Crônica de um fracasso: o(s) dia(s) em que não vi Gay Talese

12 julho 2009

Alguém que demora muito a aparecer deveria chegar com palavras mansas. Um olá, bom dia, como vai, deveria preceder qualquer conversa, tanto tempo depois de uma ausência. Mas me reservo a ser mal-educado neste momento de frustração. Apesar de ensaiar há algum tempo meu retorno à esta tribuna, só tomei motivação para fazê-lo agora, na vã tentativa de espantar alguns demônios. O homem que vos escreve, aqui, caros leitores, é um idiota.

Todo mundo sabe que esteve pela primeira – e, provavelmente, última – vez no Brasil o jornalista Gay Talese. Não lembro exatamente como nem onde, em algum dia entre os anos de 2003 e 2004, ouvi falar dessa sumidade da reportagem. Acho que tinha 19 anos (não mais do que isso) quando li, pela primeira vez, um livro do filho de um alfaiate italiano que provou, mais uma vez na história, que não há nada mais interessante no mundo do que gente.

Li Fama & Anonimato no segundo semestre de 2004, emprestado de uma professora chata que eu e meus colegas julgávamos incapaz de escrever mais do que algumas notas em caneta vermelha. Na verdade, enfiei o livro na mochila antes dela dizer que me emprestaria – e, sem tônus para me impedir, deixou que eu o levasse, desde que devolvesse logo. Serei sempre grato a essa mulher.

Como deixava minhas tardes livres – os trabalhos da faculdade raramente eram dignos de minha atenção – devorei as cerca de 500 páginas do livro em duas semanas. Num só dia li a primeira parte – Nova York: a jornada de um serendipitoso (que depois homenageei com uma espécie de paródia, mal escrita); logo ataquei A ponte, sobre a construção da ponte Verrazano-Narrows e os boomers que a colocaram de pé. A última parte, só com perfis irretocáveis de famosos como Frank Sinatra, seria o ápice daquela experiência que abriria minha cabeça para um mundo de possibilidades naquele tal de jornalismo, que eu já começava a achar tedioso.

Foi um ano de muitas leituras. Chegava no meu sebo preferido de Campinas – por causa dos muitos títulos de livros-reportagem – com uma lista e mostrava para o dono, querendo saber o que tinha. Achei um exemplar quase novo de A mulher do próximo, que até hoje tem a etiqueta do preço (R$ 22). Se eu lia os livros de até 300 páginas como 1968 – O ano que não terminou, de Zuenir Ventura, em uma semana, os de 500 ou mais eu teria no máximo duas semanas, foi a regra que me impus. E assim o li. E saí falando para todo mundo, escrevendo vários posts no meu blog de então e às vezes botando o assunto na roda mesmo quando o papo ia para temas totalmente destoantes. Estava excitado – não só pela escrita fluente, cheia personagens que pareciam inventados, de tão reais. No alto dos meus 19 anos, sexo era o tema com maior propensão a me estimular.

(Um parêntesis: se estou frustrado por não ter visto meu maior ídolo no jornalismo – sim, é por isso que comecei a escrever isso, findo o mistério – não posso dizer o mesmo de Zuenir Ventura, outro ídolo, só que também como pessoa, com o qual tive um longo papo em 2005 e ainda outras conversas por telefone. É só eu falar que sou aquele que fez ele autografar três livros em Campinas que ele se lembra de mim.)

Tudo isso já faz um bom tempo. Na mesma época li, mais demoradamente (20 dias?), O Reino e o Poder, sobre o New York Times e, recentemente, me vi travado na leitura de Honrados Mafiosos­, uma edição antiga que, quero acreditar, só tem a leitura menos fluída por causa da má qualidade da tradução.

Vieram as redações, o fim das utopias, a tarefa de escrever para ganhar dinheiro, o jornalismo esportivo, e Talese foi virando apenas uma lembrança boa. A empolgação voltou, em parte, quando soube de sua vinda para a Flip e do lançamento de Writer’s Life em português (Vida de Escritor). Imediatamente tratei de adquirir o livro, tentei uma entrevista (tardiamente, confesso; comi bola, como se diz) com o homem dos ternos feitos à mão, mas sequer planejei uma ida à Flip (a apatia, esse mal que me consome a maior parte do tempo).

