornalista ganha um sorriso quando vê uma fonte pela segunda vez. Ganhei não só um efusivo cumprimento como encontrei minha matéria presa numa moldura, ao lado de uma coluna do Bruno, na parede do bar. Veja só: uma das minhas escolas de jornalismo, a “Doses” agora estava exposta ao lado da minha singela matéria. O mundo dá mesmo voltas.

Estômago forrado, eu agora ia apresentar ao Renan o Bar do Maurício, no outro mercado, o Campineiro. O abstêmio Marcel pulou fora. Como eu já tinha passado por um curso intensivo semanas atrás, me julguei digno de ser um guia para o meu parceiro de copo e idéias. Numa terça-feira à tarde, ao contrário do sábado, o Bar do Maurício pode ser apreciado também com os olhos. Um balcão imenso, garrafas e pequenos barris de inúmeras marcas de cerveja. Tem até de R$ 115! Fomos de Weisteiner, R$ 13 a garrafa de um litro. Produzida na Argentina de acordo com a fórmula alemã, é ligeiramente mais amarga do que a Heineken no fim, porém mais leve no começo. Dinheiro bem aplicado. “Ah, para comemorar uma promoção, uma coisa assim, vale a pena gastar uma grana num bar desses”, disse meu parceiro. Mal sabíamos que aquilo era uma comemoração antecipada.

Café Regina, na mesma Barão de Jaguara do Mercado Campineiro 

Um cafezinho no coador de pano no Café Regina para rebater e fomos para o Sebo D’Agosto, na José Paulino. Outra recomendação minha. Bons livros, dinheiro curto, não comprei nada (antes que nos execrem, nenhuma obra que nos interessou custava os R$ 13 da cerveja). Peguei o caminho da Rua Conceição e fui para minha aulinha de inglês, relaxado, certo de que meu dia não poderia ter sido melhor. Ledo engano. Estou ouvindo as explicações da minha teacher querida, quando o telefone toca. “Aquele frila fixo lá nós preenchemos, mas tem outro aqui, tem interesse?”. Desencantei, meus amigos. Vou trabalhar, (oficialmente) das 10h às 17h, com hora de almoço e tudo. Trabalho, trabalho, finalmente. Acordei de um sonho bom, mas vou dormir com outro.


Campineiros vão às compras para fazer e para rever amigos

1 junho 2007

Toni

Toni, há 33 anos trabalhando no Mercadão

TEM ATÉ FUMO DE ROLO Em espaço equivalente a um campo de futebol, dá para gastar a sola entre os 143 boxes

Os fãs do Mercado Municipal de Campinas preferem o lugar aos hiper ou supermercados por uma razão muito simples e, em certo sentido, atraente: lá, eles são tratados como amigos, não como meros clientes.

É no mais antigo centro de compras de Campinas que foi inaugurado há quase cem anos, em 1908– que amigos de longa data se encontram. Eles se espalham pelos 7.000 m2 do mercadão (tamanho equivalente a um campo de futebol) e seus 143 boxes (98 no prédio central e 45 na parte externa). Os números são da Setec (Serviços Técnicos Gerais), autarquia que administra o lugar.

Isso sem dizer que é só no mercadão que ainda é possível se deparar com produtos como o fumo de rolo (R$ 50 o quilo) e a palha para cigarro (R$ 1 o pacote com 20 unidades).
No meio dessa enorme diversidade de produtos também há material para pesca, peixes ornamentais, artigos religiosos, queijos, doces, carnes e peixes.

O advogado Roberto José de Oliveira, 56, conhecido no mercadão como Manguaça, freqüenta o lugar quase diariamente há 30 anos. Além de fazer compras para sua casa, ele vai até lá para apreciar a iguaria considerada entre os freqüentadores uma verdadeira pérola gastronômica. “O pastel é maravilhoso. Às vezes eu venho só para almoçar essa delícia”, diz.

