Estou no Campus Party Brasil, me procure por lá

11 fevereiro 2008

Seguinte, negada:

Ainda (ainda!) devo aquele post sobre o Rio de Janeiro, mas ainda (ainda!) não será agora. A razão, desta vez existe: estou cobrindo o Campus Party Brasil, o maior evento de internet (e uma caralhada de coisas relacionadas ao mundo geek) do mundo. É a primeira vez que o evento acontece fora da Espanha (foram 11 edições lá). Ou seja: é foda.

Me acompanhe nesta semana por aqui (favorita aí). E toma aí o link por extenso, é bem curtinho e sei que vai decorar e falar para os seus amigos.

http://www.abril.com.br/diversao/blog/campus-party-brasil/

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São Paulo tem cada uma…

18 janeiro 2008

Placa na Rua Teodoro Sampaio diz Famlia vende tudo

Placa na Rua Teodoro Sampaio, São Paulo: mudança de guarda-roupas ou de casa?


Porque eu gosto de São Paulo

29 dezembro 2007
Praia de Trancoso, Bahia

Gosto de céu também…

Trancoso é o lugar mais lindo que eu conheço. Não tenho muitas milhas rodadas para poder dizer que é o mais lindo entre todos do mundo. Mas, certamente, é o mais bonito entre os poucos que pus os pés. E mesmo que encontre outro lugar cuja simples visão seja melhor, creio que será difícil encontrar outro em que eu me sinta tão bem.

Assim que piso naquela terra, sinto uma comunhão entre mim e ela (uma coisa meio John Locke e “The Island”, na série Lost). Isso ainda antes de chegar à praia, esta sim, o melhor lugar no melhor lugar do mundo. Porque, para mim, não existe lugar que eu goste mais do que praia. Se a de Trancoso é a minha favorita, logo, a praia de Trancoso é o melhor lugar para estar.

Praia de Trancoso, Bahia

Cachorrinho feliz

Esqueço tudo. Limpo minha mente. Me concentro, sem nenhum esforço, apenas na vista e no som do mar. Vale qualquer esforço, qualquer sacrifício. Só quando me afastei da praia foi que entendi sua importância em minha vida. Não gosto da praia porque tem gente, porque “rola azaração”, nada disso. Gosto do mar. Puro e simples. Quanto menos gente, melhor.

Quando olho aquele mar azul de Trancoso, voltar para ele passa a ser a única razão para eu trabalhar o ano inteiro, morar em São Paulo, suportar diariamente aquela poluição do ar, visual e sonora. Todo o resto – ascensão social, sucesso profissional, prestígio – passa a ser apenas uma resposta pronta, uma justificativa apenas para as pessoas que não comungam com o mar.

Mirante em Trancoso

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!

Amanhã volto para o purgatório chamado São Paulo – o mal necessário em minha vida. Nunca minhas “férias” foram tão boas, mesmo passando apenas uma semana aqui. Esses poucos – mas intensos – dias me fizeram enxergar um mundo muito mais calmo, onde a razão para se estar num lugar é simplesmente estar neste lugar.

Vou continuar voltando para cá. Não mais por Porto Seguro, mas por Trancoso. Posso continuar não conhecendo muitos lugares, continuar a ser um cara pouco viajado. Mas para quem comunga com um lugar, não é preciso muitos outros além dos lugares opostos.

Eu gosto de São Paulo porque ela me faz ver como gosto de Trancoso. E vice-versa.


Balanço 2007 na Cardeal, com Original

23 dezembro 2007

Rua Cardeal Arcoverde à noite

A Cardeal com efeitos de uma câmera ordinária de celular

Três dias sem um post, mas é que eu estava esperando a raiva passar. No penúltimo dia de trabalho, antes do recesso de fim de ano, fico sabendo que terei de trabalhar no dia 1º de janeiro (!!). Foi preciso ouvir muitas histórias de gente que vai trabalhar no Natal e no Reveillón, nesta última e na primeira semana do ano, para conseguir engolir a seco a situação.