O destino, contudo, me parecia favorável quando soube que o mestre viria à minha vizinhança, falar aos poucos (imaginava eu, idiotamente) que conheciam seu talento no Brasil. Estava numa tarde livre, sem trabalho, ainda amargando os primeiros dias de recém-ingressado na carreira de repórter freelancer. Desliguei o computador (a internet, essa que Talese não usa, havia sido instalada poucas horas antes), tomei um banho. Vesti uma camiseta, mas me senti desarrumado. Para ouvir um homem que tem dezenas (centenas?) de ternos, todos feitos à mão (terá ele sucumbido às etiquetas?), vestir uma camisa era o mínimo que eu podia fazer.

Imaginei que, com as senhas sendo distribuídas a partir das 18h30, em plena terça-feira, pouca gente estaria no local. Ou ao menos um número inferior à capacidade do auditório. Eu mesmo não havia me dando conta – a ficha não tinha caído – de que quem estava para chegar ao Masp, a poucas quadras de casa, era ninguém menos que o maior nome do new journalism, o autor do perfil histórico de Frank Sinatra, o escritor que fez o mais detalhado retrato da sexualidade nos Estados Unidos antes da era da Aids, que elevou os anônimos ao mesmo patamar dos famosos (se não um superior) entre os personagens dignos de nota. Gay Talese, meu caro André. Gay Talese, eu repito, me repreendendo. O homem que te guia, todos os dias, mesmo que você esqueça, por um caminho para um texto melhor, para uma apuração melhor, para uma entrevista em que se ouça mais do que se fale.

Claro que o final dessa crônica modorrenta vocês já sabem. Cheguei às 18h10 no local e uma fila imensa já se formava. Dois amigos vieram de Campinas para o evento, e, assim como eu, ficaram a ver a Avenida Paulista e nada mais. Até o presente momento, não tinha me dado conta de que perdera a primeira e – provavelmente, repito – última chance de ouvir as palavras, e ver pessoalmente as rugas de 77 anos do homem que me faz estar aqui, num apartamento frio e pequeno no meio de São Paulo, onde vim fazer a vida como jornalista.

Tudo que eu possa fazer daqui para frente pode tornar este fato pequeno. Mas a verdade crua é que neste instante nada mais importa. Dei a maior cagada de toda a minha curta carreira (claro que o destino me reserva outras adiante, que em termos práticos podem ser piores). Minha edição, hoje surrada, de A mulher do próximo, volta para o fundo de uma caixa com naftalina, sem autógrafo. E eu, sem alento, volto à minha vidinha anônima. Fim da história. Bola pra frente.


O mar

19 outubro 2008

 Weymouth beach looking towards Preston beach, the wet sand makes a great reflection for the fluffy clouds

Fui ver o mar. E mesmo tanto tempo distantes, ele me recebeu como sempre: de braços abertos. Sabe que o amo incondicionalmente; que a distância é uma questão de circunstância; que me dói deixá-lo – mas, acima de tudo, sabe que, se dele eu vim, a ele voltarei. Frio ou morno, a temperatura não indica o temperamento. Agitado ou calmo, sabe que vou invadí-lo. Mesmo que volte cheio de areia em minhas entranhas, zonzo pelo choque das ondas na minha cabeça, ofegante após uma verdadeira luta contra seu balanço violento, eu estarei lá. E é por isso que ele também me ama. Sabe que nada nos impede de nos fundirmos, que dedos enrugados não são um sinal para partir, que viver é recompensador tendo ele ao alcance. Salgado, cheio de altos e baixos, perigoso, mas prazeroso. Como a vida. Amo a vida porque entendo o mar.


Vale nada: a escrita e a neurastenia de André Julião

4 agosto 2008

Acho que não sirvo para ser um crítico nos moldes atuais, ou em qualquer outro molde. Não consigo me programar para terminar de ler um livro antes que o assunto fique velho. Depois que leio, ainda preciso de um tempo para digeri-lo, pensar sobre ele e tentar vê-lo de forma mais distanciada, e não mais no calor do momento.