O melhor da cidade, segundo ele, fica no Bar e Lanchonete do Tio, no boxe 111, que está há oito anos sob administração de Rafael Donizete Silva, 24. O líder de vendas é o que leva recheio de bacalhau (R$ 3). Silva não alardeia o peso do produto, como fazem outros vendedores de pastel, mas garante que o dele é “bem servido”. Manguaça assina embaixo.

Além de seu preferido, com bacalhau, no Bar e Lanchonete do Tio tem também o pastel de carne (R$ 1,50), o de pizza e o de frango (ambos R$ 2) e os bolinhos de bacalhau (2,50) e de carne seca (R$ 2). Entre as cervejas, sempre geladas, tem Antártica (R$ 2,30), Brahma, Skol (2,70) e Brahma Extra (3,50). Mas o que mais leva clientes ao mercadão é a grande variedade de “secos e molhados” e de frutas, legumes e verduras frescos.

Aos finais de semana, o número de visitantes chega a 4 milpessoas. Na véspera de datas comemorativas, como Páscoa e Dia das Mães, o público chega a 10 mil. Um dos que comemoram essas ocasiões é José Antônio Peres, 50, o Toni. Há 33 anos ele vende frios, bacalhau e temperos no boxe 68.

No negócio herdado do pai, Toni toca com a mulher, Eloísa Bandiera Peres, 50, o Feijoada Brasileira. Lá, o cliente -quer dizer, o amigo- encontra diferentes tipos de carne seca (de R$ 6, a ponta de agulha, a R$ 11,50, a de coxão mole), bacon (de R$ 6 a R$ 16) e azeites (R$ 10 o mais barato, 18,50 o extravirgem), além da pimenta (R$ 7,50 o litro) e de um item que, garante, só é encontrado por ali: o arenque defumado (R$ 35 o quilo), um peixe norueguês muito apreciado em Portugal e na Itália, que pode ser servido como um delicioso tira-gosto.

Obras estão programadas para centenário

A família de Marcos César Hüsemann, 53, está há 89 anos no mercadão.Ele vende cachaças (de R$ 8 a R$ 220 a garrafa) e artesanatos (de R$ 5 a R$ 250) ao lado da tabacaria Rei do Fumo, de seu pai, Henrique, 74.

Eles têm na ponta da língua a história do local. “O prédio foi projetado por Ramos de Azevedo. Funcionou como entreposto onde ficava armazenado o açúcar que ia para Santos”, conta o filho.

Depois que foi transformado em mercado, o local passou a ser freqüentado por políticos e intelectuais. Em 1970, a prefeitura cogitou demolir o prédio para construir uma pista, mas os moradores barraram a intervenção.

Hoje não existe mais risco de demolição. Em 1982, o prédio foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo) e, em 1995, pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas). Em 2008, ele deve passar por uma revitalização.

* * *

Publicado na Folha de S. Paulo em 31/05/2007, página F16
Agradecimentos a Bruno, Toni, Manguaça, Edson e Priscila


Meninos, eu vi: sardinha, assalto e neosaldina

27 maio 2007

O relógio ainda não marcava 13h30 quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, Bruno Ribeiro chamava para apresentar-me um bar. Explicada a localização, tirei o pijama e fui em direção ao Centro, no primeiro ônibus que passou. Das vantagens de Campinas, uma é poder ir de um bar para o outro sem necessidade de veículo automotor, o que dá margem para acontecimentos como uma maratona de bares, por exemplo. Não foi exatamente o que aconteceu naquele sábado de sol, mas chegamos perto.

O Bar [fico devendo o nome] é pequeno. Quando cheguei, o Bruno tomava a abrideira (creio eu) apoiado no balcão. Só havia uma mesa, que logo ocupamos. Outras estavam empilhadas ali perto. O chão, cheio de bitucas de cigarro. Os freqüentadores (dentre eles um velho barrigudo e de bigode branco) dividiam espaço com os engradados de cerveja, cujas garrafas vazias a dona fazia de cinzeiro. Para mim, nenhum problema. A cerva sendo barata, não me importo com mais asseio.