O Hugo e o Rapha, que moram comigo, são outros dos bravos jornalistas que vão “abrir mão” (como se houvesse opção) das festividades de fim de ano para garantir o fornecimento de notícias para os brasileiros, ávidos por informações da Corrida de São Silvestre e de tudo mais que acontece neste movimentado período do ano.

Por isso que, ontem, eu e Hugo nos presenteamos com a presença um do outro, em um de nossos lugares favoritos: o bar (O Rapha já tinha zarpado). A prosa rendeu, das quatro da tarde até as nove da noite. Isso porque deu fome e resolvemos apreciar o tempero do China in Box em casa.

cardeal-11.jpg

Baixou um Ralph Steadman na câmera

Fizemos um balanço do ano de 2007 em nossas vidas. A Rua Cardeal Arcoverde nos proporcionou a trilha sonora (buzinas e motores), o cemitério da mesma rua nos deu a paisagem (árvores em meio ao cimento) e a noite e as câmeras de celular renderam as fotos deste post (prometo trazer umas mais azuis da Bahia).

O ano foi bom, não há dúvida. Daqueles que marcam uma transição em nossas vidas e, conseqüentemente, em nossas cabeças. Que outro ano foi este? 2003: primeiro ano de faculdade, a cidade pequena fica para trás, vem a faculdade e a metrópole. E agora, 2007: sai a cidade grande, vem a cidade imensa, São Paulo; acaba a faculdade, vem o mercado de trabalho, a independência financeira e, ainda neste mesmo ano, o fim do deslumbramento.

Hugo em cores invertidas

Hugo, em cores invertidas, mas com idéias corretas

Sobre São Paulo, continuo sem opinião formada (o Hugo está convicto de que gosta). Talvez eu goste, só não tenha certeza. É certo que em nenhum outro lugar eu poderia levar a vida que levo. Lembrei de Tom Jobim, que teria dito uma vez: “Viver nos Estados Unidos é ótimo, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é ótimo.”. É a minha definição de viver em São Paulo. Mesmo havendo outras cidades que eu adore, aqui é o meu lugar.

Que 2008 seja a mesma “merda”.


Ser ou não ser VIP: Um baiano no VMB 2007

29 setembro 2007
Foto: Caetano Barreira/Capricho

Ótimo, Juliette, e pra você?

Parte 1: VIPs

Eu devia estar em frente a uma planilha de Excel, ou de alguma outra ferramenta complexa para um jornalista, quando um burburinho tomou conta da redação. Só queria terminar o que estava fazendo para ir para casa, tomar um banho e assistir a qualquer coisa na televisão que não fosse a MTV. Mas, como bem disse o biógrafo de Joseph Climber, a vida é uma caixinha de surpresas.

E numa amena noite sem estrelas, cerca de duas horas depois, eu estava em frente ao Credicard Hall, com um ingresso para o camarote do VMB 2007. Logo que cheguei, vi uma fila e saí de perto, à procura da entrada dos VIPs. Afinal, eu era uma “pessoa muito importante”, e estes não pegam filas. Aqueles caras com cabelinhos atolados de gel e roupas caras e aquelas loiras com vestidos brilhantes iam para a pista, ficar de pé, suspendendo a testa e se espremendo para ver um pouco de pele dos famosos. Eu não.

Foi aí que tive meu primeiro choque: havia fila – bem menor, claro, mas havia – para o camarote. Logo me recuperei, afinal, eu havia conseguido a entrada de graça, sem nenhum esforço e… Hmmm… Algo me dizia que todos ali haviam conseguido entrar da mesma forma. Então eu era só mais um na multidão?