Isso tudo sem contar um perfeccionismo muitas vezes inútil. Não consigo falar en passant de algo que eu julgue merecer toda a minha dedicação e a atenção dos leitores. Quero que a crítica seja digna da obra. Claro que, com tempo escasso – e com esse desafio utópico -, isso tudo é impossível. Para mim, pois acredito que há quem consiga.

Não raro deixo um texto mofar, começo, deixo para depois – às vezes interrompido por um convite para o bar, por exemplo – e nunca mais o finalizo.

Vou deixar meu orgulho de lado e publicar algo incompleto (ou mais provavelmente foi meu orgulho foi que não deixou que eu o jogasse fora). Abaixo, um rascunho de crítica da biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta. Mesmo agora que o livro passou dos 100 mil exemplares vendidos, creio que ainda há quem queira lê-lo. Saiba que ele merece muito mais do que estas tortas linhas. Merece sua leitura.

* * *

Tim Maia não se comportaria como um biografado comum. Seu jeito escrachado, sua fúria e sua simpatia, seus excessos e sua inteligência musical talvez não fossem compreendidos por um biógrafo que não o tenha conhecido tão bem quanto Nelson Motta. Poucos além de “Nelsomotta”, como era chamado por Tim, falariam de música como é dito em Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia.

Só Nelson Motta para se sentir à vontade em escrever o peso de Tim em cada capítulo – o auto-intitulado “preto, gordo e cafajeste” odiava que falassem do seu tamanho. A narrativa não se atém a detalhes insignificantes: é ágil, daquelas que te fazem ler vários capítulos de um só fôlego.

A linguagem também está longe de ser a sisuda e distanciada de certas biografias: Nelson Motta não se propõe a ser isento, entrando vez ou outra na narrativa e usando termos heterodoxos como “negão”. Como não poderia deixar de ser, a música é uma grande personagem em toda narrativa. O autor se preocupa em descrever o suingue, as levadas, as influências das músicas.

Mesmo tendo sido amigo de Tim Maia, Nelson Motta não o poupa de detalhes que talvez Tim preferisse não fossem narrados. As ausências em shows devido às rebordosas de “triatlo” – quando Tim virava a noite à base de maconha, cocaína e uísque – os acessos de fúria, a arrogância – ou falta de modéstia – quando recusado em um hotel, por exemplo.

Tudo isso poderia ficar destacado ou escondido demais de um autor que não o tivesse conhecido. Porque também era notório em Tim seu enorme senso de humor, seu desapego e sua gratidão. Nelson Motta foi o mais honesto possível em se tratando de um personagem tão cheio de nuanças.

* * *

Para ir além: vale muito a pena visitar o hotsite do livro, com fotos, vídeos e músicas do grande Tim Maia do Brasil. E não se esqueça: leia o livro… Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia.


Um lugar ducaralho

7 maio 2008
Foto: Vinicius Augusto

Belo Horizonte

Depois de semanas em que meu bom senso, auto-estima e projetos de vida continuavam a travar uma batalha sangrenta e sem fim, meus nervos estavam em frangalhos. Eu precisava ir para longe de São Paulo me desligar da guerra e relaxar. Foi uma luz no fim do túnel a idéia de ir para Belo Horizonte no feriado, visitar meu primo-irmão-de-criação, que viveu comigo todos os meus anos de Porto Seguro.

Depois de um carnaval no Rio de Janeiro, eu achava que não encontraria mais demonstrações tão exacerbadas do espírito fanfarrão humano. Me enganei. Afinal, eu iria presenciar a vida universitária como um voyeur, não mais como um membro dela.

É claro: a vida universitária dura anos, e não alguns dias; exige algumas responsabilidades maiores do que se manter de pé e, por estes dois fatores, nunca será algo tão avassalador quanto o carnaval. Mas o pessoal até que se esforça.