O Bruno jurava que o lugar tinha a melhor sardinha que ele já havia comido, entrando nessa conta os bares de Campinas e os do Rio de Janeiro que o nosso cronista do butiquim (corrija a grafia e terá nosso desprezo) havia freqüentando. Meninos, eu comi. As sardinhas vêm sequinhas, nem parece que foram fritas. Uma casquinha crocante cobre os peixinhos, que não possuem nenhuma espinha. Não é preciso mais molho além de umas gotas de limão. Anthony Bourdain se encantaria. O preço, não me pergunte. Não paguei a conta.

Sardinhas (a)provadas, era hora de mudar de bar. A tarde era uma criança e o mestre precisava mostrar ao aprendiz quais os melhore bares de Campinas. Mas antes de chegarmos ao Bar do Maurício, uma pausa para a vida como ela é…

* * *

O assalto
Íamos andando tranqüilamente pela José Paulino, falando amenidades, quando ouço uma moça dizer: “Ou!”. Um homem passa de bicicleta por nós. A moça, num tom de voz tranqüilo (depois eu percebi que era atônito), diz: “o cara roubou minha bolsa”. O sujeito já estava bem adiante quando eu avisei para o Bruno: “o cara roubou a bolsa da mina”.

No meu pragmatismo, já havia calculado a distância em que o larápio estava e a condição física dos boêmios. Não havia mais o que fazer. Mas o Bruno resolveu agir. “Vamos ver se a gente alcança ele”. No caminho – meninos, vocês tinham de ver – o Bruno ainda deu uma parada brusca, parecendo de desenho animado, para pegar uma pedra solta do calçamento. Mas não havia mais sinal do meliante. Só nos restou dar um dinheiro para a moça pegar o ônibus de volta para casa. Vamo andando que o Mercadão ta fechando.

* * *

O Bar do Maurício [também fico devendo o nome, se não for esse] fica no Mercado Campineiro, uma versão século XXI do tradicional Mercadão. O lugar estava lotado e não havia mesas. Em compensação, tomamos uma Heineken 600 ml que o Maurício não quis cobrar. Eu vi copos de cerveja de formatos até então desconhecidos. As pessoas bebiam de pé cervejas de várias marcas (o Bruno me disse que tem cerveja de R$ 50 a garrafa – de cerâmica).

Como é contra nossos princípios beber de pé sem ao menos um balcão, zarpamos para a saideira. Ali na Praça Carlos Gomes, paramos num bar que fica num casarão histórico. Coisa linda, a fachada. Meu parceiro disse que estava “empapuçado” de cerveja e ia pedir uma caipirinha para encerrar. Eu, para não fazer feio, pedi uma também. “De pinga ou de vodca?” Diante de mim, um patriota dizia a resposta óbvia. Eu não ia decepcionar meu amigo e arrematei: “para mim também, de pinga”.

Meninos, eu vi. Eu vi as luzes do centro quase me cegando; minha cabeça parecia ter uma furadeira atrás dos olhos (onde eu ouvi isso?) de tanto que doía. Fiquei sentado no ponto de ônibus, ansioso que passasse logo um para me levar para o descanso do lar, mas me arrisquei a perder o bonde para entrar numa farmácia e comprar um analgésico. Era questão de vida ou morte.

“Você tem Doralgina, aí?”
“Com Doralgina nós não trabalhamos, senhor”
“Doralgina é… genérico da… Daquele lá…” – eu não acreditava que alguém que trabalhasse numa farmácia não dissesse logo o nome do remédio.
“Nós temos Neosaldina”
“Eeeesse!!!”

Assim que saí do estabelecimento, passou o meu ônibus. Engoli o comprimido assim que me sentei. A furadeira, agora, além de ligada, parecia se movimentar para cima e para baixo. E o mais incrível de tudo, meninos, não foi o assalto, não foi a dor de cabeça, nem a alta qualidade do que comi e bebi. O mais incrível é que, quando eu me despedi do Bruno, ele falava tranqüilamente em tomar um banho para ir até a casa de um amigo. Estava sóbrio como quem tivesse bebido água a tarde inteira.