A fila andava e eu precisava seguir em frente. Entrei e fui à procura do meu sofá exclusivo, o A16, nas últimas fileiras, ciente da minha insignificância. Como não encontrava, fui para a frente e novamente tomado por uma renovação de ânimo: eu ficaria na primeira fila. A 16. Mas, ser VIP traz amigos? Não ter os companheiros por perto é o preço por ser VIP? Eu estava lá, sim, mas estava sozinho.

Pedi uma cerveja (cinco reais a latinha de Skol! “Cadê o proseco grátis!?”, gritei por dentro) e me acomodei. Uma americana baixinha tocava um rock sem pretensões, que me agradava. Demorei a ligar a pessoa ao nome: era Juliette Lewis e sua banda The Licks. Falou algo sobre estarem esperando uma certa soap opera terminar para dar início à festa. E pronunciou com o sotaque previsível: “Paraíso Tropical”.

Foi então que ela apareceu. Não, não a Daniela Cicarelli (que aliás, descobri que não tem bunda). Eu estava perdido em meus pensamentos quando um doce sotaque cantado me interrompeu: “posso sentar aqui?”. Virei-me e dei de cara com os olhos mais verdes que já vi. Ela era morena, de cabelos longos e negros, e usava uma roupa justa o suficiente para mostrar suas formas. O Destino parecia mesmo estar brincando comigo.

Pedimos mais duas cervejas enquanto ela me contava sua história: era de Santa Catarina, estava há três dias em São Paulo, veio para “conhecer” a cidade, sozinha, quando soube do VMB. No dia anterior, havia assistido ao ensaio – e a prova é que ela sabia o que todo mundo ia dizer e narrava com convicção o que havia rolado: a Cicarelli não agüentava mais repetir as mesmas frases, o Lobão brigou, a Íris não conseguia decorar as falas, a Bárbara Paz ia falar um monte de palavrão.

Logo chegou a Priscila, colega de “firma”, outra agraciada pelo ingresso inesperado. Nossa amiga não parava sentada, tirando fotos, cantando Sandyjúnior e a tal da “Razões e Emoções”, perguntando se conhecíamos famosos – chegou a pronunciar um “eu sabia” quando mentimos que o Sandyjúnior havia dito para nós que era gay. Ela tinha ido para a frente do Credicard Hall sem ingresso, disposta a qualquer coisa para ver os ídolos, até que comprou uma entrada de alguém, foi para a parte mais distante da platéia e desceu, sem que ninguém a incomodasse, para o camarote. Uma guerreira.

A premiação rolava, com toda sua previsibilidade, e eu estava convencido da derrota naquele round. Não havia como disputar atenção com Sandyjúnior e bandas emo. Não se você quisesse algo com aquela menina. Na festa que seguiria a premiação, nos entenderíamos. Acontece que, apesar de guerreira, ela não era VIP. Outro fosso que nos separava além do gosto musical. “Ai, gente, será que vocês não conseguem me por na festa?”. Podemos tentar, querida, podemos tentar.

Mas, na fronteira entre VIP e Wanna Be, a lei é dura. Os seguranças sequer olharam para o (belo) rosto da nossa amiga. E tivemos de nos despedir. Sei que a cara de choro não era por mim. Sei que o primeiro famoso que lhe desse atenção a tiraria de mim. E por isso não lamentei ainda mais nossa separação. O primeiro round se encerrava.

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A São Paulo do Jão

31 agosto 2007

Provavelmente o leitor já não aguenta mais eu escrevendo sobre São Paulo o tempo todo. Mas é preciso falar de um intérprete da cidade. O Jão.  Ele é um dos grandes amigos da faculdade. Há muito flerta com São Paulo. Morou por aqui na infância e parte da adolescência. Agora ele está de volta, curtindo diariamente o que antes era só nos fins-de-semana. Claro, nem tudo.