No meio daquelas pessoas jovens e sem maiores reclamações, eu era um ser estranho, apesar de – salvo engano – me disfarçar relativamente bem. Imagine: não ter de se preocupar com o aluguel no fim do mês; com o trabalho na segunda (a aula é bem mais tranqüila, acreditem, meus jovens); em disfarçar sua insatisfação para seus colegas de trabalho e chefes… Definitivamente, eu não pertencia mais àquele mundo.

O fato é que, como em toda viagem, não importa o quão longe se vai, o que encontrei não foi nada mais do que eu mesmo. E o reencontro foi mágico. Só saindo do seu meio para descobrir quem você é.

Sentei em bares onde ninguém falava de trabalho (as reclamações sobre a faculdade, se houveram, soaram como música); fui a baladas que exalavam uma energia quase virgem, em que a fumaça dos cigarros parecia até mais leve, sem aquela carga extra de frustração, responsabilidade e tristeza pela juventude que se vai.

Não voltei cheio de nostalgia. Voltei querendo fazer as coisas que sempre sonhara e que, de repente, foram deixadas de lado, entre um boleto do cartão de crédito e um celular de último tipo que quase ninguém liga. Tive de me segurar para não repetir a todo instante, embora tenha deixado escapar algumas vezes: aproveitem ao extremo!, este é um momento único em suas vidas!

Como se fosse preciso dizer.


O Rio é a Las Vegas brasileira

5 março 2008

NOTA DO EDITOR
Julião anda pensando muito sobre seus escritos. Logo depois de voltar do Rio de Janeiro, do carnaval que, em suas palavras, foi “o melhor da minha vida; na verdade, foi meu primeiro carnaval de verdade”, ele me mandou rascunhos do que, no futuro, seria o relatório de sua viagem. Mas aí ele entrou naquela “crise”, “revelação”, seja lá o que for este momento que ele vive, e nunca publicou – nem sei se chegou a concluir – o tal texto.

Como ele não me proibiu de publicá-las, seguem, abaixo, as notas do nosso repórter – que ele não me mate pela ousadia.

* * *

Funk proibidão cantado pela nossa anfitriã, poucas horas antes de sairmos para o Bloco de Segunda:

Vou bater pa tu, pa tu bater pa tua patota
Chegou o
podruto que deixa com a boca torta

Chego em Botafogo e dou de cara com um cidadão entortando a boca, numa expressão nunca dantes vista por estes olhos. No decorrer do percurso, ainda vejo mais dois com a cara parecida.

Duas meninas passam por nós. Uma delas fala algo mais ou menos assim: “laragadaduguglaplicbloblem”. Totalmente incompreensível. A outra ainda concorda: éééé.

***

Os blocos do Rio são a expressão do verdadeiro carnaval. Pobres, mendigos, classe média, crianças, velhos, velhas, coroas, jovens: todo mundo fantasiado, ninguém é o que é e torna-se apenas mais um folião.

***

Taxista:
“Peguei uma rua pra fugir do bloco, quando fui ver, tava no olho do bloco, mermão. Falei: fudeu! O carro num andava, aquele mundo de gente. Aí achei um policial bêabado – tava até sem arma; deve ter pensando: vou beber hoje, então vou deixar a arma no quartel pra não dar méarda. Falei: Amigo, dá uma sirene aí pra eu poder passar. O guarda falou: Mermão, problema teu. Tenho nada a ver com íasso. Falei: Pô, e se eu te der 20 reaishh, tu libera? – Demorôa! O cara deu uma sirene, abriu caminho, passei rapidinho.” O detalhe é que táxi no Rio, de um lado a outro da cidade, pela minha noção de distância, dava 20 reais. Em São Paulo o mesmo percurso daria uns 50, no mínimo.

***

Las Vegas Brasileira. Um monte de gente chapada na rua. Eu olhando tudo, consciente, mas não menos louco. Rindo sozinho. Totalmente Thompson. Uma Estátua da Liberdade gigante num shopping da Barra da Tijuca. Coisas grandes, imensas, sem relação alguma com o Brasil. Uma mistura totalmente heterogênea.