Negra Linda

21 maio 2007

O Pedrão, amigo dos tempos de faculdade (como se fizesse décadas que de parti), músico e, mais recentemente, blogueiro, fez os comentários pertinentes acerca do cunho artístico da Virada Cultural de Campinas. Eu, um ignorante no que toca à música brasileira, posso então me abster de falar do que se ouviu no evento.

Fui no sábado, pensando ir de encontro a uns sambas da velha guarda, ouvir alguns “hits” do meu Windows Media Player, como “As mariposas” e “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa. Só na porta da Estação Cultura vim a saber que os shows seriam de Tom Zé e Negra Li. O samba era em outro lugar. Tudo bem, tudo bem… De qualquer forma seria um evento a ser prestigiado, haja vista os diferentes espécimes que vão a esse tipo de festa.

Assim que entramos, dei de cara com duas (belas) meninas se beijando fortemente em meio ao povaréu. Cena linda de se ver. Não satisfeita, uma delas puxou outra moça da rodinha e tascou-lhe outro beijaço demorado. Eu lamentava pelos meus amigos, que tinha perdido de vista e imaginava estarem perdendo o espetáculo. Ledo engano. Os dois se deslocaram para um local onde a vista era bem melhor.

O lugar não estava tão lotado quanto eu esperava. Ainda bem. Depois do no mínimo engraçado show de Tom Zé (sabe a expressão “Mais louco que o Batman”? Já faz um tempo, o Jão implantou em nosso vocabulário uma versão radical desta: “mais louco que o Tom Zé”. Daí você pode ter uma noção da sanidade do sujeito), veio a apresentação de Negra Li.

Sobre a música, reitero: me abstenho de comentários. Mas posso dizer que não consegui tirar os olhos da moça. Li tem uma grande… como se diz… beleza brasileira. É por isso que, desde então, a Fergie que me desculpe, mas eu sou muito mais a Negra Licious!

P.S.1: E para entendidos ou não de música, vale ler a matéria que o Léo publicou em seu blog, sobre os emos brasileiros. Que Lúcio Ribeiro, que nada!

Atualização -22/05, 1h32
P.S.2:
Bem que eu desconfiei dessa Virada. O Bruno conseguiu escrever o seu mais recente melhor texto (é, está sempre superando a marca do momento). Sinta o drama pelo título: “Virada Cultural é o caralho!”. Sai desse blog medíocre e vai ler uma coisa boa!


A vizinha do interior também é ótima

15 abril 2007

Que São Paulo é a capital brasileira da Noite, isso eu pude conferir pessoalmente. Mas Campinas não deixa a desejar nos quesitos bares e gastronomia. Ontem começamos a noite no Subway, em Barão Geraldo, uma franquia de lanchonetes cuja existência eu ignorava [disseram que “até” já apareceu num episódio de Friends]. O negócio me conquistou assim que eu vi que o pão é assado no local. Se é produzido lá, na hora eu quis acreditar que sim.

Você escolhe entre uns cinco tipos de pão [entre preto e de parmesão] e o recheio principal [três tipos de queijo, frango, carne, frutos do mar (!!), entre outros]. Em seguida, outra atendente dá as primeiras opções de recheio extra: “cebolaalfacetomate?”. Fala tudo muito rápido e depois que põe o que você escolheu [escolha hesitante, pela rapidez da decisão], ela manda mais uma saraivada de opções – “pepinopimentãoazeitona?” – para acabar nos molhos – “mostardaemaionese? Azeitepimenta? Molhoprasalada?”. É uma delícia. Tem sabor, aroma, textura, sabe? Ao contrário daquela massa insossa que chamam de “lanche” nos McDonalds da vida.

Em seguida fomos ao Kabana, um bar com balcão de madeira e comanda individual. Esse já tinha me conquistado de outra vez, pelo fato de oferecer Heineken em garrafas de 600 ml. Só que ontem o lugar estava como lhe é peculiar, segundo o Jão, morador do distrito: cheio de mulheres lindas. Chega uma hora em que não há mais mesas, mas o pessoal continua chegando e fica em pé mesmo, como numa balada. A diferença é que o som permite a conversa, essa entidade que praticamente inexiste nas boates.