Contemplem o metrô Belém às 7 da manhã, onde a massa enfurecida de pessoas amontoadas faz um show do Ratos de Porão parecer uma noite de valsa. Aproveite, sinta o calor humano das 11.016.703 pessoas estrategicamente colocadas como peças de Tetris em um pequeno vagão. Se segure onde puder, pois a cada estação, é um tsunami humano! Sinta o prazer de levar cotoveladas, cutucões, socos, pisões… e o pior: o bafo no cangote. O pior é sempre o bafo no cangote.

O Jão é melhor indicado do que eu para falar desta metrópole. Por isso, aproveite que hoje é sexta, e confira pessoalmente este roteiro único da terra da garoa, túmulo do samba, mais possível novo quilombo de Zumbi.


Uma bella refeição

25 agosto 2007

Balada guerreira, primeira garota da festa tem ligações sanguíneas com Porto Seguro, segurança truculento, coroas, mulheres jovens, tretas, loiraças, morenaças, fumaça, axé, dores no corpo amanhã, negras lindas, água mineral, cerveja, funk, banheiro, polícia, Big Moma’s House, Acacia Avenue brasileira… São Paulo.

A noite foi bem agitada, mas nem assim o seu todo é tão digno de registro quanto o seu fim. Sozinho, na Avenida Paulista, às quatro da manhã, meu estômago ronca e nem penso em outro lugar para ir: Bella Paulista. Trata-se de uma padaria/confeitaria/lanchonete/ restaurante – chame como quiser – no coração de Sampa. Para ter uma idéia da popularidade, àquela hora o lugar estava lotado.

Bella Paulista

Até então eu só havia comido a pizza do lugar – aprovada. Queria experimentar os sanduíches. Hambúrguer, nem pensar. Vou nos especiais. Peço um Santo Amaro: salsicha alemã grelhada coberta de queijo, com vinagrete e mostarda esqueci-o-nome na baguete. Só quando chegou a belezura me lembrei do aviso que uma amiga havia dado outro dia: o lanche é enorme. Vem cortado em três pedaços, cada um equivalente a um sanduíche normal.

Não foi por desapreço que não comi os três, pelo contrário. Refeição soberba, para dizer o mínimo. Esqueça as sadias, perdigões e pif pafs da vida. Não há paralelos entre elas e a salsicha alemã. Só comendo para saber como é. O vinagrete dá aquele tcham e a mostarda faz o “acabamento” perfeito.

E eu nem falei do pão… Ai, o pão… Era macio, leve, tinha uma casquinha crocante, mas bem fininha, fininha mesmo, como a de algo que eu já comi, mas não me lembro o que é. Não se parecia com nenhum pão que eu havia comido, nem com o do Subway. Ah, o ketchup é Heinze, America’s Favorite. Esqueça os cicas e hellmans da vida.

O segundo pedaço eu comi por pura gula/respeito. Um só é o suficiente para uma pessoa que come pouco. Os três dão perfeitamente para duas pessoas. Eu não podia deixar que jogassem fora aquele terceiro pedaço. Mesmo tendo escolhido o mais “barato” dentre os especiais (R$ 12!), eu tinha de aproveitá-lo inteiramente.

Mandei embrulhar. Chegou uma caixinha personalizada da Bella. Naquela madrugada, eu faria alguém feliz. Quase na esquina com a Consolação, eu encontrei o sortudo: o primeiro mendigo que vi, dormindo na porta de um estabelecimento comercial, ganhou um sanduíche delicioso. Pus a caixinha ao seu lado e fui embora. Não me importei dele estar dormindo e não poder me agradecer: sei que, quando acordou, abençoou a mim e à minha família até a décima geração.

Eu não ia levar para comer depois. Quando quiser, vou lá e compro outro. Quem sabe não transformo o ato de doar o terceiro pedaço (intocado, vale destacar) num hábito, num ritual. São Paulo tem me dado muitas coisas boas e quero retribuir. Juro que queria fazer mais por essa gente que dorme ao relento (eu nunca vi tanto mendigo na minha vida). Por enquanto, posso proporcionar a um pobre coitado uma bella refeição, pelo menos uma vez na sua vida.