Lapa: prédios históricos. Bela arquitetura. Mas, na frente de um deles, duas esfinges. Nos Arcos da Lapa toca Michael Jackson, fase Billie Jean (is not my love, she’s just a girl, claimmed that I am the one, but the kid is not my son). Saio de lá e passo pela Sapucaí. Homens bombados vestidos de Dragão. Mulheres com fantasias incompletas, saltos enormes. Todas as calçadas cobertas de urina. Cheiro horroroso. Eu, de chinelo, tento saltar das “poças”.

* * *

Mas que fique claro: a cidade é linda.


Ainda pensando

29 fevereiro 2008

Não é preguiça, não. Não é falta de tempo… Ainda estou quebrando a cabeça para saber um fim (ou um reinício) para este ou um outro blog. Escrever sem compromisso ainda é um prazer, mas tenho passatempos que me satisfazem mais, ultimamente. Antes eu era um estudante de jornalismo louco por reconhecimento. Por enquanto tenho mais vontade de ficar quieto, compartilhar meus pensamentos com quem está perto de mim. Quando muito.

Gente, conversar é bem mais legal do que escrever e comentar num blog. Então, se é pra falar de coisinhas do dia-a-dia, não preciso escrevê-las… Bom, mas ao escrever isso acabei me contradizendo. Desculpem a interrupção do silêncio (o silêncio também tem seu valor). Vão ler um livro bacana e saiam da internet (a não ser que vocês estejam no trabalho).

Tchau.


Pisando em ovos

26 fevereiro 2008

Ovos

É, voltei. Mas não se anime tanto. Ainda estou passando por um período sabático. Ando questionando muito a função de um blog como este. Na verdade, já sei: nenhuma. Nenhuma para todos que não sejam o próprio autor. O mais sensato, portanto, seria implodir isso aqui.

Pensei bastante na possibilidade. Juro. Mas quero dar uma chance – às duas pessoas que pediram para continuar, a mim mesmo como escriba (porque já rejeito o rótulo de blogueiro). A gota d’água foram os “blogueiros” presentes na Campus Party. Foi uma experiência profissional ótima – fazer um blog atualizado várias vezes ao dia – e também uma boa oportunidade de rever a função destes sites/cidadãos.

Mais do que nunca acredito que blogs são ótimas FERRAMENTAS, mas não devem ser usados como MENSAGEM. É um sentido antimcluhan: o meio não é a mensagem. “Blogar” por “blogar”, para falar de outros blogs, no way.

Tem muito blogueiro se achando a vanguarda – do jornalismo, da opinião, da sabedoria. A maioria, no entanto, são comentadores. Isso não seria mau se eles se pusessem em seus lugares. Mas teve um cidadão que teve a pachorra de dizer que quer “competir” com Paulo Francis, Veríssimo, Ancelmo Góis… Faça-me o favor.

E o “manifesto” do cidadão é apenas parte de seu discurso. Na Campus Party, o cara falava como se fosse um coitadinho, um injustiçado pela “velha mídia”, um “sou uma puta fonte de informação e ninguém me dá o devido valor”… Patético.

Ando repensando muito a razão disto estar no ar. Mas ao menos sei que, pior do que blog de comentador, é blogueiro que se acha importante. Os caras querem comparar a importância deles com a de autores de blogs que conseguem convocar um debate de presidenciáveis democratas nos EUA!

* * *

Bom, mas chega de tomar seu tempo. Sabe aquele relato do carnaval no Rio? Está guardado, pode ser que apareça por aqui. Meu companheiro de viagem foi meu maior incentivador de que não é preciso/saudável transformar uma experiência em discurso, pois ela fica reduzida a discurso. Agora ele pede que eu publique nossa aventura nestas páginas… Talvez porque, depois de um longo tempo de reflexão (e uma balada bem introspectiva), cheguei à conclusão de que o discurso é parte da experiência. A experiência só é boa ou ruim porque foi relatada, compartilhada.

E é por isso que este blog sobreviveu a essa turbulência que tomou conta da minha cabeça nas últimas semanas. Tenho ainda muitas idéias aqui na mente, mas preciso avaliar até que ponto elas são relevantes para merecer compartilhamento (espalhar mais lixo pela rede é um crime). Escrever para os outros é pisar em ovos.