O lugar tem garçons, mas eu fazia questão de buscar minhas Heinekens no balcão, já que era atendido por duas balconistas simplesmente lindas. Mas não se penalize pelas moças: eu só sorria. Não sou daqueles que tentam xavecar as garçonetes que estão apenas atendendo bem. A música, como eu disse, é num volume agradável e de muito bom gosto. Ontem era noite de rock e rolou Beatles, Clash e um monte de coisas que não sou necessariamente fã, mas que curto numa boa em ocasiões como essa.

A proporção era de pelo menos duas mulheres para cada homem. Sério: ou elas chegavam sozinhas ou em grupos de três belas e um macho, no máximo. Chegamos com o lugar ainda vazio e saímos quando a quantidade de moças começou a diminuir. Queríamos sair com a melhor lembrança possível do lugar.

* * *

Assisti 300. Apesar de haver praticamente só batalhas, em detrimento da História, as lutas são fantásticas. Assim como Jorge Coli [para assinantes da Folha], gostei das cores. Acrescento ainda as cenas nos campos de trigo. Para quem quiser se informar melhor sobre a cidade-estado de Esparta e sobre aquela e outras batalhas, vale ler a Superinteressante desse mês. O leitor vai saber, por exemplo, que ao contrário do que o filme mostra, os guerreiros espartanos não lutavam seminus, mas com armaduras poderosas. O “descarte” dos bebês disformes e a ida aos sete anos de idade para um treinamento militar duro, no entanto, realmente acontecia.

Ah, Rodrigo Santoro parece uma drag queen.

 


Uma formatura criativa

27 janeiro 2007

Os não-criativos que me perdoem, mas criatividade é fundamental. A criatividade é um fator de diferenciação pessoal que não tem oponentes à altura. Se fundar uma religião não fosse algo tão pouco criativo, eu criaria uma que cultuasse a criatividade. As pessoas criativas tornam nossas vidas melhores. Não sou afeito a regras justamente porque elas padronizam comportamentos, atitudes e vidas inteiras – resumindo: tolhem a criatividade.

Ontem muita gente se beneficiou da criatividade alheia. Enquanto solenidades de colação de grau são um monte de frases feitas, fizemos a da turma 33 de Jornalismo, matutino, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC-Campinas – como gosta de especificar nosso orador Marcel – um verdadeiro show de criatividade. Comecemos por ele, Marcel, nosso orador, que emocionou até menos chorões – como eu – com seu texto engraçado, mas, cheio boas de lembranças, o obrigou a dar pausas para conter o choro.

Nas homenagens, nada daqueles textos padronizados. O público ouviu Ana Paula, Larissa, Gabriel, Pedrão, Maceió, Marcelas, Lígia, lendo textos próprios (ou adaptados, no caso do xaveco coletivo do colega nordestino ou do “cês são do caralho” do filho do Marcílio), que divertiram principalmente a nós, com as piadas internas, mas manteve o público sorridente/emocionado.

Aí então puseram no telão um “documentário” relembrando festas, churrascos, “Big Brothers”, xavecos e dias comuns (Lígia, o YouTube está pronto para receber esse vídeo). Lágrimas e risadas, novamente. E como o canudo que recebemos é simbólico, porque não por alguma coisa dentro dele? Fiquei incubido da honrosa tarefa de fazer um BAHIANEWS [clique para ler] (o nosso “jornal” oficial) especial, que veio como brinde.

E hoje tem o baile, que tenho certeza será tomado pela criatividade desta turma. Não acho que seja o caso de substituir a valsa por uma lambada, mas que haverá danças diferentes em outros momentos, ah!, isso eu garanto.

Então até mais tarde, meus colegas criativos que tornaram o período de 2003 a 2006 (e esse começo de 2007) o mais feliz da minha vida. Obrigado por tudo, de verdade. Levo as lembranças para ser sempre uma pessoa mais criativa e feliz.